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Dia Internacional do Celíaco. Quando a exclusão do glúten não é moda

Glúten é uma das palavras de ordem quando a alimentação é tema. Mas esta proteína cereal é muito mais do que um inimigo da moda, é a causa de uma das doenças alimentares mais penosas: a doença celíaca. O Lifestyle ao Minuto falou com quem vive com esta condição e com a Associação Portuguesa de Celíacos (APC).

Dia Internacional do Celíaco. Quando a exclusão do glúten não é moda

A doença celíaca não tem cura. A alimentação é a causa e a consequência e o glúten é um real inimigo. Parece simples, mas não é.

Trata-se de uma doença auto-imune provocada por uma predisposição genética causada pela permanente sensibilidade ao glúten, proteína presente no trigo, no centeio, na cevada e na aveia. A ingestão de glúten, mesmo que mínima, faz com que o organismo desenvolva uma reação imunológica contra o próprio intestino delgado, o que provoca lesões na sua mucosa que se traduzem pela diminuição da capacidade de absorção dos nutrientes, o que favorece o aparecimento de outras doenças igualmente graves.

De acordo com a Associação Portuguesa de Celíacos (APC), esta doença afeta cerca de 1% da população mundial, no entanto, “apenas 10% desses indivíduos possui um diagnóstico”, sendo que “os restantes 90%, por desconhecerem a sua situação clínica, agravam significativamente o seu estado geral de saúde, aumentando exponencialmente o risco de contraírem doenças graves decorrentes das carências da absorção dos nutrientes”.

O único tratamento eficaz consiste numa dieta isenta de glúten, que se quer rigorosa, equilibrada e saudável. Mas este tipo de alimentação sem glúten tem vido a ganhar destaque na vida de um vasto leque de pessoas que não possuem a doença.

Em declarações ao Lifestyle ao Minuto, a APC revela “a adoção da dieta isenta de glúten (DIG) por um fenómeno de moda, naturalmente impulsionado por figuras públicas reconhecidas mundialmente, tem vindo a ajudar que o tema do sem glúten entre nas pautas dos órgãos de comunicação, com ligação direta ou indiretamente à temática da doença celíaca. Embora a doença esteja cada vez mais popularizada, quer entre a população em geral, como entre a classe médica, ainda existe um longo caminho de divulgação e sensibilização a fazer”.

Mas quem sabe que é celíaco veio beneficiar com esta onda de defensores da exclusão do glúten da alimentação. “Fruto do aumento crescente da procura por produtos específicos sem glúten (ex. pão, massas, preparados de farinha, bolachas, etc.), assistiu-se a um crescimento exponencial da qualidade e diversidade da oferta (aumento das marcas disponíveis), levando a uma redução progressiva dos preços”, diz a APC, salientando que “é no fora de casa (restaurantes, pastelarias, oferta de produtos caseiros sem glúten, etc.) que se sente o ‘perigo’ da generalização do consumo sem glúten”.

E isto porque “para o celíaco a migalha conta, bem como o ingrediente do prato que contém no rótulo ‘pode conter vestígios de glúten’, a ingestão de qualquer quantidade de glúten por mínima que seja é prejudicial para o celíaco (mesmo que não sejam visíveis e sentidos os sintomas de imediato), contrariamente a quem opta por uma dieta sem glúten por opção. Aqui é importante sensibilizar para a oferta de opções aptas a celíacos”.

A voz de quem vive com a doença

Xavier tem pouco mais de três anos e em casa a sua alimentação é diferente da dos pais e da irmã. Depois de os pais terem descoberto a sensibilidade ao glúten quando tinha apenas seis meses (altura em que introduziram as papas na alimentação do bebé), nada mais foi igual no seio familiar. Para a mãe Emília, a doença celíaca do Xavier não veio apenas mudar a rotina alimentar, mudou também o orçamento mensal. Apesar de agora existir “muita variedade de coisas, são mais caras e noto uma diferença muito grande de preços”.

Também Clare notou diferenças nos preços. A viver em Portugal, a britânica descobriu que era celíaca há apenas dois anos, após “meses doente, mas sem saber a gravidade da situação”. “Perda de peso, borbulhas, queda de cabelo e cansaço extremo e constante” foram os sintomas que a levaram ao médico no Reino Unido e que a conduziram a um diagnóstico inesperado: a doença celíaca.

Ao Lifestyle ao Minuto, a jovem britânica revela que desde então segue uma dieta isenta de glúten, mas que nem sempre foi fácil: “Custou-me deixar de ir aos cafés e às pastelarias portuguesas, passei a levar a minha comida de casa e a controlar-me”.

“A minha qualidade de vida mudou consideravelmente. Embora tivesse que me acostumar a ser muito limitada com opções alimentares fora da minha casa, sabia que iria fazer-me melhor, então passei a levar a dieta muito a sério”, conta.

Mesmo havendo “mais variedade de produtos sem glúten em Portugal do que no Reino Unido, por exemplo”, Clare lamenta o preço da alimentação que é obrigada a seguir. “É muito mais caro comer sem glúten, a não ser que a pessoa consiga viver sem comer pão, massas e farinha, o que não é algo realista”, frisa.

“Acho que as pessoas com a doença celíaca devem ter ajuda para comprar alimentos básicos como pão, massas e farinha. Também gostava que houvesse mais consciência em restaurantes e cafés. Mas tão importante quanto isso é que as pessoas entendam mais sobre a contaminação”.

Esta é também uma questão que inquieta Rita Bernardo. Para a jovem de 24 anos – com diagnóstico de doença celíaca há cinco anos – “escolher um restaurante não é fácil e tenho sempre de preparar comida para ter na mala quando estou fora de casa, pois nem sempre dá para contar com as alternativas que se encontram na rua”.

Mas também Rita acredita que a moda da dieta sem glúten por parte das pessoas sem doença vem beneficiar quem realmente precisa de excluir esta proteína. Para a jovem, uma das mudanças mais positivas que esta tendência que se vive hoje em relação à alimentação saudável “foram os produtos de marca branca sem glúten, que são sempre mais económicos”. Mas sublinha: “Ainda assim, continua a ser muito mais caro fazer uma alimentação sem glúten versus uma alimentação sem restrições”.

Ser celíaco em Portugal

“Para além da dificuldade de identificação dos produtos sem glúten que é moderada com o acompanhamento do celíaco por um profissional de nutrição especializado na patologia, as refeições fora de casa (restauração, hotelaria, escola, etc.) destacam-se como o maior desafio com que o celíaco se depara”, diz a APC, deixado “uma mensagem muito importante”: “um celíaco, qualquer que seja a sua idade, deve ter uma vida social tão ativa como a de qualquer outro cidadão e, com informação e disponibilidade mental para encontrar soluções, isso é perfeitamente possível”.

Para a aumentar a sensibilização e a consciencialização face à doença, a APC tem dado azo a uma série de iniciativas e planos de divulgação “junto dos media, com especial incidência nos meios de comunicação/programas de grande audiência”. “Também temos estreitado as relações com os profissionais de saúde, estando presentes em congressos médicos e de nutrição/dietética”, afirma o organismo.

A nível de despesas com a alimentação – que se assume como o único tratamento da doença – a APC destaca que “os portadores de doença celíaca podem inserir, em sede de IRS, nas despesas de saúde taxadas a iva reduzido (6%), as despesas gastas com os alimentos específicos sem glúten”.

“Com efeito, o diretor-geral da Direção-Geral dos Impostos emitiu uma circular (17/2009), que refere que ‘os encargos com a aquisição de produtos alimentares especialmente concebidos para doentes celíacos, desde que justificados por relatório médico, são qualificados como despesas de saúde para efeitos do artigo 82.º do Código do IRS’. Esta aprovação surge como resultado de uma petição entregue pela APC na Assembleia da República durante o ano de 2008”, continua, frisando que “com o cartão de sócio da APC, os celíacos, beneficiam de descontos relevantes em diversos pontos de venda”.

Para mais esclarecimentos acerca da doença, consulte o site da Associação Portuguesa de Celíacos.

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