"A ideia foi recuperar, mantendo a traça original da adega antiga, mas, ao mesmo tempo, criar uma nova estrutura, com arquitetura contemporânea, que desse também um sinal de futuro ao edifício, conciliando-se o clássico e o moderno", declarou à agência Lusa o jovem empresário, cujo estabelecimento fica localizado na Madalena, ilha do Pico, à beira-mar.
O bar-restaurante venceu o prémio na categoria de Hospitalidade, tendo ainda sido distinguidos mais dois projetos nacionais, designadamente a Cozinha Comunitária Terras da Costa, na Costa de Caparica, na categoria de arquitetura pública, e a Casa de Guimarães, na categoria de remodelação.
O responsável pelo Cella Bar referiu que existe no projeto uma "mistura de influências" que resulta do facto de o espaço estar inserido na paisagem da vinha do Pico, que é património mundial, bem como da baleação, que teve grande expressão na ilha no século XX, utilizando-se, para o efeito, a criptoméria, além de outros materiais do arquipélago.
Considerando que este prémio constitui um incentivo para melhorar a qualidade do serviço prestado, Filipe Paulo está otimista quando ao futuro e considerou que a ilha do Pico "já merecia um espaço destes", daí ter desenvolvido o projeto com mais um sócio.
Filipe Paulo sustentou que a opção pelo ateliê FCC Arquitetura e Paulo Lobo não obedeceu a qualquer ação premeditada, tendo resultado de um contacto de amigos.
Para as pessoas que não conhecem o "Cella Bar", o empresário explicou que vão experimentar um "novo conceito" nos Açores na área da restauração, constituindo uma fusão entre bar e restaurante com vários espaços distintos que, no seu conjunto, determinam a sua atmosfera.
O arquiteto Fernando Coelho, responsável pelo projeto, declarou que foi a paisagem que o inspirou, destacando que todos os conceitos que tentou "imprimir tiveram a ver com as baleias, as rochas, a topologia do terreno e a vinha".
Para o arquiteto, este é um "projeto do Pico que fala", assinalando que na ilha foi confrontado com uma "atmosfera completamente diferente".
Fernando Coelho teve em consideração a proximidade do mar e, depois de conhecer a criptoméria, bem como outros materiais, como a pedra basalto, não hesitou em utilizá-los no interior e no exterior do edifício.
"Não conhecia os Açores. Fiquei definitivamente apaixonado e já comprei um terreno no Pico", declarou o arquiteto, que pretende desenvolver outros projetos na ilha.