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Do enfarte ao AVC, eis as complicações menos conhecidas da gripe

Manuel Oliveira Carrageta, presidente da Fundação Portuguesa de Cardiologia, assina este artigo de opinião partilhado, em exclusivo, com o Lifestyle ao Minuto.

Do enfarte ao AVC, eis as complicações menos conhecidas da gripe
Notícias ao Minuto

13:15 - 27/04/22 por Notícias ao Minuto

Lifestyle Artigo de opinião

A gripe e a pneumonia, que muitas vezes a complica, estão entre as 10 principais causas de morte das pessoas idosas. A grande maioria das mortes (70 a 85%), de facto, ocorre em pessoas com 65 ou mais anos. Outras complicações da gripe, menos conhecidas, mas não menos importantes, são o enfarte do miocárdio e os acidentes vasculares cerebrais.

Hoje sabe-se que nas pessoas idosas a gripe aumenta o risco de ataque cardíaco três a cinco vezes e de acidente vascular cerebral duas a três vezes, nas primeiras duas semanas após a infeção.  Este risco mantém-se elevado durante vários meses. O risco de ocorrência de um ataque cardíaco aumenta até seis vezes, particularmente nas pessoas idosas, durante a primeira semana após os sintomas iniciais da gripe.

Podemos dizer que ser vacinado contra a gripe é uma das melhores formas de reduzir o risco de se vir a sofrer de um ataque cardíaco ou de um acidente vascular cerebral, bem como de outras complicações. A gripe pode também agravar uma insuficiência cardíaca já existente ou até desencadear o início desta doença. No seu conjunto, os resultados protetores da vacina da gripe são comparáveis aos obtidos com outras intervenções com resultados preventivos bem demonstrados, como o tratamento da hipertensão, do colesterol elevado ou deixar de fumar.

Porém, nas pessoas idosas, os resultados preventivos da vacinação têm sido menores que nas pessoas mais jovens, devido ao facto de o seu sistema imunitário responder menos vigorosamente às vacinas. Na verdade, o sistema imunitário enfraquece com o avançar da idade, deixando as pessoas idosas mais vulneráveis às infeções, o que leva a uma evolução mais grave da doença que pode, como já referimos, terminar na morte prematura.

Para resolver este problema e melhorar as defesas do organismo, os produtores de vacinas têm vindo a desenvolver vacinas, mais potentes, destinadas especificamente a ser utilizadas nas pessoas idosas. Hoje já dispomos de uma vacina inativada, contendo quatro estirpes do vírus da gripe tipo A e duas estirpes de tipo B, distinguindo-se das vacinas anteriores por ter uma dose quatro vezes maior de antigénio, o que a torna mais protetora, mas continuando a ser bem tolerada. 

Esta vacina de alta dose mostrou em vários estudos, nomeadamente num estudo em lares de idosos, (o local onde se encontram as pessoas mais frágeis da comunidade), maior eficácia que as vacinas atualmente empregues. Prevê-se que esteja disponível em Portugal no próximo outono.

Embora a vacina da gripe não seja 100% eficaz, as pessoas vacinadas beneficiam de uma redução muito significativa de contrair o vírus e, ainda, de sofrer de complicações graves e de necessitar de ser hospitalizadas, observando-se nomeadamente uma redução do risco de sofrer um ataque cardíaco. Por isso, a escolha da Sociedade Portuguesa de Geriatria e da Fundação Portuguesa de Cardiologia vai para o emprego desta vacina desenvolvida especificamente para as pessoas idosas. É uma opção que faz sentido, já que a preocupação destas duas Instituições é otimizar os cuidados médicos prestados aos doentes idosos e aos doentes cardíacos.

Devemos ter bem presente que a vacina da gripe pode salvar muitas vidas, também protegendo o coração de ataques cardíacos.

Leia Também: O consumo deste (popular) alimento reduz risco de enfarte, diz estudo

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