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  • 25 SETEMBRO 2021
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"Quantos de nós conhecemos pessoas com sinusites que não passam?"

Um artigo de opinião de João Carlos Ribeiro, cirurgião especializado em Otorrinolaringologia do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, sobre a polipose nasal.

"Quantos de nós conhecemos pessoas com sinusites que não passam?"

"A respiração nasal é essencial para a vida. O nosso corpo funciona de forma menos eficiente quando a troca gasosa entre dióxido de carbono e oxigénio não é feita de uma forma natural com ar ventilado pelo nariz. Isso pode acontecer por múltiplas doenças, alguma graves e outras menos graves. Entre as menos graves, mas com consequências severas temos a polipose naso-sinusal.

A perda de qualidade de vida de um doente com polipose naso-sinusal é semelhante à de um doente com doença pulmonar obstrutiva crónica. O que não é estranho, atendendo a que são ambas doenças do mesmo epitélio respiratório, uma das vias aéreas superiores, e outra das vias aéreas inferiores.

A polipose naso-sinusal é mais comum em homens do que mulheres, com 50 anos ou mais e ocorre em 4% dos adultos europeus. A prevalência de polipose nasal em doentes com asma e de 15% e em doentes com intolerância à aspirina ou a AINEs (anti-inflamatórios não esteróides) de até 95%. Um quinto das rino-sinusites apresentam-se com polipose. Quantos de nós conhecemos familiares e amigos com sinusites que “não passam”?

Atrás do nariz temos as cavidades nasais. Em redor das cavidades nasais temos os seios perinasais. Esses espaços podem ficar preenchidos com massas benignas, semitransparentes, semelhantes a lágrimas, que são os pólipos nasais e sinusais.

Os pólipos surgem em consequência da inflamação arrastada devido a uma sinusite crónica. Quando se juntam muitos pólipos, surgem as queixas de obstrução nasal, corrimento nasal, roncopatia, cefaleias, alterações do olfacto e paladar.

Muitos doentes apresentam queixas durante bastante tempo, e não sabem que apresentam uma doença tratável, a polipose naso-sinusal. O diagnóstico é relativamente simples de se fazer, perante um otorrinolaringologista que efectua uma endoscopia naso-sinusal. A endoscopia consiste na introdução através das narinas de um tubo estreito com uma camara incorporada. Quando transmitido para um ecrã, o diagnostico é imediato. E podemos perguntar: dói? Não, é completamente indolor, mais ainda quando realizado por mãos experientes.

Após o diagnóstico, importa saber se o doente apresenta asma, sensibilidade ou alergias a medicamentos (com alguma frequência à aspirina, ibuprofeno e outros), fibrose quistica ou, doenças autoimunes…

E estes doentes saberão que existe tratamento para esta patologia? Sim, há. Cada doente terá o seu grau de patologia e o consequente grau de tratamento. Desde os casos mais simples onde o controlo crónico com sprays nasais e duches nasais com corticóides será suficiente, até aos casos que nos exigem cirurgia associada aos novos medicamentos biológicos.

A medicação ajuda a reduzir o tamanho dos pólipos, a aumentar a patência nasal, a minorar os sintomas de rinite, a melhorar a perda de olfacto e paladar, a restringir a recorrência de pólipos após cirurgia e a reduzir ou evitar as complicações.

Cada doente em cada fase da doença terá sempre um tratamento que controla a doença. E o controlo da doença naso-sinusal ajudará no tratamento de uma asma de difícil controlo. Um trabalho de equipa entre o doente, o ORL, imunoalergologista e pneumologista, portanto.

Nos casos de polipose extensa, recidivada após cirurgia (cujos resultados dependem muito da experiência do cirurgião) e com queixas ab initio de alterações do olfacto, preferimos um controlo da doença com os novos medicamentos biológicos.

Os casos mais sintomáticos podem ter indicação cirúrgica. Uma cirurgia resolve o problema. Certamente que uma polipectomia não resolve, mas uma cirurgia endioscópica naso-sinusal resolve. Mas deveremos ter receio de uma intervenção? Sim, claro.

No entanto, com as check-lists de segurança cirúrgica, a tecnologia de imagem 4k, neuronavegação em tempo real e dispositivos mecânicos de apoio à cirurgia de que dispomos actualmente é habitual um doente operado sair do hospital no mesmo dia e retomar a sua vida diária alguns dias depois sem se notar externamente qualquer marca. Não fosse o facto de os doentes sentirem um alívio e um aumento enorme na qualidade de vida, os familiares poderiam ter dúvidas se o doente teria mesmo sido operado."

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