Meteorologia

  • 12 AGOSTO 2020
Tempo
21º
MIN 18º MÁX 26º

Edição

Que atenção está a ser dada aos problemas de quem sofre de doença mental?

"O tema é antigo, foi alvo de alguma discussão muitas vezes excessivamente norteada por argumentos ideológicos, raramente centrado nas necessidades da pessoa doente e mantém-se por resolver de um modo satisfatório: quem, onde e como devem ser prestados os cuidados médicos das pessoas com doença mental de evolução prolongada", explica Lurdes Santos, psiquiatra e Assessora clínica da Província de Portugal das Irmãs Hospitaleiras do Sagrado Coração de Jesus, num artigo de opinião.

Que atenção está a ser dada aos problemas de quem sofre de doença mental?
Notícias ao Minuto

21:00 - 08/07/20 por Notícias ao Minuto 

Lifestyle Psiquiatra responde

A pandemia que o mundo está a tentar resolver, matou até ao momento perto de 400 mil pessoas e atingiu quase sete milhões em 213 países. O quadro clínico desencadeia um quadro respiratório agudo de complexidade variável e sendo transversal a todos, há pessoas com riscos acrescidos. As pessoas com condições clínicas prévias apresentam um risco acrescido, como a idade avançada, ser portador de outras patologias médicas como patologia psiquiátrica, a residir na comunidade ou em instituições residenciais.

Recuando um pouco, estamos todos lembrados do movimento da desinstitucionalização da doença mental nos anos 80-90 que teve como ideia central o fecho das grandes instituições psiquiátricas e a inserção da pessoa com doença mental na comunidade. Dentro deste conceito a pessoa com doença mental deve preferencialmente recorrer aos cuidados primários para ser tratada de todos os seus problemas de saúde pelos médicos de clínica geral.

A pessoa com doença mental de evolução prolongada, não pode ser tratada dos seus problemas de saúde no modelo de cuidados de saúde primários, muito vocacionado para o tratamento da doença médica crónica não complicada, fazer prevenção primária e secundária, tem um princípio de gestão focado nos resultados e a avaliação de serviços é exclusivamente quantitativa. O que aconteceu ao longo destes anos, foi por muitos presenciado e reconhecido, está por discutir e ser feita a reparação necessária.

Esta realidade pandémica só veio recolocar o que até já sabíamos:

- tratar uma diabetes ou uma hipertensão da pessoa com doença mental não é a mesma coisa que tratar a mesma doença na pessoa sem doença mental.

- esta realidade é particularmente mais crítica à medida que envelhecem, em que a perda cognitiva dá-se com mais gravidade, a autonomia já anteriormente afetada fica ainda mais atingida e por isso ainda com menos condições de garantir os comportamentos de autoproteção.

- quando as pessoas com doença mental vivem em estruturas residenciais, estas estão muitas vezes insuficientemente equipadas para o tratamento das doenças médicas, com pouco investimento na qualidade técnica dos cuidados médicos no âmbito da Clínica Geral.

- quando estas pessoas vivem na comunidade, decorrente da história da doença e da sua própria vida, tem invariavelmente mais patologias do foro cardiovascular, cardiorrespiratório e endócrino e ao mesmo tempo menos recursos em todas as vertentes, familiar, financeiro e mesmo comunitário. Ou seja estão ainda mais sós!

Isto põe em causa o modelo existente para a maioria das unidades residenciais para pessoas com doença mental, desenhado segundo as normas legislativas, com um quadro técnico pouco investido nomeadamente na área clínica.

Descurar isto é negar a doença mental, a sua natureza, o seu dano global com os seus condicionalismos e consequências e sobretudo deixar de centralizar no processo de tomada de decisão a pessoa com doença mental.

Recomendados para si

Seja sempre o primeiro a saber.
Acompanhe o site eleito pelo quarto ano consecutivo Escolha do Consumidor.
Descarregue a nossa App gratuita.

Apple Store Download Google Play Download

Receba dicas para uma vida melhor!

Moda e Beleza, Férias, Viagens, Hotéis e Restaurantes, Emprego, Espiritualidade, Relações e Sexo, Saúde e Perda de Peso

Obrigado por ter ativado as notificações de Lifestyle ao Minuto.

É um serviço gratuito, que pode sempre desativar.

Notícias ao Minuto Saber mais sobre notificações do browser

Campo obrigatório