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Por que os homens ainda vivem menos do que as mulheres?

As últimas gerações têm o maior aumento da esperança de vida da história dos primatas.

Por que os homens ainda vivem menos do que as mulheres?
Notícias ao Minuto

14:00 - 11/12/19 por Liliana Lopes Monteiro  

Lifestyle O verdadeiro sexo forte

Não só vivemos mais tempo, mas nunca antes as nossas vidas foram tão saudáveis. 

As razões para este aumento são relativamente óbvias: devendo-se sobretudo aos avanços da medicina e da saúde pública, que melhoraram as hipóteses de sobrevivência dos bebés e reduziu o número de mortes por doenças nos primeiros anos de vida, como revela uma reportagem avançada pela BBC Mundo.

Nos últimos 200 anos, por exemplo, a esperança de vida na Suécia saiu de cerca de 30 anos para mais de 80. Ou seja, um bebé nascido hoje na Suécia pode viver mais que o dobro de um nascido no século XIX.

No entanto, apesar deste aumento significativo, a diferença entre a longevidade de homens e mulheres quase não foi reduzida, segundo um novo estudo publicado na revista Proceedings, da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos.

"E isso não ocorre apenas entre seres humanos", explica à BBC Fernando Colchero, investigador do centro Max Planck, na Dinamarca, e co-autor do estudo "Mas também em outros primatas."

Diferenças de género

Mas por que essa diferença não tem mostrado sinais de redução ao longo dos anos? "A desvantagem masculina tem raízes evolucionárias profundas", aponta Susan Alberts, professora de biologia na Universidade de Duke, nos Estados Unidos.

Mas não sabemos exatamente a que se deve, afirma.

No entanto, existem várias hipóteses sobre a origem desta disparidade, refereAlberts.

"Uma delas é que os homens correm mais riscos do que as mulheres", e isso poderia explicar as mortes mais precoces. Um exemplo desse comportamento é o hábito de fumar, diz a investigadora.

"Os homens fumam mais do que as mulheres e nós sabemos que fumar é o hábito mais prejudicial à saúde que se conhece hoje. Pode-se dizer que fumar é um comportamento arriscado e que ilustra como os homens assumem mais riscos que as mulheres", diz Alberts.

"Eu não ficaria surpresa se isso pudesse explicar a diferença na esperança de vida entre homens e mulheres na Rússia (que é de cerca de 12 anos), mas esclareço que esta é apenas uma hipótese", afirma a a investigadora.

Outra explicação possível é baseada na genética.

As fémeas têm dois cromossomas X, enquanto os homens têm apenas um, diz Alberts. Isso significa que "se há genes no cromossoma X que são cruciais para a sobrevivência, as mulheres têm uma vantagem."

E uma terceira possibilidade "é que os homens têm sistemas imunológicos menos eficazes do que as mulheres", acrescenta.

Viver para sempre?

Depois de compilar os registros de nascimentos e mortes de mais de um milhão de pessoas em todo o mundo desde o século XVIII até hoje e combinar essas medições com dados semelhantes para seis espécies de primatas selvagens, os cientistas também descobriram que a esperança de vida tende a continuar a crescer. 

Por outro lado, "nós achamos que não há um limite de quantos anos podemos viver", disse à BBC Mundo Fernando Colchero, contradizendo um estudo polémico publicado recentemente na revista Nature.

Este estudo diz que existe um limite para a esperança de vida de seres humanos, que é hoje de cerca de 115 anos.

"Não dizemos necessariamente que não haja, mas não encontramos nenhuma evidência desse limite como sugeriu o estudo da Nature", acrescenta o cientista.

Por outro lado, Susan Albert acredita ser possível reduzir a diferença entre homens e mulheres.

"Eu acho que as chances dos homens alcançarem as mulheres são enormes. Temos apenas de compreender as causas que dão origem a essas diferenças", salienta Susan.

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