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Sexualidade após uma ostomia. Cinco conselhos práticos

Artigo de opinião de Cláudia Silva, membro da Associação Portuguesa de Enfermeiros de Cuidados em Estomaterapia (APECE).

Sexualidade após uma ostomia. Cinco conselhos práticos
Notícias ao Minuto

22:35 - 18/11/19 por Notícias ao Minuto  

Lifestyle Sexo após ostomia

A ostomia é uma intervenção cirúrgica que permite criar uma abertura artificial no corpo (estoma), com várias finalidades, que vão desde a alimentação e a respiração, à eliminação de fezes, gases ou urina.

Após a criação da ostomia, a pessoa convive com a presença e com o funcionamento do seu estoma, sendo necessário desenvolver competências físicas e emocionais para se adaptar às alterações do corpo, da própria imagem e dos hábitos de vida.

A sexualidade é uma das áreas mais afetadas, tanto pelas alterações orgânicas decorrentes da própria cirurgia e dos tratamentos, como pela dificuldade em lidar com um corpo diferente, com a presença de um estoma e de um dispositivo.

As questões relacionadas com a intimidade e com o prazer sexual são frequentemente relegadas para segundo plano, dado que as inseguranças individuais relativas à capacidade de suscitar desejo sexual são transferidas para os parceiros, resultando frequentemente em períodos de afastamento entre os casais e em abstinência sexual.

A incapacidade de realizar tarefas/atividades habituais pode levar à perda dos diferentes papéis que a pessoa tinha no enquadramento familiar, profissional e social, gerando, sentimentos de desalento, baixa de autoestima, insegurança e disfuncionalidade.

Existem potenciais constrangimentos associados ao funcionamento da ostomia, como fugas e cheiros, ou à presença do dispositivo, criando nas pessoas com ostomia a necessidade de mudar hábitos de higiene, de vestuário e/ou de alimentação.

A sexualidade é uma componente muito importante para a qualidade de vida. Porém, no caso da pessoa com ostomia, passa a existir a presença de um 'intruso' entre parceiros.

É necessário que a pessoa tenha uma atitude determinada e proativa, face à doença e à ostomia, e que seja acompanhada por um enfermeiro de Estomaterapia, que a ajude na gestão da imagem corporal, na promoção do autocuidado, da capacitação e da atividade, quer seja motora, social, cultural ou sexual, bem como ao parceiro, diminuindo constrangimentos, dificuldades de comunicação e afastamento entre os casais. 

Os enfermeiros de Estomaterapia ajudam a trabalhar a confiança e as emoções, incentivam a pessoa a falar do que mudou e a explorar o corpo, facilitam a adaptação e, com isso, a capacidade de ser e estar consigo e com o outro.

Conselhos práticos: 

1. Manter os hábitos de intimidade, carinho e cumplicidade existentes antes da cirurgia.

2. É essencial continuar a dormir na mesma cama do parceiro. Depois da cirurgia, muitas pessoas não querem dormir na mesma cama, porque têm medo de a sujar ou de incomodar o parceiro. No entanto, existem inúmeros dispositivos no mercado, com diferentes características, indicações e resistências, que permitem dormir tranquilamente sem necessidade de alterar os hábitos. As pessoas com ostomia devem experimentá-los e decidir qual o melhor para si.

3. Antes de se deitar, ou de possível intimidade, deve substituir sempre o dispositivo para se sentir mais confortável e confiante.

4. Quando se quer expor ao outro, é importante saber disfarçar ou esconder o que o deixa constrangido. Hoje em dia, existe uma oferta variada de ligas, cintas e roupa interior, tanto para mulheres, como para homens, que ajudam a disfarçar a existência do estoma. A confiança é essencial.

5. Em situações específicas, é possível controlar o funcionamento do intestino. Quem tem ostomia intestinal do cólon descendente (colostomia), pode fazer uma irrigação intestinal que promove a limpeza do intestino, permitindo-lhe não emitir qualquer tipo de conteúdo (fezes ou gases), durante 24 a 48 horas. Ou utilizar uma cápsula (espécie de tampão), que sela a passagem de conteúdo para o exterior e que permite que a pessoa o possa abrir para esvaziar o intestino e voltar a tapar, sempre que necessário. Nem todas as pessoas com colostomias podem utilizar estas estratégias, pelo que é importante que solicitem orientação a uma enfermeira de Estomaterapia.

Desta forma, é possível fazer as atividades diárias, assim como estar na intimidade, sem que o intestino funcione e sem medo de fugas ou outros constrangimentos.

Além das situações aqui apresentadas, associadas à ostomia, existem também alterações na vivência da sexualidade, decorrentes de disfunções sexuais ou da capacidade penetrativa por parte do homem ou da mulher. É fundamental que a pessoa com ostomia fale abertamente com o enfermeiro de Estomaterapia acerca do que mudou depois da cirurgia e de que forma essas alterações o afetam no seu dia a dia e nas suas relações. Existe terapêutica para o efeito e programas de reabilitação sexual disponíveis, para os quais o enfermeiro de Estomaterapia o pode encaminhar.

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