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  • 19 SETEMBRO 2019
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Diabetes: O que é e como nova insulina ultra-rápida pode ser a 'chave'

A absorção e disponibilização desta insulina de ação ultra-rápida é duas vezes mais rápida na corrente sanguínea, condicionando uma ação da insulina 74% superior nos primeiros 30 minutos comparativamente à insulina aspártico convencional. Em entrevista ao Lifestyle ao Minuto, Professor José Luís Medina, especialista em Endocrinologia, Presidente da Associação Luso Galaica de Endocrinologia e Diabetes, fala a fundo sobre o que é de facto a diabetes e sobre a mais recente inovação no tratamento.

Diabetes: O que é e como nova insulina ultra-rápida pode ser a 'chave'

"O impacto na vida de uma pessoa com Diabetes é significativo, sendo mais impactante na Diabetes tipo 1. Neste caso o aparecimento quase súbito e inesperado, sobretudo numa criança ou adolescente, vai modificar as rotinas da pessoa obrigando ao tratamento com insulina (ainda injetável), ao controlo da glicose no sangue e a uma disciplina alimentar e de atividade física. Este impacto também se verifica nas pessoas da família mais próxima (pais e irmãos)", explica o Professor José Luís Medina, especialista em Endocrinologia, Presidente da Associação Luso Galaica de Endocrinologia e Diabetes, membro da Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal (APDP) e Professor Catedrático Jubilado da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto. 

Em julho, uma insulina de ação ultra-rápida de nova geração para administração às refeições foi lançada no mercado português pela farmacêutica Novo Nordisk. Com esta insulina, passa a estar disponível mais uma opção terapêutica para as pessoas que vivem com diabetes mellitus tipo 1 e tipo 2, para que tenham uma melhor qualidade de vida.

Esta insulina (insulina aspártico) permite assegurar, nos dois tipos de diabetes, um melhor controlo glicémico através de uma mais rápida absorção da insulina, contribuindo assim para uma maior redução dos picos de glicemia após as refeições. Esta insulina de nova geração, agora disponível para os portugueses, oferece uma solução mais próxima da resposta fisiológica, à semelhança do que acontece numa pessoa sem diabetes.

"Há uma nova insulina no mercado que tem como base a insulina aspártico (que é uma insulina de ação rápida), mas modificada com a adição de vitamina B3 (que faz com que a absorção seja mais rápida) e a L-arginina que tem como função estabilizar a molécula. A associação da Vitamina B3 faz com que a absorção da insulina injetada seja mais rápida tendo uma ação mais acentuada e atempada na subida da glicose no sangue que se verifica após as refeições (chamada hiperglicemia pós-prandial). É uma insulina com absorção ultra-rápida que se aproxima mais da resposta fisiológica da produção da insulina que se verifica nas pessoas não diabéticas", confirma o professor. 

A absorção e disponibilização desta insulina é duas vezes mais rápida na corrente sanguínea, condicionando uma ação da insulina 74% superior nos primeiros 30 minutos comparativamente à insulina aspártico convencional. Estas características permitem às pessoas com diabetes obter uma maior redução da glicose no sangue e possibilitam a diminuição dos picos de glicemia após as refeições, de forma mais rápida.

Relativamente ao impacto da nova insulina José Luis Medina sublinha: "No Reino Unido foi realizado um estudo que concluiu que o tratamento que incluiu a insulina aspártico de absorção mais rápida teve melhores resultados clínicos (Russell-Jones e col). Estes resultados são visíveis na descida da hemoglobina glicosilada e da glicose pós-prandial". 

Na entrevista que se segue saiba mais sobre a diabetes e o mais recente tipo de insulina agora à venda. 

O que é a diabetes de tipo 1 e de tipo 2? Como se manifestam os sintomas da doença?

A Diabetes tipo 1 é uma doença crónica na qual o pâncreas não produz insulina, ou produz francamente menos do que o normal. A insulina que é a 'chave' que abre as 'portas' das células para que o 'açúcar' (chamado glicose) entre, fornecendo uma fonte energética fundamental; se não entrar nas células, a glicose acumula-se no sangue ultrapassando os valores normais. Anteriormente chamava-se Diabetes juvenil, porque é mais frequente em crianças e adolescentes, ou Diabetes insulino-dependente, porque é necessário tomar insulina para sobreviver. Em alguns casos, mais raros, pode aparecer em adultos. A influência genética e alguns vírus podem contribuir para a Diabetes tipo 1. Esta doença ainda não tem cura, mas tem sido motivo de um grande esforço de investigação. O tratamento baseia-se na dieta, no estilo de vida saudável e adequado à doença e na insulina (injetável). Os sintomas e sinais principais que se estabelecem com alguma rapidez são: aumento da sede, urinar muito e com frequência, fome, perda de peso inexplicada, irritabilidade e alterações do humor, cansaço e perda de forças e visão enevoada.

A Diabetes tipo 2 é uma doença muito mais frequente do que a tipo 1 e é caracterizada por resistência à ação da insulina e por falência do pâncreas que deixa de produzir a quantidade necessária de insulina, para manter a glicose do sangue dentro dos valores normais. É acompanhada frequentemente por sobrecarga de peso corporal em adultos e às vezes em crianças e adolescentes, o que está relacionado com obesidade. No tratamento é importante perder peso se o doente tem obesidade ou sobrecarga de peso. A dieta e a atividade física são muito importantes. Se não resultarem para baixar a glicose do sangue para valores normais ou quase normais, é necessário recorrer a medicamentos orais e/ou injetáveis. A doença pode evoluir silenciosamente durante vários anos e alguns sintomas podem não ser devidamente valorizados. Sintomas e sinais incluem aumento da sede, urinar frequentemente, fome, perda de peso aparentemente sem explicação, fadiga, visão enevoada, infeções mais frequentes, áreas de pele mais escuras no pescoço e nas axilas. A obesidade, a sobrecarga de peso e a vida sedentária podem contribuir para esta doença. O melhor tratamento é a prevenção (não engorde e tenha vida ativa: mexa-se). Vá à balança com regularidade para vigiar o seu peso.

Qual é o papel da insulina no organismo e qual a sua importância?

A insulina é uma hormona produzida por determinadas células do pâncreas (as chamadas células beta). O papel da insulina é o de proporcionar a utilização dos nutrientes que nós ingerimos impedindo o aumento da glicose no sangue. A insulina tem uma função importante que é a de captar e utilizar a glicose dentro das células do organismo, para servir como fonte de energia. Tem outras ações muito complexas, como sejam a formação de glicogénio no fígado e nos músculos, entre outras (impedir a formação de corpos cetónicos, por exemplo). Na pessoa não diabética a diminuição da produção de insulina acontece mas, nos períodos de jejum e interdigestivos.

Quantos tipos de insulina existem? Como é que esta insulina de ação ultra-rápida - insulina aspártico - difere dos tipos de insulina já existentes?

Existem vários tipos de insulinas segundo o início da ação, o tempo de duração e o pico máximo:

- ação curta

- ação rápida

- ação intermédia

- ação prolongada

- insulinas com pré-mistura de insulina de ação curta e de ação intermédia.

Há uma nova insulina no mercado que tem como base a insulina aspártico (que é uma insulina de ação rápida), mas modificada com a adição de vitamina B3 (que faz com que a absorção seja mais rápida) e a L-arginina que tem como função estabilizar a molécula. A associação da Vitamina B3 faz com que a absorção da insulina injetada seja mais rápida tendo uma ação mais acentuada e atempada na subida da glicose no sangue que se verifica após as refeições (chamada hiperglicemia pós-prandial). É uma insulina com absorção ultra-rápida que se aproxima mais da resposta fisiológica da produção da insulina que se verifica nas pessoas não diabéticas.

Qual é o impacto da diabetes no dia a dia da vida dos doentes?

O impacto na vida de uma pessoa com Diabetes é significativo, sendo mais impactante na Diabetes tipo 1. Neste caso o aparecimento quase súbito e inesperado, sobretudo numa criança ou adolescente, vai modificar as rotinas da pessoa obrigando ao tratamento com insulina (ainda injetável), ao controlo da glicose no sangue e a uma disciplina alimentar e de atividade física. Este impacto também se verifica nas pessoas da família mais próxima (pais e irmãos). Os profissionais de saúde que têm a responsabilidade de tratar estas pessoas têm que lhes transmitir conhecimentos teóricos e práticos para criar mais autonomia competente aos doentes e aos familiares (educação terapêutica). As pessoas com Diabetes (tipo 1 e tipo 2) estão obrigadas a mudar muitas vezes o seu estilo de vida, para facilitar o controlo da Diabetes e prevenir as complicações.

A insulina aspártico destina-se tanto para doentes com diabetes tipo 1 e 2?

As pessoas com Diabetes tipo 2 não estão livres de ter que tomar insulina (mau controlo da Diabetes com antidiabéticos por via oral ou esgotamento das reservas de insulina do pâncreas, por exemplo). Por esta razão esta nova insulina poderá ser opção para diabéticos tipo 1 e tipo 2.

Este novo tipo de insulina é própria para pessoas com diversos perfis de diabetes e de qualquer idade?

Este novo tipo de insulina pode ser utilizado no tratamento dos diversos perfis de diabetes sobretudo nos casos de insulinoterapia intensiva, que pretende imitar o padrão da secreção fisiológica da insulina.

Qual é a ação que esta insulina tem no organismo dos doentes e quanto tempo demora a atuar?

Já foi referido que a insulina aspártico com associação da vitamina B3 tem uma absorção mais rápida (o tempo até ao início da ação foi de quatro minutos enquanto o da insulina aspártico sem adição de vitamina B3 foi de 9 minutos). A duração da ação é semelhante nas duas insulinas.

Como impacta nas horas de refeições?

Esta nova insulina, ao ter uma absorção mais rápida, entra mais cedo na corrente sanguínea, permitindo uma influência mais eficaz nas subidas da glicose no sangue que se verificam após as refeições (glicose pós-prandial).

Tem efeitos secundários?

Os efeitos secundários podem ser consequência da sua ação hipoglicemiante. O tratamento com qualquer insulina pode dar hipoglicemias (baixas de glicose no sangue). A hipoglicemia é definida por uma diminuição dos níveis de glicose no sangue, menor ou igual a 70 mg/dl. Esta descida provoca sintomas que devem ser identificados pela pessoa portadora de Diabetes e pelos seus familiares. No entanto pode resultar em reações alérgicas, como qualquer outro medicamento, reações de hipersensibilidade, reações no local da injeção, lipodistrofia (muitas vezes por má técnica de injeção) e ganho de peso. Estes efeitos adversos também podem acontecer com outras insulinas.

Quando deve ser administrada? Apresenta uma maior flexibilidade do que a insulina comum?

Esta insulina pode ser administrada até dois minutos antes do início da refeição com opção de administrar até 20 minutos após o início da refeição. Neste caso apresenta maior flexibilidade no tempo de administração.

Qual é o impacto que a insulina aspártico pode ter na vida dos doentes?

No Reino Unido foi realizado um estudo que concluiu que o tratamento que incluiu a insulina aspártico de absorção mais rápida teve melhores resultados clínicos (Russell-Jones e col). Estes resultados são visíveis na descida da hemoglobina glicosilada e da glicose pós-prandial.

Em suma, quais são os cuidados que um diabético deve ter em atenção para ter uma vida saudável?

Cuidados a ter para uma vida saudável e longa: aprenda o que puder sobre a diabetes, não se esqueça que é o elemento mais importante da equipa que o trata, encare a diabetes com rigor. É recomendado que a pessoa com diabetes faça escolhas saudáveis na alimentação, mantenha um peso aconselhado, pratique atividade física todos os dias, tome sempre os medicamentos, faça o controlo da glicemia, vá à balança regularmente, não falte às consultas médicas, não fume e evite as bebidas alcoólicas e trate bem dos seus pés, indo regularmente a um podologista.

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