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Afinal, quanta água devemos beber por dia? Oito copos? Talvez não

Pode não acreditar mas no início do século XIX, as pessoas tinham que estar à beira da morte antes de se dignarem a beber água. Somente aqueles “reduzidos ao último estágio da pobreza satisfazem sua sede com água", dizia Vincent Priessnitz, fundador da hidroterapia, também conhecida como ‘a cura pela água’.

Afinal, quanta água devemos beber por dia? Oito copos? Talvez não
Notícias ao Minuto

10:00 - 01/07/19 por Liliana Lopes Monteiro  

Lifestyle Beber água

Felizmente os tempos mudaram (e com ele as vontades). Somos bombardeados atualmente por uma série de informação que alerta para ingerir litros de água todos os dias, o que seria o segredo para ter uma boa saúde, sentir-se mais bem disposto, perder peso e até evitar o aparecimento de doenças como o cancro.

O conselho que mais ouvimos é a ‘regra do 8x8’: a recomendação não oficial de que devemos beber oito copos de 240ml de água por dia, o que equivale a pouco menos de dois litros, além de quaisquer outras bebidas.

Essa ‘regra’, no entanto, como revela a BBC News, não está cientificamente provada - tão pouco as diretrizes oficiais do Reino Unido ou da União Europeia afirmam que devemos de facto consumir tanta água.

Tudo indica que a recomendação de tomar dois litros de água por dia resulta de interpretações equivocadas de duas fontes diferentes - ambas de décadas atrás.

Em 1945, o Comité de Nutrição e Alimentos do Conselho Nacional de Pesquisa dos EUA aconselhou os adultos a consumirem um mililitro de líquido para cada caloria de alimento.

Isso equivaleria a 2 litros para mulheres que adotam uma dieta de 2 mil calorias, e 2,5 litros para homens que consomem 2,5 mil calorias.

Mas essa recomendação não era exclusiva para água - incluía a maioria dos tipos de bebidas - assim como fruta, legumes e verduras, que podem conter até 98% de água.

Mas essa recomendação não era exclusiva para água - incluía a maioria dos tipos de bebidas - assim como fruta, legumes e verduras, que podem conter até 98% de água.

Já em 1974, o livro ‘Nutrition for Good Health’ (‘Nutrição para uma Boa Saúde’), escrito pelos nutricionistas Margaret McWilliams e Frederick Stare, recomendava que um adulto médio deveria tomar entre seis e oito copos de água por dia.

E, segundo os autores, tal incluía igualmente fruta e legumes, café e refrigerantes, até mesmo cerveja.

Ouça o seu corpo e confie na sua sede

Não há dúvida de que a água é importante. A água, que representa cerca de dois terços do nosso peso corporal, transporta nutrientes e resíduos ao redor do organismo, regula a temperatura, age como um lubrificante e amortece as nossas articulações, desempenhando uma função na maioria das reações químicas que ocorrem dentro do organismo.

Estamos constantemente a perder água por meio do suor, da urina e da respiração. Garantir que temos água suficiente é essencial para evitar a desidratação.

Os sintomas da desidratação podem se tornar detetáveis quando perdemos entre 1% a 2% da água do nosso corpo.

Entre eles, estão: urina amarela escura; cansaço, tonturas; secura na boca, nos lábios ou nos olhos; urinar menos de quatro vezes ao dia. Mas o sintoma mais comum? Simplesmente sentir sede. Em casos graves e mais raros, a desidratação pode ser fatal.

Anos de afirmações infundadas em torno da ‘regra do 8x8’ levaram-nos a acreditar que sentir sede significa que já estamos perigosamente desidratados.

Mas a maioria dos especialistas concorda que não precisamos de mais líquido do que a quantidade que nossos corpos pedem, quando pedem.

"O controlo da hidratação é uma das coisas mais sofisticadas que desenvolvemos na evolução, desde que os ancestrais saíram do mar para a terra. Temos uma grande quantidade de técnicas sofisticadas que usamos para manter a hidratação adequada", diz Irwin Rosenburg, cientista do Laboratório de Neurociência e Envelhecimento da Universidade de Tufts, em Massachusetts, nos Estados Unidos.

Num corpo saudável, o cérebro deteta quando o organismo está desidratado e ativa a sede para estimular que bebamos água. Também liberta uma hormona que envia sinais aos rins para conservar água concentrando a urina.

"Se ouvir o seu corpo, este irá avisá-lo quando estiver com sede", diz Courtney Kipps, consultor em medicina desportiva e professor do Instituto de Medicina Desportiva, Exercício e Saúde na University College London (UCL), no Reino Unido.

Embora a água seja a opção mais saudável, uma vez que não tem calorias, outras bebidas também fornecem hidratação.

Embora a cafeína tenha efeito diurético moderado, as pesquisas indicam que o chá e o café ainda assim contribuem para a hidratação - assim como as bebidas alcoólicas.

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