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Espelho meu: Como o rosto controla o nosso destino

Imagine que cresce com um irmão gémeo não idêntico. Ambos teriam a mesma educação, o mesmo nível de escolaridade, os mesmos interesses. Os dois seriam igualmente aventureiros e interessantes. Frequentariam o mesmo ginásio e comeriam o mesmo tipo de comida. Espiritualmente e mentalmente, seriam sósias. Tendo apenas uma diferença: o rosto.

Espelho meu: Como o rosto controla o nosso destino
Notícias ao Minuto

11:30 - 11/04/19 por Liliana Lopes Monteiro  

Lifestyle Preconceito facial

Talvez um de vocês tivesse feições mais infantis e delicadas, enquanto que o outro, ossos mais proeminentes e traços mais grosseiros.

Como seria a vida de cada um? Será que teriam o mesmo destino ou as diferenças na aparência os conduziriam a caminhos diferentes? São estas as questões que coloca uma extensa reportagem divulgada pela BBC News.

Infelizmente, a resposta parece ser a última. Bastam algumas frações de segundos para que alguém que nos vê pela primeira vez forme um julgamento sobre a nossa competência, confiabilidade, capacidade de liderança e muito mais.

Todos esses conceitos pré-formados podem moldar a nossa vida, determinando praticamente tudo – dos amigos que faremos à saúde das nossas finanças.

‘Preconceito facial’

“Apesar de acharmos que tomamos decisões de uma maneira racional, somos frequentemente seduzidos por interpretações superficiais”, afirma o psicólogo Christopher Olivola, da Universidade Carnegie Mellon. “As aparências são particularmente superficiais, mas ao mesmo tempo um sinal muito forte”.

No passado, essa distinção pelo rosto era considerada um facto infeliz da vida. Mas quanto mais Olivola e seus colegas começaram a entender a influência penetrante desse fator, mais começaram a indagar-se se esses julgamentos deveriam ser tratados como um tipo de preconceito. Se sim, algo deveria ser feito.

Devido ao nosso culto à celebridade, a beleza física pode parecer ser a maior fonte do que os psicólogos chamaram de “preconceito facial”. Já no início dos anos 1990, o economista Daniel Hamermesh descobriu que pessoas consideradas mais atraentes tendem a ganhar de 10% a 12% mais que outras, em várias carreiras – desde no futebol à advocacia.

Competência e honestidade

A nossa preocupação com a beleza pode ter nos ajudado a negligenciar as várias outras formas de preconceito facial, como descoberto pelo psicólogo Alexander Todorov, da Universidade de Princeton, há dez anos.

O académico pediu para que voluntários olhassem para fotos de candidatos ao Congresso americano por apenas um segundo e julgassem o quão competentes estes pareciam ser. Mesmo quando considerados fatores como a idade e a beleza, o rápido julgamento dos participantes previu com quase 70% de precisão aqueles que acabaram por ser eleitos.

Estudos mais recentes mostraram resultados semelhantes, examinando como a aparência do rosto alimenta o sucesso, independentemente do apelo sexual. Quanto mais dominante alguém parece ser, mais chances tem de ser contratado para um cargo de chefia. Outro estudo mostrou que jovens soldados com rostos mais dominantes têm mais chances de avançar na carreira militar.

A perceção de honestidade, particularmente, é algo que costuma ser lido no rosto, segundo os investigadores. Numa outra pesquisa, a maioria dos voluntários avaliou igualmente fotos de desconhecidos com base na perceção da sua confiabilidade. Eles em seguida admitiram que tenderiam a emprestar dinheiro aos desconhecidos que lhes pareceram mais confiáveis. Até mesmo nos tribunais, um rosto mais confiável tem menos chances de ser condenado.

40 milésimos de segundo

Talvez goste de pensar que jamais seria tão superficial – mas a verdade é que, sempre que conhece alguém pela primeira vez, espontaneamente faz uma avaliação daquela pessoa.

Todorov demonstrou que 40 milésimos de segundo é o tempo necessário para formar-se uma rápida impressão da personalidade de um indivíduo – isso representa cerca de um décimo da duração de um piscar de olhos.

Além disso, trata-se de um hábito para toda a vida: até crianças de três ou quatro anos conseguem decidir quem é ‘bonzinho’ ou ‘mau’ baseados apenas em aparências.

Outro aspeto interessante do preconceito facial é que todos nós somos, ao mesmo tempo, vítimas e perpetradores dele. Essa é uma verdade nua e crua que necessita de ser encarada.

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