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Transplantes de medula óssea: O perigoso impacto do citomegalovirus

O primeiro transplante de medula óssea foi realizado em 1968. Em Portugal, a primeira transplantação ocorreu vários anos depois, em 1987, no Centro de Lisboa do Instituto Português de Oncologia de Francisco Gentil (IPOLFG). De lá para cá, milhares de transplantes foram, entretanto, realizados.

Transplantes de medula óssea: O perigoso impacto do citomegalovirus
Notícias ao Minuto

08:20 - 15/10/18 por Liliana Lopes Monteiro  

Lifestyle Entrevista

O citomegalovirus (CMV) é uma das principais causas de mortalidade em recetores de transplante de células hematopoiéticas, como acontece nos transplantes de medula óssea. 

"As complicações que podem surgir após a transplantação de medula óssea são numerosas e diversas, sendo no entanto de realçar a doença do enxerto contra o hospedeiro, síndromes de toxicidade endotelial e hemofagociticos, infecções por fungos, parasitas e bactérias", explicou em entrevista ao Lifestyle ao Minuto o professor Manuel Abecasis, Diretor do Departamento de Hematologia do IPO de Lisboa.

Cerca de 70 a 80% da população é seropositiva para CMV, tendo já sido infetada alguma vez na sua vida. A primeira infeção por este vírus é assintomática, com os sintomas a serem, muitas vezes, confundidos com os da gripe. Ao longo da vida, o vírus fica latente, sendo reativado em situação de extrema vulnerabilidade do organismo, como acontece nos casos de doentes transplantados, imunossuprimidos (hematológicos e corticoterapia) e imunodeprimidos (VIH).

A doença por CMV pode afetar qualquer órgão mas também células do sistema imunitário, impactando em possíveis rejeições do transplante, especialmente quando o dador de transplante é seropositivo para CMV (aumentando o risco de reativação do CMV). Esta é uma das complicações que podem surgir após um transplante de medula óssea, em que os doentes ficam extremamente vulneráveis, num momento que se revela mais propício para a ativação do vírus. Quando é identificada a doença por CMV, esta é considerada bastante difícil de tratar.

Conheça em mais pormenor todas as vertentes e particularidades do CMV, explicadas em entrevista pelo professor Manuel Abecasis. 

O que é o citomegalovirus (CMV)?

O citomegalovirus é um vírus muito frequente na população em geral, pertencente ao grupo dos vírus Herpes.

Quais são os sintomas deste vírus?

A infeção por CMV é, em geral, assintomática, ocorrendo na infância ou nos adultos jovens. Por vezes pode dar um quadro febril, aumento de volume dos gânglios do pescoço e uma erupção cutânea. A infeção congénita por CMV é rara, mas pode apresentar-se com um quadro de múltiplas malformações.

De que forma se transmite de indivíduo para indivíduo?

O CMV encontra-se em numerosas secreções, nomeadamente na saliva, urina, secreções vaginais, sémen, fezes, lágrimas, leite materno, etc. A transmissão mais frequente é por contacto pessoal próximo, por via sexual ou por transfusão de sangue.

Como é que os doentes transplantados são afetados pelo CMV?

Nos doentes transplantados podem ser afetados pela reativação do vírus latente, se forem CMV positivos antes do transplante; por transmissão do dador se este for CMV positivo; por contacto direto com uma pessoa que seja CMV positiva e elimine o vírus, por exemplo, na saliva, ou por transfusão de sangue de um dador CMV positivo.

Como é que a doença por CMV afeta o organismo?

A doença por CMV resulta da lesão de um ou mais órgãos num doente infetado pelo vírus.

De que modo se manifesta?

Pode manifestar-se por pneumonia, colite, retinite, encefalite, anemia hemolitica, trombocitopenia.

Além da incidência deste vírus que outras complicações podem surgir após um transplante de medula óssea?

As complicações que podem surgir após a transplantação de medula óssea são numerosas e diversas, sendo no entanto de realçar a doença do enxerto contra o hospedeiro, síndromes de toxicidade endotelial e hemofagociticos, infeções por fungos, parasitas e bactérias, etc.

Quais são as possibilidades de tratamento?

Atualmente existem medicamentos eficazes no tratamento da infeção por CMV e que impedem a sua progressão para doença. Os mais importantes são o ganciclovir e o valganciclovir, o foscarnet e o cidofovir. Na profilaxia da infeção merece especial destaque o letermovir pela excelente eficácia e baixa toxicidade.

Qual é a percentagem de pacientes transplantados afetados pelo CMV? É uma condição comum?

Nos doentes que são CMV positivos antes do transplante e nos que são transplantados com dador positivo a percentagem de reativação é muito elevada, sendo de 40-50% nos primeiros e 20-30% nos segundos. No entanto, em apenas cerca de 5% dos casos a infeção evolui para doença.

Os doentes transplantados conseguem recuperar por completo?

Na maioria dos doentes é possível resolver com sucesso a infecção por CMV, sendo que a doença de órgão exige um tratamento prolongado e monitorização frequente.

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