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"A felicidade permanente existe". Fomos tentar perceber o segredo

'Feliz para Sempre', lançado no dia 19 de setembro, é o nome do primeiro livro do psicoterapeuta e fundador da Clínica da Mente, Pedro Brás. Descubra qual é o verdadeiro segredo para a felicidade e sobretudo não tenha medo.

"A felicidade permanente existe". Fomos tentar perceber o segredo
Notícias ao Minuto

08:00 - 20/09/18 por Liliana Lopes Monteiro  

Lifestyle Entrevista

"Podemos ser sempre felizes, mesmo nos momentos mais difíceis (....) o sofrimento que muitas vezes vivemos no presente é uma reação às experiências difíceis que atravessámos nesse momento. Para que as agressões do presente não afetem a nossa felicidade, a nossa paz interior, devemos lidar com as agressões de forma a conseguir que não nos perturbem. Como?"

É o que autor Pedro Brás explica neste livro: a infelicidade, a tristeza e a angústia não têm de ser permanentes. Por pior que seja a fase que está a atravessar, para o psicoterapeuta, cada indivíduo tem as devidas ferramentas dentro de si próprio para ser feliz.

Em entrevista ao Lifestyle ao Minuto Pedro Brás ensina-o a quebrar o padrão. E sim, a ser feliz. Para sempre. 

Como lhe surgiu a ideia para escrever ‘Feliz para Sempre’?

Na minha atividade profissional de psicoterapeuta, ajudei milhares de pessoas a serem felizes e a superar os fatores que as tornavam infelizes. Ao longo dos anos fui-me apercebendo de que todas as pessoas, de uma forma ou de outra, tinham as mesmas razões para serem infelizes e eu ajudava-as, quase da mesma forma, a ultrapassarem esse estado. Este livro é uma compilação dos fatores que perturbam essas pessoas, e das estratégias que encontrei para que possam ultrapassar esses mesmos fatores.

Quais são os temas que este livro aborda?

Este livro fala dos seis pilares que sustentam uma felicidade permanente. Identificando os fatores que perturbam o ser humano e que o deixam num estado negativo.

Identifico as dificuldades normais do dia a dia que nos abalam, mas também abordo as principais doenças psicológicas que afetam as pessoas como a depressão ou a ansiedade.

Diz que “a infelicidade, a tristeza, a angústia não têm de ser permanentes”, como é possível superar essas emoções?

Todos nós vivemos experiências que nos deixam angustiados, tristes ou com medo. É normal sentir isso. O segredo é não deixarmos que essas emoções nos afetem o nosso propósito de vida, e que se prolonguem mais do que o necessário. A felicidade permanente existe se a entendermos. A felicidade não é um estado de conforto, nem de diversão que por vezes sentimos, nem tão pouco a ausência de emoções negativas. A felicidade é um estado de quem se sente bem, em paz interior e com vontade em viver cada segundo da sua vida.

E percorrer cada segundo da nossa vida é viver também, os seus momentos menos positivos. Mas se nos mantivermos num estado de paz interior e tivermos bem definidos os nossos objetivos e propósitos de vida, esses momentos maus serão apenas degraus para subirmos a escada da vida.

Acredita que é sempre possível – qualquer que seja a situação de um individuo – alcançar a felicidade?

Acredito que é possível sermos felizes de uma forma permanente, mas não em todas as situações. Existem muitos fatores, que quando ocorrem, nos retiram a capacidade de nos sentirmos bem. Se dominarmos esses fatores, se os compreendermos, sim, é possível passar por eles sem sermos afetados.

Quais são os seis pilares para atingir a felicidade permanente?

Estes seis pilares são descritos por ordem hierárquica e sustentam a felicidade permanente.

O primeiro pilar é a SAÚDE FISICA. Só conseguimos ser felizes se o nosso corpo for saudável, sem dores que nos perturbam a vida.

O segundo pilar é a PAZ INTERIOR. Só conseguimos ser felizes se estivermos em paz connosco próprios. Se a nossa mente estiver em equilíbrio com o nosso corpo. Se não tivermos pensamentos ou atitudes que nos prejudiquem.

O terceiro pilar são os nossos OBJETIVOS. Só somos felizes quando sabemos qual o nosso propósito de vida. Para que vale a pena sofrer com um caminho que muitas vezes parece insuportável.

O quarto pilar é COMPREENDER O CAMINHO. Só conseguimos ser felizes se entendermos que a vida é um grande percurso e que o percorremos uma vez só e que nos trará todo o tipo de experiências, boas e más. Só seremos felizes se compreendermos que apesar das dificuldades, temos força mental e física para as superar e que as queremos superar.

O quinto pilar é o AMOR PRÓPRIO. Seremos felizes se nos amarmos a nós próprios, como se fosse um escudo para nos protegermos da falta de amor e da rejeição que os outros muitas vezes nos fazem sentir.

O sexto pilar é a COMUNICAÇÃO COM OS OUTROS. Completamos a nossa felicidade com a interação bem-sucedida que devemos manter com os outros. Os seres humanos, precisam de viver em grupo, precisam de criar uma família e um grupo comunitário para se defenderem  das agressões e se sentirem amados.

Nesta obra fala também que até mesmo “os mais intensos estados de conflito interior, como a ansiedade, os ataques de pânico, as fobias, o luto e até a depressão podem tratar-se sem recurso a medicamentos”, como?

Falamos das doenças psicológicas porque são estes estados que nos trazem mais facilmente para a infelicidade. As doenças psicológicas são estados prolongados e involuntários de mau estar e perturbação mental. Não são doenças do cérebro. Por isso, e para ajudar as pessoas a saírem desses estados devemos ajudá-las a encontrarem dentro de si mesmo as ferramentas necessárias para ultrapassarem as suas dificuldades. Este processo é muitas vezes impossível sem ajuda profissional. Por isso a psicoterapia é o tratamento que procura as causas dos estados e ajuda as pessoas a saírem deles. A medicação atua apenas nos sintomas físicos.

Qual é que é o padrão para a infelicidade que discute na obra?

O padrão da infelicidade é um conjunto de fatores que nos perturbam. Ao longo da minha atividade como psicoterapeuta percebi que apenas algumas dezenas de fatores eram responsáveis pela maior parte dos estados de infelicidade. Este livro fala destes fatores.

E é possível quebrá-los?

Sim. É possível quebrar estes fatores. O que as pessoas precisam para quebrar os fatores negativos quase sempre é uma mudança de atitudes perante a vida e os problemas. Esta mudança não é fácil, mas se a conseguirmos fazer vencemos e quebramos o padrão da infelicidade.

Como é que a psicoterapia pode ser usada como ferramenta para melhorar a vida dos indivíduos?

Há vários modelos de psicoterapia. Na Clínica da Mente, eu e a minha equipa, criamos um modelo psicoterapêutico a que chamamos de psicoterapia HBM. Este modelo é um tratamento muito breve que se tem mostrado eficaz para o tratamento das doenças psicológicas.

A psicoterapia HBM quer encontrar as causa dos problemas de cada pessoa. Há sempre causas. E quase sempre são as experiências fortes, traumáticas e negativas do passado. Depois de se descobrir as causas, a psicoterapia HBM e os seus psicoterapeutas ajudam as pessoas a bloquearem os seus medos e angústias e principalmente a conseguir fazer a gestão emocional das questões do passado que ainda hoje condicionam o seu dia a dia.

Qual é o papel da medicação no tratamento dos indivíduos com problemas mentais?

A medicação são drogas que atuam no sistema central nervoso. O seu objetivo é acalmar os sintomas físicos das doenças psicológicas. Não atuam nas causas e por isso não são o tratamento eficaz. Compreendo que os sintomas físicos sentidos com a ansiedade sejam tão fortes que o recurso à medicação seja uma solução de curto prazo. No entanto, as pessoas que sofrem devem procurar um tratamento que as ajude a ultrapassar as dificuldades e a viver a vida com mais recursos mentais. A medicação psicoativa tem muitos efeitos secundários e perturbam o bem-estar das pessoas e mantém-nas num estado artificial durante muito tempo.

Nós somos literalmente o nosso pior inimigo, concorda?

Não diria inimigo. Diria que se não fizermos as melhores escolhas sofremos com as consequências. Mas não fazemos as melhores escolhas por falta de conhecimentos, ou por pouca vontade em nos dedicarmos a nós próprios.

Relativamente à saúde mental acha que deveria ser colocada em prática uma metodologia de tratamento diferente do que aquela que é hoje comummente usada, especificamente nos grandes hospitais e que serve como modelo para ser seguida pela comunidade médica?

O grande problema da saúde mental em Portugal, é que o estado não investe em terapias eficazes como a psicoterapia. A psicoterapia ainda é vista como um tratamento experimental sem provas dadas. Mas não é verdade. Muitos estudos indicam que a psicoterapia tem mais resultados terapêuticos do que a medicação.

Por outro lado, os medicamentos são mais baratos e de acesso mais rápido. Pode ser a curto prazo uma solução para os doentes, para os médicos e mesmo para o Estado, mas como não resolve o problema, a médio/longo prazo fica muito mais caro. Falamos de problemas relacionados com o absentismo por baixas médicas, falta de produtividade e ausência de felicidade de uma população inteira.

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