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"Obviamente bati no fundo, mas não desisti de viver"

Dois meses após ter perdido o único filho ? André Bessa, com 29 anos ? Judite Sousa dá uma entrevista sentida à revista Sábado, marcada por lágrimas e recordações, que mostram a forma como a jornalista está a tentar recuperar, ou melhor, sobreviver. Para novembro, promete lançar um livro com fotografias e com as mais expressivas cartas de recebeu de centenas de pais que passam pelo mesmo sofrimento.

"Obviamente bati no fundo, mas não desisti de viver"

Aos 53 anos, Judite Sousa perdeu a sua razão de viver: o filho André Bessa, que perdeu a vida aos 29 anos. Ficou, como disse numa sentida entrevista publicada esta quinta-feira pela revista Sábado, “reduzida” a si própria.

“Eu tinha o meu filho. O meu maior projeto. Era a mãe do André e agora sou a mãe de ninguém. (…) Bati no fundo e não há nada que me possa abalar tanto. Sei que vou chorar a vida toda”, lamentou, no meio de muitas lágrimas e emoção.

E acrescentou: “Alguém definiu a saudade como ‘o amor que fica e ficará para sempre’ e é isso que quero sentir, quero viver morta de saudades do meu filho. Todos os dias penso no André, beijo as fotografias dele. O meu filho não podia morrer. Dava a minha vida por ele”.

Dois meses após a morte do filho, voltou (parcialmente) ao trabalho, por considerar que é a única forma de não se entregar a uma profunda depressão. “Não tenho mais filhos, não tenho marido, não tenho nenhum companheiro. Era eu e o meu filho. E tendo desaparecido o meu filho, o que é que me resta? O trabalho. Não trabalhar significaria desistir da vida. (...) Obviamente, bati no fundo, mas ainda não desisti de viver”, explicou.

“Quais são as alternativas? O suicídio? Depressões profundas que nos põem numa cama? Temos de nos agarrar àquilo que temos e aquilo que justifica a minha existência, neste momento, é o meu trabalho”, realçou.

Desde 29 de junho, além de telegramas de condolências de todos os grupos parlamentares, recebeu centenas de cartas de pais que também perderam os filhos, mas assume não ter “capacidade mental” para responder. As mais expressivas deverão ser publicadas num livro, que planeia publicar em novembro, juntamente com fotografias do filho. As receitas vão reverter a favor de associações de apoio a famílias que perderam filhos.

Numa conversa em que se assumiu como uma pessoa frágil e confessou que a sua imagem de uma pessoa dura não corresponde em nada ao seu íntimo, Judite Sousa recordou que, na noite da tragédia, teve um “mau pressentimento”, que veio a revelar-se fundado com o telefonema que recebeu de um amigo do filho a dizer que “o André sofreu um acidente muito grave”.

“Naquele preciso momento soube que o meu filho tinha morrido”, contou esta mãe, que tratava André por “bichinho”, e que por sua vez a tratava por “Juca”.

O que a “tranquiliza”, entre o sofrimento e a revolta que sente, é a convicção de que, ao ter perdido os “sinais neurológicos”, o filho “não deve ter sofrido nada, deve ter tido morte imediata”.

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