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"O trampolim foi o 'Rei do Gado'. Naquela época ninguém sabia o meu nome"

O aclamado ator brasileiro Oscar Magrini em entrevista exclusiva ao Fama ao Minuto.

"O trampolim foi o 'Rei do Gado'. Naquela época ninguém sabia o meu nome"

Quem não se lembra de Ralf de 'Rei do Gado' ou do implacável Johnny Percebe de 'Torre de Babel'? Estas foram as personagens que o consagraram, mas da longa carreira de Oscar Magrini fazem parte mais de 40 novelas. 

Aos 60 anos é um dos grandes nomes da ficção brasileira e em 32 anos de sucesso também já passou por Portugal. É visita do nosso país há 23 anos, já fez parte de duas novelas nacionais e voltou recentemente para abraçar um novo projeto.

Com raízes lusas, não esconde o enorme carinho que tem pelas gentes portuguesas. Mas seria Oscar Magrini capaz de deixar o Brasil e mudar-se definitivamente? O ator responde-nos a esta e a muitas outras questões numa entrevista exclusiva ao Fama ao Minuto

O Oscar esteve recentemente em Portugal para as gravações de uma nova produção de cinema, 'Lulu, O Filme'. Que projeto é este?

O projeto é do Pedro Anjos, um amigo meu de há 20 anos, fizemos novelas juntos aqui em Portugal. Desde 2015 que ele tinha prometido que faria um filme e que me convidaria, acabou dando certo. Vim para cá em dezembro, filmámos desde o dia 10 até ao dia 23. A edição já vai começar e a estreia aqui em Portugal está apontada para o final de abril/ maio. 'Lulu, O Filme' é uma comédia muito engraçada, escrita por Pedro Anjos e ele é o protagonista - o Lulu. Fiquei muito feliz com esse convite porque já frequento Portugal há 23 anos.

As coisas estão mudando, Portugal cresceu, parece que as pessoas descobriram Portugal agoraA propósito das gravações acabou por passar cá, em Portugal, o Ano Novo. Gostou da experiência?

Exatamente, aproveitei fiquei no Natal e no Ano Novo. Tenho muitos amigos aqui. Infelizmente, com a Covid-19, jantares canelados, festas de Fim de Ano, um saco né… O verdadeiro saco. Mas foi bom e animado, dentro do possível.

Como já disse, esta não é a primeira vez que vem a Portugal. Como foi para si regressar?

A última vez que estive cá foi em 2017, vim para ficar 32 dias e acabei ficando apenas 18, porque tinha de fazer um filme no Brasil, em São Paulo, 'Os Pássaros'. Durante oito anos fui padrinho do Carnaval da Mealhada, todos os anos, no Carnaval, eu estava aqui. O último Carnaval a que vim foi em 2007 e passados 10 anos voltei, em 2017. Agora, tinham passado quatro anos desde a última vez.

Mudar-me para Portugal definitivamente? Não. Não troco o Brasil, mesmo

Acha que mudou muita coisa em Portugal nos últimos anos?

Venho aqui desde 1997. Vim a primeira vez com 40 anos, fazer novelas. Morei aqui um ano e pouco e agora estou com 60 anos. As coisas estão mudando, Portugal cresceu, parece que as pessoas descobriram Portugal agora, o mundo está aqui e isso é muito legal. Amo de paixão este país, os amigos, comida, lugares, bebida. Portugal é tudo de bom.

Ponderaria deixar o Brasil e mudar-se para cá definitivamente?

Definitivamente, não. Posso até vir, estou aberto a propostas, quem sabe fazer uma outra novela aqui, ficar seis/ sete meses. Porque não? Mas o Brasil... Não troco o Brasil, mesmo.

Os pais da minha mãe, os meus avôs, são todos portugueses, de Vila RealÉ muito diferente gravar uma produção no Brasil ou em Portugal?

Era muito diferente quando vim as primeiras vezes, sofri bastante. A diferença era o tipo da língua, as ações das pessoas, dos atores, realizadores. Tive uma estranheza, mas depois fui-me adaptando e hoje está tudo certo, tudo bacana. É diferente o jeito de fazer novelas, mas o pessoal aqui melhorou bastante. No Brasil fazemos novelas há muitos anos, mais de 60 anos, e aqui o pessoal estava meio devagar. Quando vim aqui pela primeira vez, há 20 anos, agora já está normalizado. Fazem bastantes novelas, cinema... O cinema português é muito bom, tanto que vim aqui fazer este filme. [Portugal] Já não fica a dever nada, não, melhorou bastante.

E o público português como é que o tem recebido?

Muito carinhosamente, desde sempre. E não é só o português, o angolano, cabo-verdiano, moçambicano. Sou recebido sempre com muito carinho, todo o mundo me conhece onde vou. Sempre fui muito bem tratado por isso é que amo essa terra. Adoro vir para cá. A minha família é portuguesa e italiana, parte do pai italianos e parte da mãe portugueses. Os pais da minha mãe, os meus avôs, são todos portugueses, de Vila Real.

Já teve oportunidade de conhecer essa zona na qual tem origens, Vila Real?

Não conheço, só conheci Vila Real numa visita de helicóptero. Conheço o Algarve, Guimarães, Barcelos. Conheço essas zonas porque tinha a carteira de piloto, de Fórmula Road Hyundai, e corri aqui também no Estoril, Braga Guimarães. Adoro Portugal, estou super familiarizado.

O trampolim foi quando fiz o Ralf de 'Rei do Gado', há 27 anos. O nome da personagem era muito mais forte que o de Oscar MagriniRecentemente, o Oscar foi protagonista de uma novela que fez enorme sucesso no Brasil e além fronteiras, a 'Gênesis'. Nesta trama deu vida à personagem bíblica Noé, este papel foi especialmente marcante?

Sim, muito marcante. Foi um presente de Deus. Filmei em 2019, antes da pandemia. Foi um presente de Deus porque estava comemorando os meus 30 anos de carreira. Tenho agora 32 anos de carreira, fiz 40 novelas contado essa, mas foi a minha primeira novela bíblica. Então, amei fazer esse protagonista, Noé. Foi muito bacana.

O Oscar conta, de facto, já com uma carreira repleta de projetos, sucessos e muitas personagens...

Contabilizo 40 novelas, 19 peças de teatro e 21 longas metragens. É muita coisa, estou muito feliz, graças a Deus. E com duas novelas em Portugal, em 2001 ['Ganância' e 'A Senhora das Águas'].

Qual foi, para si, a sua personagem mais marcantes?

Todas as que estou a fazer no momento são as melhores, mas a que deu o trampolim do grande conhecimento de me levar para o Brasil e para o mundo foi quando fiz o Ralf de 'Rei do Gado', há 27 anos, em 1996. O nome da personagem era muito mais forte que o de Oscar Magrini. Ninguém sabia o meu nome. Dois anos depois, quando fiz 'Torre de Babel', em 1998, aí já era o Oscar Magrini que fazia o Johnny Percebe. Tenho 40 novelas, juntando cinema e teatro são quase 90 personagens, mas esses dois - o Ralf e o Percebe - estão guardados com maior carinho na prateleira, foram o meu grande trampolim. Aí, depois, o resto foi fácil.

Infelizmente, estão a ser contratados youtubers e digital influencers que não são atores. Colocam-nos achando que vai dar popularidade e engajamento nas novelasDepois de tantos anos de carreira, há alguma personagem que não tenha corrido tão bem e da qual se arrependa?

Nenhuma, graças a Deus. Todos os papeis que fiz fui convidado a fazer, sem ter opção de escolha, e fiz todos com muito carinho e cada um completamente diferente do outro. Só posso dizer que sou um ator camaleónico, os meus personagens mudam de nome, de ação, de cabelo, de jeito, de feição... e fico muito feliz com isso. Cada vez mais vou ousando em fazer personagens diferentes.

E qual o papel que ainda não fez, mas que não gostaria de terminar a sua carreira sem ter oportunidade de concretizar?

Fazer um grande filme ou uma novela como um grande assassino, um grande bandido. Fazer uma coisa bem diferente, que nunca fiz. Bonzinho já sou na vida real, gostava de fazer um grande mau da fita. Seria fantástico e é o que está faltando. Fiz o Ralf, que até ganhou o prémio de melhor vilão, mas ele não era vilão, era um cafetão. Agora quero um vilão mesmo, com tiro, porrada e bomba.

Em Portugal, são muitos os artistas que sofrem por a partir de determinada idade serem de alguma forma esquecidos pelas produções televisivas. Enquanto ator com uma longa carreira e com a maturidade de quem tem 60 anos, pergunto-lhe qual a sua opinião sobre a forma como são tratados os atores mais velhos na ficção brasileira? 

Existe o respeito pela longa carreira, existe representatividade mas... Graças a Deus nunca parei de trabalhar, porque sempre existe sempre um papel para um pai e para um avô, mas o que esta a acontecer, infelizmente, é que estão a ser contratados youtubers e digital influencers que não são atores. Eles colocam-nos achando que vai dar popularidade e engajamento nas novelas, e não é bem assim. O público não se engana mais. Há atores que estudam, que sabem contracenar com uma câmara, não alguém que é youtuber ou é um influenciador. O que está a acontecer, e vejo muito isso, é que estão a colocar pessoas pelo número de seguidores. Falta presença cénica, falta palco, falta estudo, falta conhecimento. Existe o respeito, sim, pelas pessoas mais velhas, mas o que estou percebendo é que está tendo cada vez mais uma aposta num elenco jovem. Mas esse elenco jovem precisa de um tio, de uma tia de um pai de uma mãe, e é onde a gente entra. 

Tenho 60 anos, mas consigo fazer personagens entre os 45 e os 65 anos, nesta transição de 20 anos eu ando muito bem. Se virem uma foto minha como Noé eu vou para 80 e poucos anos com aquela barba. E aquela barba é minha, não é colada, em 65 dias ficou assim. Se cortarem a minha barba e pintarem o meu cabelo de preto eu vou para os 45 anos. E eu tenho chão, tenho história. 

Falemos sobre o futuro. Que novos projetos nos pode contar?

Já fui convidado para fazer a partir de setembro, com o Pedro Anjos, gravar o filme 'Cowboys do Caramulo'. Vou ser o vilão dessa comédia, vai ser muito engraçado. No Brasil há um convite para uma novela, mas não posso falar ainda porque não está nada certo. 

Leia Também: Tiago Castro: "Estive lá em cima, desci ao inferno e subi outra vez"

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