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"Fazer uma personagem que foi real… Tinha que honrar esta pessoa"

Margarida Moreira esteve à conversa com o Fama ao Minuto para falar do recente filme, em que interpretou a pintora Maluda. Uma entrevista onde recorda, ainda, 'Diamantino' e a ida a Cannes, sem esquecer o início da caminha nas artista e o curso de Psicologia.

"Fazer uma personagem que foi real… Tinha que honrar esta pessoa"

Apesar de amar o teatro e a televisão, não esconde o fascínio pelo cinema, onde tem conseguido dar cartas. Recentemente interpretou a pintora Maluda, trabalho que esteve em destaque durante a conversa com Margarida Moreira. 

Entre os diversos desafios que já teve na 7.ª arte, 'Diamantino' foi o filme que a levou a Cannes, experiência que também foi recordada durante a entrevista com o Fama ao Minuto

O curso de Psicologia também foi tema de conversa e, sem partilhar muitos detalhes sobre o lado pessoal, não deixou de falar do desejo de ser mãe. 

Mas antes de tudo, a atriz começou por lembrar os primeiros passos no mundo da representação, falando da importância que o teatro amador teve na sua vida profissional, pois foi a sua grande escola. 

Começou a representar em criança, no teatro amador… Como é que surgiu a ida para o teatro amador?

Surgir, antes de mais, da vontade, do sonho de ser atriz. Quando estava no colégio, havia peças de teatro e eu ficava fascinada. Faziam pequenas apresentações na escola e tanto eu como a minha irmã éramos convidadas para fazer parte. Quando fomos para a escola secundária do Restelo e vimos que se ia formar um grupo de teatro que era o NADA (Núcleo de Artes Dramáticas e Audiovisuais), foi logo de imediato o desejo de fazer parte daquele grupo. E foi com esse grupo que começámos a fazer algumas peças. Fizemos ‘O Gato’, de Henrique Santana, que ainda esteve presente na estreia. Era uma comédia à portuguesa antiga, incrível, que encheu auditórios. Havia pessoas que nem sequer conseguiam acreditar que aquilo era uma peça de escola. Fazia de mãe da minha irmã. (risos)

Acho que foi quase como um passo natural. E quando, às vezes, as pessoas me perguntam por onde é que devem começar quando têm o sonho de serem atores, acabo sempre por dizer que devem começar por fazer parte de todos os grupos de teatro que puderem. Aprende-se muito. Aprende-se em todo o lado, mas no teatro amador posso dizer que foi a minha primeira escola, o meu primeiro contacto com o público, o meu primeiro contacto com os textos, com a análise dos textos e dos personagens…

Mais tarde, os meus pais estavam preocupados, porque a vida artística não é uma vida estável. Queriam que tirasse um curso e o Conservatório para eles estava fora de hipótese. Acabei por ir para Psicologia, não só pelo gosto da Psicologia em si, mas porque também achei que seria um ótimo complemento à atividade de atriz. Se quero compreender o lado humano, se quero ir aprofundar o ser humano, então vamos ver o que é que a ciência da Psicologia tem para nos desvendar. Onde tirei o curso também frequentei um grupo de teatro amador… Eu precisava do teatro.

Fazer uma personagem que existiu, que foi real… Foi uma grande responsabilidade, tinha que honrar esta pessoa especificamente

Disse que o teatro amador foi quem lhe deu o primeiro contacto com o público, com os textos… No fundo, foram as principais ferramentas que essa fase lhe deu para a vida profissional como atriz?

Sim, claro. Tudo o que acontece na vida de um ator, ou de um artista, tudo serve como ferramentas e material de trabalho. Tudo é base para conseguirmos crescer e evoluir enquanto profissionais. O teatro amador foi, sem dúvida, uma escola.

Já interpretou muitas personagens e elas acabam por marcar os atores de várias formas. Mas se tivesse de destacar uma, qual seria e porquê?

Acho que é sempre a última e a próxima que há de vir. De facto, a Maluda, posso dizer que é uma personagem que ainda me marca presentemente, talvez por ser tão recente. Não sei responder a isso… Também houve uma curta metragem que fiz com o Vasco de Oliveira, ‘O Pecado De Quem Nos Ama’, que também posso dizer que me marcou porque na altura que foi feita eu estava a viver determinados momentos na minha vida pessoal que contribuíram para a personagem e para outras coisas…

Agora que falou na ‘Maluda’, o último filme que fez, já conhecia bem a pintora? Como foi o processo até chegar à interpretação?

Conhecia a Maluda muito vagamente, sabia que era uma pintora portuguesa e pouco mais. Fui chamada para casting, e assim que fui pesquisar para ver bem quem é que ela era, comecei a ver vídeos… Tive uma semana de preparação até fazer o casting, e foi uma semana em que a noite se transformou em dia e o dia se transformou em noite. Assim que comecei a ver vídeos e a rever… A RTP Memória está cheia de entrevistas e documentários sobre a Maluda, portanto, acabou por ser quase uma viagem ao universo da Maluda. Entretanto, tinha o cabelo muito comprido e para fazer o casting precisava de me distanciar fisicamente de mim, então fui alugar uma peruca, arranjei roupa dos anos 80...

A Maluda tinha uma maneira muito específica de falar, de se movimentar… Foi um trabalho que a determinada altura pensei que seria quase impossível. Quando fiz o casting, passado um dia ou dois tive o feedback que fui selecionada e a partir daí foi tentar ter acesso ao guião o mais rápido possível para perceber qual seria a história. A partir do momento em que tive o guião, foi basicamente um trabalho de dia e noite a tentar absorver, ver e rever e ouvir a voz dela, tentar colocá-la dentro de mim, ou tentar percebê-la ao máximo. E mesmo quando estava a ser maquilhada ou a ser preparada, estava a ouvir a Maluda ou a ver entrevistas sobre dela.

É diferente quando fazemos uma personagem ficcional em que acabamos por ter mais liberdade criativa. Claro que temos de ir sempre de encontro ao que está escrito, às direções que nos são dadas, mas fazer uma personagem que existiu, que foi real… Foi uma grande responsabilidade, tinha que honrar esta pessoa especificamente. O meu trabalho foi nesse sentido, com as condicionantes que tínhamos, o tempo não foi muito.

Foi apaixonante, apaixonei-me totalmente por esta mulher. A Maluda foi mesmo incrível, maravilhosa. E fico muito satisfeita porque tenho tido feedback de muita gente a dizer que não conhecia a Maluda e que, de repente, passaram a conhecê-la, ficaram fascinados com ela e querem conhecer mais sobre o trabalho dela. Recebi muitas mensagens a dizer que queriam que fosse uma série. Portanto, as pessoas queriam ver mais. E a história da Maluda dava para muita coisa, não se pode contar a vida de uma pessoa em tão pouco tempo.

E que características da própria Margarida é que podemos encontrar na Maluda?

Nada! Nada a não ser o meu corpo que estava lá, que mesmo assim… A Maluda tem uma fisicalidade diferente da minha e houve uma altura - que acho que ninguém percebeu -, quando estava a experimentar o guarda-roupa, que não me sentia bem dentro da roupa, não estava a conectar com aquilo até ao momento em que tirei o meu soutien, curvei as costas e quando fiz isso, comecei a encontrar pontos em comum com a fisicalidade dela. Aí sim, comecei a sentir que estava já a encontrar alguma fisicalidade dela.

De resto, a Maluda tinha uma coisa extraordinária como artista que era, ela acreditava muito no seu trabalho. Ela dizia, e fazia questão de dizer, que, de facto, pintar era acima de tudo trabalhar, que era preciso trabalhar. Estamos a falar de uma pessoa que começava a pintar às 8h da manhã e que acabava às 18h, 19h, e a partir dessa hora começava a ter uma vida social. Era chamada a pintora da solidão, ela criava na mais profunda solidão e não gostava de ser interrompida. Era uma artista com horários. E, muitas vezes, no meio artístico não se vê tanta rigidez de horários...

Agora, relativamente ao facto de ela gostar da solidão para criar, aí confesso que me revi. Talvez um ponto em comum que tenho com ela. Consigo perceber. Também durante o tempo todo que tive a criar a Maluda foi na mais profunda solidão. Gosto de estar sozinha. Neste caso estive sozinha e com os vídeos da Maluda, a tentar compreendê-la. Apesar de que ela fazia este processo de solidão e depois a partir da 19h era vida boémia, fazia festas lá em casa. Nessa parte já não sou assim, sou muito caseira.

Como é que a arte é comparável? A arte não pode ser comparada

Já fez muitos trabalhos no cinema, mas queria recordar o filme ‘Diamantino’, pois foi com este trabalho que teve a oportunidade de ir ao Festival de Cannes. Como foi a presença no festival? Houve algum momento mais caricato?

Estivemos na Semana da Crítica, ganhamos o prémio. Começamos a perceber, a determinada altura, que o público estava apaixonado pelo ‘Diamantino’. Começamos a ter alguma perceção de que o filme talvez pudesse, de facto, ganhar qualquer coisa. Tivemos numa mega festa quase hollywoodesca. Haviam vários eventos que as pessoas organizavam e a nossa festa era numa vivenda com piscina. Acho que não vivi lá nenhum momento caricato, mas ver as pessoas na festa que ficavam [admiradas] por verem as gémeas… As pessoas ficavam fascinadas por estas mulheres maquiavélicas e tivemos muito esse feedback imediato lá, das pessoas encantadas com as gémeas.

Acima de tudo, foi bom. Também foi quando vi o filme pela primeira vez, e ver as gargalhadas do público, ver a receção do público e no final as pessoas levantarem-se a aplaudirem… Na altura estávamos com o Daniel Schmidt e Gabriel Abrantes, que são simplesmente arrasadores, incríveis. Foi espetacular.

Recebeu também recentemente o prémio Augusta, mas este não é o primeiro prémio da carreira. O que significa este tipo de reconhecimento?

Vale o que vale, tudo é muito relativo e é uma questão, às vezes, de gosto pessoal ou porque é que se dá prémios a uns e não se dá a outros… Por exemplo, estive no Shortcutz Ovar e fui júri de um festival. A minha primeira reação foi: não quero ser júri de um festival. É tudo uma questão de gosto. Como é que escolho qual é que é o melhor filme? Como é que a arte é comparável? A arte não pode ser comparada. Podes gostar mais daquela interpretação porque te tocou, e outra pessoa gosta mais de outra e isso não quer dizer que uma seja melhor do que a outra. Mas acabei por ser júri e percebi também que é tudo uma questão de gosto pessoal do júri.

Mas isto para dizer que já recebi alguns prémios, principalmente lá fora, o meu primeiro prémio foi em Los Angeles, da curta ‘O Pecado De Quem Nos Ama’, do Vasco de Oliveira. Recebo esses prémios como uma espécie de aplauso no final de um espetáculo de teatro. É como se fosse um carinho, uma espécie de reconhecimento por aquilo que foi feito. Portanto, obviamente que é com muita alegria e gratidão que recebo esses prémios. 

Aquilo que vejo é que, de facto, o público português está cada vez com mais hábito de ver coisas nossas

Vi algumas entrevistas anteriores e percebi que gosta muito de fazer teatro e televisão, mas gostava que a sua carreira passasse mais pelo cinema. É possível em Portugal um ator viver só do cinema?

Não sei. Essa é a pergunta que também me faço. Será que dá? (risos) Nunca fiz nenhuma distinção entre teatro, televisão e cinema. São áreas que acho que um ator deve fazer com a mesma entrega, dedicação. Sendo que são abordagens diferentes. Fazer cinema, também depende, mas normalmente pode-se dedicar mais tempo, há um aprofundamento dos personagens e do guião.

Sou fascinada por cinema, mas tenho feito sempre muito teatro. Aliás, desde cedo que comecei a fazer teatro e, felizmente, não parei. Todos os anos tenho feito. E televisão também tenho feito, obviamente, e quero continuar a fazer. Mas se eu utopicamente pudesse escolher, obviamente que cinema. Não é à toa que se diz que é a sétima arte.

Não sei se dá para fazer esse caminho só de cinema, certamente que há atores que, se calhar, conseguem, mas somos um país muito pequenino. Vamos ver o que o futuro me reserva e que personagens é que veem ao meu encontro. Seja em teatro, televisão ou cinema, aqui estou eu pronta para eles, espero. 

Sente que o público português já tem uma maior ‘aderência’ ao cinema nacional?

Acho que cada vez há mais. Claro que há sempre filmes que são mais virados para o público e outros que não são tanto virados para o grande público. Há muitos filmes que temos maravilhosos que seguem os circuitos dos festivais internacionais e cá não têm uma receção tão grande. Mas aquilo que vejo é que, de facto, o público português está cada vez com mais hábito de ver coisas nossas. Por exemplo, mesmo agora o filme da ‘Maluda’, estamos a falar na RTP2, tivemos uma audiência de 92 mil pessoas a ver. É uma audiência muito boa para um filme que estava na RTP2, e mostra que o público português tem interesse em ver e tem interesse em ver coisas em português, e sobre figuras nossas.

Apesar de agora com a pandemia e com todas as circunstâncias mundiais, o cinema teve um desfalco grande a nível de público, mas, mesmo assim, acho que estamos a fazer boas salas.

Houve uma altura em que houve uma grande dificuldade de o grande público perceber que éramos duas. Acabou por ser mais difícil para mim, mas foi uma questão de continuar em frente 

Também fez uma participação na novela ‘Festa é Festa’…

Fui convidada para entrar em alguns episódios do ‘Festa é Festa’, e aquilo é um mundo à parte. Como eles disseram na altura, é como se fosse a aldeia do Asterix. (risos) A minha personagem é tão maravilhosa porque ela é uma dondoca armada em fina. Diverti-me muito a fazer, a equipa do ‘Festa é Festa’, eles já estão muito avançados, já têm as personagens muito bem construídas. Surgiu também a hipótese da minha personagem voltar, vamos ver o que é que o futuro reserva. 

Ter uma carreira nas artes em Portugal e ter uma irmã gémea que seguiu o mesmo caminho, acaba por prejudicar? 

Não sei como será de outra forma, sempre foi assim. No meu caso, houve uma altura em que houve uma grande dificuldade de o grande público perceber que éramos duas. Ainda hoje existe uma grande dificuldade. O que prejudicou, por um lado, porque as pessoas não sabiam que eu existia. Quando estreou o filme ‘Bairro’, fui à estreia e houve uma notícia que saiu com a minha fotografia que dizia: “Anabela Moreira vai ver o trabalho dos seus colegas”. Nem era Anabela Moreira vai ver o trabalho da sua irmã. Nada! Aí percebi que tinha um grave problema para resolver. (risos) Mas isto é só um exemplo. 

Se eu e a minha irmã fossemos pessoas que mostrássemos muito o nosso lado privado, fossemos aquelas figuras como outras – que não tem nada de mal – que abrem as portas de sua casa, falam da sua vida privada, íntima, se calhar, mais rapidamente o público percebia que há duas. Como somos pessoas mais reservadas da nossa vida mais íntima, também houve mais essa dificuldade em perceberem que somos duas. 

Ainda por cima, a Anabela também foi para Psicologia mas houve uma altura em que quis ir para a Escola de Atores e acabou por desistir do curso. Mas eu quis honrar porque os meus pais fizeram um grande investimento e quis terminar o curso. Então meti na minha cabeça que tinha que acabar primeiro o curso e depois é que iria seguir o resto. Portanto, a minha irmã acabou por começar a trabalhar primeiro profissionalmente e começou a ter mais visibilidade do que eu - que ainda estava a acabar o curso. Mas depois cada uma seguiu, e temos seguido a nossa vida profissional que de vez em quando nos tem juntado.

Acabou por ser mais difícil para mim, mas foi uma questão de continuar em frente e de continuar a fazer o que gosto de fazer. Acho que o próprio futuro e a vida encarregam-se que as coisas cheguem ao seu caminho normal. 

A psicologia foi uma ferramenta muito útil

Há muitos artistas que devido à instabilidade da profissão têm um plano B. A Margarida tem o seu plano B? 

Não tenho nenhum plano B. A Psicologia podia ser um plano B, mas muito rapidamente, quando estive a estagiar, percebi que é muito pesado. Na altura fui estagiar para o Centro de Saúde da Costa da Caparica e por mais que seja uma atividade fascinante, não dava, para mim, conciliar com a vida de atriz. É um trabalho muito absorvente. Se calhar, na altura levei com casos mais pesados, com casos complicados. Felizmente, até hoje tenho conseguido. Claro que é um caminho de muito ganhar para depois guardar. Mas, felizmente, tenho seguido o meu caminho e tenho conseguido, de alguma forma, ir vivendo.

Do curso de psicologia, que ferramentas é que foram essenciais para a sua profissão de atriz?

Acho que todas. Acho que dá para ter uma compreensão muito diferente. Os personagens são pessoas, são almas, seres que estão à espera que nós os interpretemos. Portanto, a psicologia deu-me conhecimentos, maneiras de interpretar determinadas coisas. Visões diferentes sobre as personagens. Tudo o que possa contribuir para haver um aprofundamento é uma ferramenta válida e a psicologia permitiu isso, perceber de onde é que as coisas surgem…

Todos temos um mundo dentro de nós que nos leva a agir da maneira como agimos, e se nós conseguirmos perceber o que se passou com aquela personagem ajuda-nos também a termos uma ligação. Temos que nos pôr no lugar do outro, mas as personagens passam pelo nosso corpo, pelas nossas emoções, pela nossa imaginação. A psicologia foi uma ferramenta muito útil. Como tudo na vida, acaba por ser algo que temos dentro de nós que nos ajuda a chegar não sei se mais longe, mas a chegar lá de outra forma.

Na parte da instabilidade da profissão de atriz, a Psicologia pode ajudar a não estar tão ansiosa, por exemplo?

Acho que o facto de compreendermos psicologia não quer dizer que a gente se trate. Não é por aí. Aliás, os bons terapeutas têm de fazer terapia. A mim não me ajuda em nada na minha ansiedade.

Na minha ideia, sempre imaginei que ao ser mãe teria que me dedicar de alma e coração ao novo ser

Então não lhe deu nenhuma ferramenta nesse sentido?

Não, no sentido em que a psicologia leva-nos a compreender a parte psíquica e emocional do ser humano. As ferramentas para eu tratar a minha ansiedade ou de onde é que ela vem, teria que ser com um profissional. Acho que as maiores ferramentas que podemos ter, ou que tenho tido, é que, obviamente, que tenho esse conhecimento que me ajuda, não vou dizer que não. Mas a própria vida, o avançar da idade vai ajudando a aceitarmos quem somos.

Ou seja, quando a pessoa está mais ansiosa, nós sabemos que isso faz parte, que são fenómenos normais e que vamos aprendendo a lidar com eles – a não ser que seja uma coisa patológica e aí as pessoas devem procurar ajuda específica. Mas quando é uma ansiedade que acho que todos temos, passamos por fases mais complicadas ou de medos ou de angustias… Quer dizer, nós somos um universo e acho que aí é sabermos aceitar e saber que somos assim, e que vai passar. Até hoje, tudo o que aconteceu acaba por se resolver.

Hoje sei que sou muito mais ponderada, ou aceito quando fico mais ansiosa porque sei que depois as coisas vão ao sítio. Acabo por ter mais calma, mas acho que isso tem a ver mais com o crescimento interior do que propriamente ter aprendido psicologia.

Tem vontade de ser mãe, mas essa vontade tem vindo a ser adiada… Porque é que isso acontece, sente que pode perder oportunidades?

Não era aquelas crianças ou meninas que tinham o sonho de casar e ser mãe, mas para mim era um dado adquirido. Vamos avançando, trabalhando e fazendo a nossa vida até ao ponto em que pensamos: espera, então e agora? É uma coisa que desejo.

Na sociedade atual, as mulheres engravidam, estão nove meses e depois quando se tem um filho é uma responsabilidade para o resto da vida. Há mulheres que o fazem - não estou a criticar, atenção - porque têm de continuar a sua vida profissional e acabam por deixar o bebé aos cuidados de creches desde muito cedo. Na minha ideia, sempre imaginei que ao ser mãe teria que me dedicar de alma e coração ao novo ser. Teria que ter esse espaço, então, naturalmente, vais adiando. Mas sim, não é fácil para as mulheres conseguir dedicar a mesma atenção a um lado e a outro.

Se pudesse olhar para um futuro mais próximo, o que gostava de ver?

Não faço grandes projeções do futuro. Existem alguns desejos que tenho, sim, mas, acima de tudo, e pode parecer também um bocadinho cliché, aquilo que desejo é que as pessoas à minha volta, da minha família, tenham saúde e ter as pessoas que amo perto de mim. A pandemia e tudo aquilo que nos aconteceu também veio mostrar quais é que são as prioridades. E, obviamente, não posso mentir, desejar que venham novos desafios bons na minha direção.

Agora que este ano está a acabar, o que retira deste 2021?

Foi um ano muito bom, fiz alguns trabalhos muito interessantes. Não sei, acho que não consigo ainda estar a analisar o ano que passou. (risos) Mas, pelo menos, termino o ano com o coração aquecido por causa do projeto ‘Maluda’ e de outras coisas. Foi um ano com um balanço bastante positivo.

Leia Também: "É uma profissão em que colecionamos muitos mais 'não' do que 'sim'"

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