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"Não vivo de críticas, vivo de prazer, fui amada pelos meus seis maridos"

Dona de uma vida preenchida, cheia de grandes experiências e momentos felizes, Cláudia Jacques conta-nos a sua história em entrevista ao Fama Ao Minuto.

"Não vivo de críticas, vivo de prazer, fui amada pelos meus seis maridos"

Foi pedida em casamento 10 vezes, passou por cinco divórcios e casou-se pela sexta vez recentemente, Cláudia Jacques assume-se como uma mulher de paixões fortes, prática, pragmática e bem resolvida. Nunca foi infeliz, garante, nem manteve um casamento por dinheiro, sem amor ou no qual não acreditasse.

Mas não só no campo amoroso é uma mulher realizada. Fez sucesso como modelo desde muito nova, entrou em séries de televisão, tornou-se empresária e mais tarde uma das relações públicas mais famosas entre as celebridades portuguesas.

Há experiências sem fim no 'livro' da vida de Cláudia Jacques, que hoje nos conta a sua história em entrevista ao Fama Ao Minuto.

Quando a Cláudia se torna modelo, ainda muito nova, estava a concretizar um sonho antigo?

Nunca foi um objetivo de vida. Não tinha sonhado ser modelo, nem batalhei por isso, essa situação veio até mim. Tinha 17 anos e estava numa discoteca aqui no Porto quando um fotógrafo me perguntou se gostaria de fazer um ensaio como modelo, ele fotografava para várias marcas e procurava caras novas. Confesso que fiquei de pé atrás, mas estava com outra amiga a quem ele disse a mesma coisa. Olhámos uma para a outra e decidimos ir. A partir daí foi sempre, sempre a fotografar. Até que aos 18 anos resolvi tirar um curso com uma modelo que era muito famosa e muito respeitada aqui no Porto, a mãe do Rodrigo Guedes de Carvalho, a Laura Maria. 

Foi com esse curso que tudo começou?

Quando faço o curso da Laura Maria, ela acabou por eleger-me como 'a preferida'. Não sendo muito alta, naquela altura também não era preciso, ela apostou muito em mim. Pouco depois ela retirou-se das passarelas e colocou-me a mim no lugar dela, o que foi um susto muito grande. Era muito difícil estar ao nível de uma pessoa que tinha anos de experiência. Foi assustador, mas confiei nela e a partir daí nunca mais parei durante uma série de anos.

Quando cheguei ao Porto estive triste durante muito tempo. Chorei muito, não conseguia adaptar-meA mundo da moda naquela época era muito diferente do que se vive hoje?

Era tudo completamente diferente. Quando comecei ainda nem havia nenhuma agência de modelos aqui no Porto. Fazíamos aquilo que hoje não se faz, às vezes estávamos três semanas seguidas, dia e noite, em showrooms de empresas. Tínhamos de fazer o desfile da coleção inteira para cada cliente que entrasse, andávamos quilómetros em cima das passarelas. Trabalhávamos muito, havia muito trabalho. 

A Cláudia vem de uma família muito tradicional, como reagiram os seus pais a este início de carreira?

O meu pai foi contra desde o início. A minha mãe e a minha avó acharam que não tinha mal nenhum e foram elas que me pagaram o curso contra a vontade do meu pai. Disse sempre que não ia descurar a faculdade em detrimento da moda, o certo é que fiz exatamente o que disse. Fiz sempre tudo direitinho. 

A adolescência passada no Brasil ajudou a que Cláudia tivesse uma liberdade maior?

Sim, aí houve uma abertura grande de mentalidades. Não foi muito tempo, fui com 13 e voltei com 16, mas foi um período crucial na minha vida. Sair de um Portugal muito cinzentão naquele pós 25 de abril, de uma mentalidade muito fechada, e ir parar ao Rio de Janeiro, onde se vivia totalmente o aposto, é como sair da escuridão para a luz. Adaptei-me muito bem ao Brasil, rapidamente estava enturmada. Achei que ia ficar no Rio de Janeiro para sempre e estava feliz, mas o meu pai achou que devíamos voltar, tinha receio de dividir a família se começássemos a namorar e a casar, e a verdade é que fui pedida em casamento no Rio de Janeiro.

Então, o regresso foi doloroso?

Foi um desgosto imenso para mim, era como regredir. Quando cheguei ao Porto estive triste durante muito tempo. Chorei muito, não conseguia adaptar-me a isto, eu já estava mais à frente, estava com uma forma de viver e pensar muito diferente. Foi muito duro o regresso.

A moda acabou por dar um empurrãozinho para voltar a sorrir?

Ajudou bastante a reintegrar-me. Deu-me um grande alento, foi uma grande novidade na minha vida que depois me conectou melhor aqui ao Porto.

No início foi muito difícil. Senti por parte dos atores, sobretudo das mulheres, uma barreira grande contra mim. Olhavam para mim de altoComo surgem depois as relações públicas na sua vida?

Surgiram bastante mais tarde. Fiquei ligada à moda uma série de anos, além de ser modelo trabalhei com uma marca francesa, na conceção da coleção, passei a viajar com eles pelo mundo fora. Mais tarde juntei-me a uma amiga e montei uma empresa de representação de marcas. Abrandei os desfiles e tornei-me empresária na área da moda, fiz isso durante uns anos, até ter o desgosto de descobrir que esta minha amiga afinal era muito falsa. Depois disso resolvi colocar um ponto final na empresa.

Mais tarde, já eu tinha perto de 40 anos, o Batata Cerqueira Gomes que fazia muitos eventos e na altura tinha uma discoteca muito conhecida aqui no Porto, a Twins, convidou-me para trabalhar como relações publicas na área VIP. Eu fui e tudo começou por aí, a partir daí foi sempre sem parar. 

Tendo a sua carreira como modelo começado muito nova e ganhando depois ainda mais notoriedade como relações públicas, sempre lidou bem com a exposição pública?

Na altura como modelo apareci em muitas revistas. Não pensei inicialmente na exposição, mas a verdade é que o facto de, por exemplo, trabalhar como modelo em programas da RTP proporcionou que surgissem convites para outras coisas. Consegui lidar bem com a exposição mediática porque não ligo muito a certas coisas, não me deixo abater facilmente. Aconteceram várias coisas na minha vida que me colocaram à prova, fizeram-me crescer e fizeram-me criar força interior, tais como a transição para o Brasil, ter sido colocada num lugar de destaque no início da carreira como modelo e depois o facto de me ter sentido excluída quando fui convidada para fazer uma série de televisão. Aprendi a lidar com as coisas com mais frontalidade e sem medos.

O que é que se passou ao certo nessa série da RTP da qual fez parte?

Fui escolhida quando ainda trabalhava como modelo para fazer uma nova série na RTP. Fiquei em pânico, mas acabaram por me convencer e experimentei. No início foi muito difícil. Senti por parte dos atores, sobretudo das outras mulheres, uma barreira grande contra mim. Sentia que olhavam para mim de alto, esta aqui nem tem formação, nem devia aqui estar. Senti-me extremamente mal, a ponto de querer desistir, e depois um dos atores, o Mário Moutinho, percebeu a situação, acolheu-me, protegeu-me e deu-me alguns conselhos. Continuei, fiz a série toda e lentamente fui sendo aceite por todos, acabaram por deixar de me excluir. Depois ainda fizeram a série 'Os Andrades' e voltaram a chamar-me.

É o meu sexto marido. Também na área das relações tenho uma vida muito preenchida e intensaTem pena de não ter seguido a área da representação de uma forma mais séria?

Voltei mais recentemente a ter uma experiência na área da representação que também gostei muito. Há uns 10 anos, um jovem realizador, Carlos Costa, convidou-me para ser atriz principal numa longa-metragem. Agradeci o convite mas disse que não me sentia a altura. Era um filme sobre violência domestica, 'A Parede'. O realizador lá conseguiu convencer-me, e o ator principal era o António Capelo, com quem já tinha trabalhado, isso ajudou. Arrisquei e fiz o filme, e o certo é que adorei. Correu tão bem que já recebeu uma série de prémios e até já fui com o Carlos Costa a festivais de cinema, em Marrocos e na Índia.

Deixo a vida fluir e o que vier ter comigo vejo se me identifico ou não, desta forma vou recolhendo uma série de experiências em diferentes áreas.

Recentemente viveu um verdadeiro conto de fadas com o seu sexto casamento, com Belmiro Costa.

Verdade, é um conto de fadas mesmo. É o meu sexto marido e eu sou a terceira mulher do Belmiro. Também nesta área das relações tenho uma vida muito preenchida e muito intensa, como em tudo. Realmente, a minha vida é muito de tudo… Mas nunca fui atrás nem de nenhum marido, nem de nenhuma destas experiências. A vida tinha isto guardado para mim. 

Notícias ao Minuto Cláudia Jacques e Belmiro na primeira festa de casamento, no Douro© DR

Estávamos a 15 dias do casamento no Douro, a minha mãe estava super mal e infelizmente morreu na manhã seguinteA Cláudia e o Belmiro fizeram duas festas de casamento, uma no Douro e outra em Marraquexe, como surgiu a ideia de fazer duas festas?

Desde o inicio que disse ao Belmiro que preferia casar fora de Portugal, conheço tantas pessoas que ia ser muito complicado fazer uma lista. Teríamos de convidar centenas de pessoas, tínhamos de ser milionários para pagar uma festa dessas e alguém ia ficar aborrecido por não ter sido convidado. Decidimos que íamos casar em Marraquexe e quem quisesse ir teria de pagar a sua viagem, nós oferecíamos a festa. Poucas horas depois de fazer os convites, já tinha 40 pessoas confirmadas e muitas já com bilhetes de avião comprados e hotéis reservados. 

Como Marraquexe é um país muçulmano, sabíamos que lá faríamos apenas a troca de alianças e quando chegássemos íamos à conservatória e casávamos. E o meu melhor amigo sugeriu casarmos antes de ir para Marrocos. A nossa madrinha de casamento é dona de uma quinta no Douro e, por isso, decidimos fazer lá a celebração, um almoço de padrinhos. Acabaram depois por ser dois casamentos.

Notícias ao Minuto Cláudia Jacques e Belmiro na segunda festa de casamento, em Marraquexe© DR  

Mas a verdade é que nem tudo correu como planeado, não foi?

Em Marraquexe ao inicio tive muitas chatices. Estava tudo tratado quando de repente soube que entraram em confinamento e o hotel estava proibido de fazer bodas e casamentos com mais de 25 pessoas, a três semanas de irmos fiquei sem nada marcado. Estávamos a 15 dias do casamento no Douro, a minha mãe estava super mal e infelizmente morreu na manha seguinte. Fiquei de cabeça perdida, foi o pânico total. Foi desesperante, chorei muito, desesperei muito. Depois um amigo de Lisboa que tem amigos em Marraquexe e outro amigo que conheci lá ajudaram-me, acabou por ser maravilhoso, mas apenas com estas ajudas preciosas.

Este sexto marido parece que é o primeiroAo sexto casamento as emoções são diferentes?

No dia do casamento parecia que era o primeiro. Estava numa emoção terrível, terrível de boa. Não estava tão nervosa como o Belmiro, mas estava numa emoção e numa alegria que parecia mesmo que era o primeiro. E o Belmiro estava muito nervoso, emocionou-se, estávamos de facto a transbordar de felicidade. Sinto que este casamento parece que foi o primeiro. Foi o mais bonito de todos, sem dúvida. Foi lindo, tanto no Douro como em Marraquexe. Houve uma onda de amor e carinho muito bonita à nossa volta.

Acho que tenho um anjo da guarda muito potente que me tem proporcionado uma vida de sonho em todas as áreas. Olho para trás e vejo uma vida muito cheia, mas sou muito de viver no presente. O passado já não é meu e o presente é a única coisa que é minha.

Sempre tive divórcios muito rápidos, não complico nada. Foi tudo tão simples que nunca me deixou amarguradaO facto de os seus casamentos passados não terem resultado nunca a fez ter vontade de desistir de encontrar o amor?

Não, porque eles correram bem durante um tempo. Nunca cheguei a ser infeliz, há pessoas que deixam arrastar as situações muito tempo e acabam por viver anos das suas vidas infelizes até tomarem uma decisão e há outras que nunca a tomam. Sempre disse que quando as coisas começam a correr mal é melhor saber parar antes que o ódio se instale. Do amor ao odio é um passo. Quando as relações começam a não estar bem e as pessoas se mantêm ali, acabam por fazer mal uma à outra. As pessoas não tendo amor não têm paciência, há agressividade nas palavras, eu nunca cheguei a passar por isso porque soube sempre parar a tempo. Nunca cheguei a estar infeliz, tive só momentos de alguma tristeza, por isso nunca desacreditei do amor, nem das pessoas. 

Já fui pedida em casamento 10 vezes, acho maravilhoso que os homens quando estão comigo pensem em casamentoPara não desacreditar no amor, ajudou o facto de ter tido sempre divórcios pouco 'complicados'?

Sempre tive divórcios muito simples e muito rápidos, não complico nada. Foi tudo tão simples e de uma forma tão limpa que nunca me deixou amargurada, nem azeda, nem com medo de nada. Não tenho medo de viver, viver é isto. 

Achou sempre que fazia sentido oficializar as suas relações?

Faz imenso sentido. Já fui pedida em casamento 10 vezes, acho maravilhoso que os homens quando estão comigo pensem em casamento, mostram seriedade. Casar e oficializar a relação mostra que estão de uma forma muito séria e por inteiro na relação. E eu acho isso maravilhoso.

Nunca a assustaram as críticas que poderiam surgir por parte das pessoas mais conservadoras?

Não vivo das críticas, vivo de prazer, vivo de momentos maravilhosos, vivo do carinho, fui amada por todos os meus maridos. Passei momentos lindos com cada um deles, tive duas filhas de dois deles. Tudo isso é a minha vida, as críticas não são a minha vida. A mim não me interessa o que os outros dizem ou pensam, não preciso da aprovação de ninguém. As pessoas que estão felizes e têm uma vida preenchida não perdem tempo a criticar a vida dos outros. Tenho pena de pessoas que criticam tudo e mais alguma coisa, porque são pessoas que não estão bem. Não estão felizes. 

O certo é que a minha vida é uma vida tão preenchida e tão feliz que não devem existir muitas pessoas com uma vida como a minha. E corro o risco de ser mais uma vez criticada pelo que acabei de dizer, mas é a verdade.

Há pessoas que permanecem em casamentos porque não querem descer o nível de vida, eu já tive de recomeçar do zero várias vezesE nunca se arrependeu de nenhum dos seus casamentos?

Não, nunca me arrependi. Todos tiveram o seu fundamento, o seu interesse. Se aconteceram na minha vida foi por alguma coisa. Todos tiveram um papel na minha vida.

Já me disse que nunca teve um divórcio complicado...

Nunca, nunca tive um divórcio de guerras, lutas, ataques, lutar por dinheiros. Nunca. Tudo o que é material é substituível, mas há uma coisa que não é substituível, é o meu carácter, a minha paz, a minha felicidade e a minha integridade. 

Independentemente dessa situação do passado que estilhaçou a minha vida, no tempo em que estive com ele foi ótimo maridoNem mesmo os divórcios dos pais das suas filhas, Mafalda e Carolina, filhas de Rui Barata e Pedro Ribeiro, foram mais complicados?

Houve quem dissesse que, por ser orgulhosa e deixar tudo, prejudicava as minhas filhas porque podia dar-lhes um nível de vida melhor. Podia, mas também lhes posso dar outra coisa melhor, mostrar-lhes de que forma podemos viver em paz e em felicidade.

Desde sempre juntei o meu pé de meia, comprei o meu apartamento, vim para aqui e prefiro deixar tudo com eles e estar naquilo que é meu. Há pessoas mais ambiciosas. Há pessoas que permanecem em casamentos porque não querem descer o nível de vida, eu já tive de recomeçar do zero várias vezes, custa muito, também já desesperei, já me vi perdida, mas são apenas momentos de desespero, logo depois acabo por limpar as lágrimas e vamos embora.

Eu não me estava a divorciar de ânimo leve, aquele passado dele era pesado demais para mimConseguiu olhar de forma positiva também para o fim do seu divórcio mais polémico, com Olivier da Silva? [O empresário, recorde-se, foi acusado de burla qualificada e branqueamento de capitais (em 2016, quando ainda era casado com Cláudia) e condenado no final de 2019 a uma pena suspensa de oito anos e meio]

Independentemente de ter essa situação do passado que eu desconhecia e que estilhaçou a minha vida na altura, no tempo em que estive com ele, foi ótimo marido, amava-me imenso, sentia-me completamente acarinhada e protegida. Ele disse-me, e eu compreendi, que não me contou as verdades do passado porque estava tentar resolvê-las e achou que o conseguiria fazer sem que se tornassem públicas. Acabou por não conseguir, mas é verdade que tentou. Perdoei-lhe não me ter contado, porque a verdade é que se me tivesse contado não tínhamos casado. Ele explicou os motivos, entendi e perdoei-o. Não tenho nenhuma mágoa dele.

Foi a Cláudia que tomou a decisão de pedir o divórcio?

Quando nos divorciámos ele não queria, porque gostava de mim, mas percebeu a minha decisão. Percebeu que me estava a prejudicar e que eu não me estava a divorciar de ânimo leve, era porque aquele passado dele era pesado demais para mim. 

Sendo a Cláudia uma mulher com uma vida tão completa e cheia de grandes experiências, o que é que ainda lhe falta fazer?

Já escrevi dois livros, já plantei árvores, tive a minha linha de joias, andei pelos vários canais de televisão, fui apresentadora de um programa no Porto Canal, escrevi letras de músicas, já viajei tanto. Já fiz um bocadinho de tudo, não há nada que sinta que me falta fazer. Já vivi tantas coisas que digo sempre que, no dia em que morrer, morro plena e feliz... Sinto-me completamente realizada.

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