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"Ninguém devia nascer com umas raízes tortas como eu nasci"

Com 75 anos de vida, 50 de carreira e ainda "tudo por fazer", Carlos Areia aceitou em entrevista ao Notícias ao Minuto 'abrir' o livro da sua vida.

"Ninguém devia nascer com umas raízes tortas como eu nasci"

A descontração de uma esplanada de café serviu de palco a uma conversa intimista e reveladora, onde Carlos Areia passou em revista as raízes da sua vida. 

Entre pausas para tirar fotografias com os fãs, que não deixaram de o abordar, o ator lembrou a infânia conturbada, contou-nos tudo sobre o início da sua carreira no teatro e sobre o que motivou a sua ausência no pequeno ecrã.

Ultrapassados os problemas financeiros que a falta de trabalho lhe trouxe, surge agora um novo desafio na sua carreira. Um projeto que o fez recuperar a alegria de viver, confessa agora em entrevista ao Notícias ao Minuto.

O Carlos lançou muito recentemente um livro intitulado ‘As Minhas Raízes’. Que raízes são estas de que fala nesta obra?

São as raízes que todos nós temos e que às vezes esquecemos. Já não digo o quem somos, mas todos devemos saber pelo menos de onde viemos. Saber quem é o meu pai, quem é a minha avó, o meu avô, e depois desenrolar tudo isso até aos dias de hoje.

E quem é o Carlos Areia?

Eu sou o produto disso tudo, aliás como eu digo no meu livro, citando uma frase do poeta popular Manuel Aleixo: ‘Não sou esperto nem bruto, nem bem nem mal educado, sou apenas o produto do meio onde fui criado’. Eu sou isso, com tudo o que isso tem de bom ou menos bom.

Acho que ninguém devia nascer com umas raízes tortas como eu nasci Foi difícil para si construir raízes boas, sólidas, mesmo tendo vivido uma infância marcada pela morte da sua mãe, a ausência do seu pai e as dificuldades financeiras e emocionais de quem passava na rua grande parte do seu tempo?

Brincando um bocadinho, às vezes não se regam bem as raízes e elas apodrecem. Não é o meu caso. Eu fui fruto dessas raízes, mas não fui eu que escolhi, como ninguém escolhe. Tive foi de aprender a viver com tudo o que essas raízes me deram. Tive de criar as minhas próprias armas. Nascemos das raízes dos outros, mas ao longo da vida acabamos por criar nas nossas próprias raízes.

Costumo dizer, em tom de brincadeira, que só não me droguei porque na altura não havia drogaE como é que aos 75 anos se olha para esse passado, para essas raízes menos boas.

Olho com alguma tristeza, mas também com muito orgulho. Tristeza porque acho que ninguém devia nascer com umas raízes tortas como eu nasci, mas com orgulho de ter conseguido alguma coisa ao longo da vida mesmo tendo nascido dessas raízes. E depois há um misto de emoções. Vaidoso, há um bocado de vaidade… porque não?

Foi difícil não se perder?

Foi sorte. Não estava preparado para a vida. Acho que vivi ao correr das coisas, aconteceram-me coisas menos boas, mas podiam ter acontecido bem piores. Podia ter-me perdido, não tenho dúvidas. Costumo dizer, em tom de brincadeira, que só não me droguei porque na altura não havia droga, pelo menos que eu soubesse. Havia, mas em outros patamares sociais. Se não fosse isso, se calhar, até teria ido por aí da maneira como vivi.

No meio de uma vida tão intensa não lhe faltaram profissões. Foi talhante, mecânico...

Tive muitas mesmo. Faltam metade no livro.

E a representação, como surge esta paixão?

A representação surge muito cedo, surge para aí com 15 anos. Eu vivia aqui perto, no Alto de Santo Amaro, e existia uma coletividade onde se praticava teatro, acho que fui ‘chamado’ por aí. Comecei por brincar aos teatros e ganhei o gosto. Lembro-me de com 16 anos pensar que gostaria de viver do teatro e para o teatro, mas nunca imaginei que seria possível. Mas lá está, como em tudo na minha vida, deixei-me ir. Fui tendo várias experiências até que se tornou sério.

Quando surgiu a oportunidade mais a sério, aquela que o tornou ator para toda a vida?

Fui mecânico muitos anos, trabalhei muito na ferrugem e adorei, mas depois passei a empregado de escritório na Sociedade Portuguesa de Autores. Aí, como lidava com pessoas ligadas ao teatro, comecei realmente a pensar seriamente em deixar o trabalho de datilógrafo e ir de vez para o teatro. E assim foi, acho que estive para aí nove anos na Sociedade Portuguesa de Autores até que um dia comecei a ensaiar no Teatro ABC. Não conseguia conciliar os ensaios com o trabalho, então abdiquei do trabalho e fui para o teatro. Foi assim.

O seu pai ou a sua avó chegaram a vê-lo em palco?

O meu pai sim, a minha avó não. Eu estreei-me em 1980 e a minha avó faleceu em 1964. O meu pai sim, veio pelo menos uma vez.

Acha que ele teve a perceção do seu talento? Mostrou-se orgulhoso de o ver em palco?

Não. Aquilo de que o meu pai gostava em termos de cultura era de ranchos folclóricos. As minhas irmãs dançavam e ele acompanhava. Nunca chegámos a falar sobre isso. Para ele: ‘ok, o meu filho está no teatro, vou lá vê-lo. Pronto, foi giro. Até amanhã’. Nunca deu muita importância.

Os pais diziam sempre: eu quero é que o meu filho seja feliz. Eu também pensei assim, mas tinha a certeza de que se [as minhas filhas] viessem para o teatro seriam felizes

Mas já as suas irmãs são verdadeiras fãs do seu trabalho.

São! Elas sempre foram desde o primeiro dia. São as minhas primeiras fãs. Quando elas não forem... Ainda hoje me vão ver a qualquer lado.

O facto de o vosso reencontro ter sido tardio, de se terem conhecido já em idade adulta, não abalou em nada a vossa relação?

Nada, pelo contrário. Lá está, no meio de estas coisas más, nascem coisas muito boas. Acho que a nossa relação tornou-se mais forte, mais verdadeira. Sem dúvida que foi.

Não fui bom pai porque não fui filho, fui o chamado filho da mãe E nas suas filhas, que raízes acha que conseguiu plantar?

A raiz do teatro consegui certamente. Às vezes perguntavam aos pais se gostavam que os filhos fossem atores. Os pais diziam sempre: eu quero é que o meu filho seja feliz. Eu também pensei assim, mas tinha a certeza de que se viessem para o teatro seriam felizes na certa. A minha Dulce ainda andou no teatro, ainda dançou e representou comigo. A minha Cristina [Areia] não estava muito virada para aí, estava numa fase hippie. Ia visitar-me às vezes, mas não ligava muito. Até que um dia o Octávio Matos tinha um espetáculo nos Açores e falhou alguém. Como a minha filha já tinha visto o espetáculo do Octávio, ele pediu-lhe para participar. E não é que a minha filha foi fazer o espetáculo e depois disso nunca mais largou o teatro? Até que as duas encontraram um emprego à séria. A minha Dulce tem um emprego à séria, e a Cristina agora também tem. 

Disse numa entrevista há uns tempos que achava que não tinha sido bom pai. Isso é uma questão já resolvida interiormente?

Resolvido está sempre. Não tenho essa carga, eu também sei porque é que não fui bom pai. Não fui bom pai porque não fui filho, fui o chamado filho da mãe. Não me sinto culpado de não ter sido bom pai, de não ter dado acompanhamento, atenção, tudo aquilo de que um filho precisa, porque eu também não fui um filho que bebesse dessas raízes. Sei que fiz tudo o que estava ao meu alcance, dentro das minhas possibilidades. Agora, quando digo que não fui um bom pai, acho que se calhar é um exagero. Poderia ter sido melhor pai, mas não tinha como.

Custa-me por um lado que ela esteja longe, por outro lado fico muito contente porque ela está muito bem Acha que, de alguma forma, já conseguiu compensar as suas filhas pelas suas ‘falhas’?

Sim, tenho feito algumas compensações. Mesmo agora, tenho tentado compensar de outra maneira, a atenção, bens materiais… sei lá. Tenho tentado compensar e acho que tenho conseguido, pelo menos na versão delas. Elas dizem que eu sou o melhor pai do mundo, mas são um bocadinho mentirosas.

A Cristina Areia teve ainda uma carreira repleta de grandes papéis enquanto atriz. Foi difícil, enquanto pai, ver que o talento dela acabou por não ser reconhecido?

Isso era comum a todos. Todos os atores passavam por isso, a mim doía-me mais por ser a minha filha, como é óbvio. Saber que ela tinha qualidades, e tem ainda, e que não era aproveitada. Mas não era só ela, éramos muitos. Ela decidiu e bem abandonar isso e foi o melhor que lhe aconteceu.

Ter sentido na pele, na sua e da sua filha, a falta de oportunidades. Ver que a Cristina teve de sair do país, como já referiu, e abandonar a carreira de atriz para conseguir ter uma vida melhor causa-lhe revolta?

Não, não ando eternamente revoltado. Por vezes revolta-me algumas coisas que vejo e que oiço, mas fico é triste. Fico muito triste. Infelizmente não é só comigo, é com uma classe e também não é só no teatro que isto acontece. Há aí muita gente mal aproveitada. 

Se a pessoa responsável por criar o elenco de uma novela tiver de escolher entre um amigo ou um ator talentoso, essa pessoa vai escolher o amigoE a saudade? Como lida com o facto de estar longe da sua filha?

Deve ser mais difícil para ela. Eu aqui tenho muita gente que me distrai, ela lá está sozinha. Às vezes tem lá a filha, mas deve ser muito, muito, muito difícil para ela. Vou tentando abstrair-me um pouco disso, mas custa-me. Custa-me por um lado que ela esteja longe, por outro lado fico muito contente porque ela está muito bem. Isso vem colmatar aquilo que eu possa sentir.

No seu caso em particular, e falando do teatro, o que está na origem dessa falta de oportunidades?

Grupos de influências, não se dar valor a quem tem valor. Protegem-se os amigos e a família independentemente do talento ou do valor que a pessoa possa ter. Vou dar um exemplo: fala-se muito nas novelas, que é trabalho de maior exposição e onde se consegue ter um cachet mais alto. Se a pessoa responsável por criar o elenco de uma novela tiver de escolher entre um amigo ou um ator talentoso, essa pessoa vai escolher o amigo. O talento agora não conta. São os chamados lobbys.

Acha que no seu caso também influenciou o facto de não ser presença constante em festas e eventos do social?

Sim, é outra coisa que também influencia muito. É importante jantar com eles, passear com eles, sair à noite com eles. É bom, eu acho que as pessoas devem conviver, mas é por aí que se criam elencos e grupos. Eu não saio muito. Aliás, não saio nada. Vou onde tenho de ir quando são eventos que interessam ao meu trabalho diretamente, mas não vou muito à festa do croquete. 

Um ator não precisa de dinheiro, um ator sente-se bem quando está a trabalhar, independentemente do cachet Há muitos atores e pouco trabalho ou falta de vontade em inserir novos nomes?

Há uma abertura grande. Aparece muita gente muito nova e com talento e formação, que é uma coisa que no meu tempo não havia. 90% das pessoas novas que aparecem no teatro têm formação, se têm talento ou não, não discuto. Depois ou vão lá por gosto e aí conseguem alguma coisa ou então se é só para aparecer nas capas das revistas aparecem naquele ano e desaparecem no ano a seguir. Como já aconteceu com muitos.

O que é que mudou no teatro desde que começou há 50 anos?

Não mudou nada. Continuam com os mesmo vícios, os mesmos interesses. Talvez tenha mudado algum reportório. Mas o teatro não tem de mudar, quem tem de mudar são as mentalidades. A educação.

Eu estar rotulado como cómico é porque é uma área em que eu me sinto bem e faço bem, mas não quer dizer que eu não faça outro tipo de trabalhosHá dois anos tornou públicas as dificuldades financeiras que atravessava devido à falta de trabalho na sua área. É uma fase já ultrapassada?

Felizmente, muito bem ultrapassada. Acho que todos nós passamos por isso, em qualquer profissão. Só que nós atores, como é o meu caso, estamos mais expostos e isso faz mais mossa, torna-se uma coisa gigantesca. Mas não é! Depois servem-se disso para dar um cariz dramático à coisa. Existem dificuldades entre os atores e em todas as profissões. Nos atores realmente é falta de trabalho. Um ator não precisa de dinheiro, um ator sente-se bem quando está a trabalhar, independentemente do cachet. Eu, a minha mulher e outros atores temos uma produtora há cinco anos que não ganha um tostão, não tem lucro, muitas das vezes nem dá para o gasóleo, mas nós não desistimos. Continuamos porque gostamos daquilo que fazemos. Não conseguimos viver disso, o dinheiro serve apenas para pagar as despesas, temos de fazer outros trabalhos, de fazer televisão, para conseguirmos viver, mas não é só comigo.

Acha que de alguma forma ficou rotulado aos papéis de comédia e que isso acabou por reduzir a possibilidade de fazer outros trabalhos?

Estupidamente, porque os atores que fizeram escola comigo na revista são tão ou melhor preparados do que os outros atores que fazem a escola do chamado teatro sério. Nós temos uma preparação nas tábuas, temos alguma teoria mas somos mais pela prática. Há outros atores que têm grandes teorias, mas isso depois na representação cria também vícios. Esses atores de um teatro mais elitista também tem os seus vícios. Eu estar rotulado como cómico é porque é uma área em que eu me sinto bem e faço bem, mas não quer dizer que eu não faça outro tipo de trabalhos. Aliás, estou a fazer agora na novela 'Nazaré'. Acharam que eu tinha capacidade para fazer aquele trabalho e estou a sentir-me muito bem. Não estou a fazer as chamadas palhaçadas é um desafio. Nós atores estamos constantemente a ser postos à prova e esta é mais uma prova na minha carreira.

 Um cachet faz muita falta, temos de pagar a renda, temos de comer, mas sentir o carinho do público é melhor que um cachetNestes 50 anos de carreira qual o papel mais marcante?

Tive muitos. Para mim tudo conta, tudo foi importante. Ter feito uma coisa que ninguém gostava que se chamava ‘Malucos do Riso’, escrevi, dirigi, entrei. Foi uma universidade, foi uma grande formação. O ter feito ‘Maldita Cocaína’ com o [Filipe] La Féria. O ter feito o ‘Anjo Selvagem’ durante três anos. Ter feito revista. Até o teatro absurdo experimentei. Tudo isso me serviu de formação. O ‘Nós os Ricos’ também foi especial. Para mim marcou-me tudo, mas o público lembra muito o personagem ‘quero ir para a ilha’, de ‘Maré Alta’, da SIC. Ainda hoje me falam nisso, como falam no ‘Nós os Ricos’, nos ‘Malucos do Riso’, são coisas que marcaram. De uma certa maneira marcaram o público e a mim também.

Foram papéis que o fizeram atravessar várias gerações.

É verdade. Nem sabia que os ‘Morangos com Açúcar’ estavam agora a passar novamente, so percebi porque há uma série de crianças e jovens a abordarem-me a rua. A malta no teatro costuma dizer, os primeiros vinte anos é que são difíceis.

E nas fases mais difíceis que já ultrapassou, o carinho do público fez-se sentir?

Fez e é o melhor, às vezes vale mais que um cachet. Um cachet faz muita falta, temos de pagar a renda, temos de comer, mas sentir o carinho do público é melhor que um cachet.

Já vão quase 12 anos e valeu, está a valer. E se um dia tivermos de acabar com esta relação, acabamos com consciência e com a certeza de que valeu a pena Quando entrevistei a Rosa Bela, ela disse-me que ao início ligava muito aos comentários negativos relativos ao facto de vocês terem 48 anos de diferença de idades, mas depois começou a achar que “não valia a pena” e que “não poderia estar a construir alguma coisa sobre a opinião dos outros”. E o Carlos, consegue passar ao lado desses comentários?

Completamente. Há coisas às vezes que fazem mossa e, confesso, vou-me abaixo, mas depois arrumo os assuntos e esqueço completamente.

Muito se falou inicialmente sobre a vossa relação...

Oh, livra.

Muito por causa da diferença de idades e pela forma conturbada como tudo começou. Alguma vez chegou a ponderar que algum dos comentários maldosos que ouvia poderia estar certo?

Não, não. Não houve nada. O que acontece nestas relações com diferenças de idades é que acusam logo a mulher: ‘Não, ela está com o velho porque pensa que tem dinheiro’. Mas não, não houve nada que me dissesse: se calhar, é verdade. Ou quando diziam assim: daqui a um ano ou dois ela pira-se. Isso até acontece com qualquer casal. Vale enquanto dura. Já vão quase 12 anos e valeu, está a valer. E se um dia tivermos de acabar com esta relação, acabamos com consciência e com a certeza de que valeu a pena.

O que é que a vossa relação tem de especial?

Talvez a amizade. A amizade que nos une, é capaz de ser isso. Mas isso só se vai perceber daqui a uns anos. Para já, penso que é o respeito e a admiração que temos um pelo outro.

A única coisa que eu sinto é que todos os dias me dói qualquer coisa, de resto vivo bem com a idade que tenho Numa entrevista recente ao nosso site, Eduardo Madeira referia-se à diferença de idades que tem com a mulher, Joana Machado Madeira, dizendo que a Joana lhe trazia jovialidade e energia. Partilha desta opinião?

Sem dúvida nenhuma. A mim e aos mais velhos é isso mesmo que acontece, o Eduardo tem toda a razão. Traz-nos jovialidade, traz-nos uma nova forma de ver as coisas. Nós com uma certa idade somos mais negativos, a malta nova tem outra visão da vida. Uma visão que eu também já tive, é uma visão mais cor-de-rosa e que me faz falta neste momento.

Aos 75 anos já sente o peso da idade ou sente-se ainda um jovem ?

Costumo dizer por brincadeira que há homens na minha idade que afirmam: ‘Estou melhor do que quando tinha 20 anos’. É um disparate, já estão com Alzheimer. A única coisa que eu sinto é que todos os dias me dói qualquer coisa, de resto vivo bem com a idade que tenho.

Para um ator que vive da imagem é difícil lidar com o envelhecimento?

Não. Depois há também o cuidado de dar ao ator ferramentas ou trabalho adequado à idade dele. Eu não estou mal, sinto-me bem. Podia estar melhor se fosse mais ativo, se fizesse ginástica. Não faço.

Senti um misto de emoções, felicidade, alívio… senti-me muito agradecido. Já agradeci muito ao Daniel [Oliveira]Mas envelhecer é algo que o assusta?

O único receio é a ferramenta que eu e todos os atores têm: a memória. Não tanto no teatro, no teatro temos tempo, mas numa novela vivemos do imediato. A memória é a nossa principal ferramenta. Tive algum receio, mas chegando a esta idade apercebi-me que a memória se mantém intacta. Está fresquinha.

O Carlos faz parte da nova novela da nova grande aposta da SIC, a novela ‘Nazaré’, que estreou esta segunda-feira. Ter sido escolhido para o elenco desta produção foi também uma aposta no seu talento?

E eles apostaram bem ou julgas que são parvos? Faço parte e estou ansioso. É a minha primeira novela na SIC, saí dos ‘Malucos do Riso’ e nunca mais voltei… até agora. Nunca tinha feito isto assim, normalmente começamos a gravar e ao fim de 20 episódios prontos começamos a ver na televisão e a partir daí vamos limando arestas. Aqui não, aqui vou gravar 180 episódios sem saber o feedback. É um risco, mas o Daniel Oliveira apostou neste projeto e tem toda a confiança no nosso trabalho.

 

Como recebeu este convite e o que é que ele significou para si?

A Rosa diz que nunca me viu tão feliz e realizado com um projeto televisivo como este, acho que isso diz tudo. Estava num restaurante em Cascais e em conversa a Rosa dizia-me que acreditava que eu faria parte da nova novela da SIC. Pouco depois liga a minha agente e confirma que eu estava no elenco. Senti um misto de emoções, felicidade, alívio… senti-me muito agradecido. Já agradeci muito ao Daniel [Oliveira]. Os anos de 2018 e 2019 foram muito bons. Foram dois filmes, a participação na novela ‘Alma e Coração’, o livro e agora esta novela. Estou outra pessoa, diz a minha mulher.

É uma nova fase?

É uma nova fase para mim e acho que também é uma nova fase da novela. É uma novela muito portuguesa, não tem aquele padrão brasileiro. Este projeto aborda problemas nossos e isso é um trunfo. Outro grande trunfo é o elenco, que tal como em ‘Golpe de Sorte’, junta atores que já não vemos há muito tempo e que dão um suporte de qualidade e de confiança aos mais novos.

Eu era um gajo estupidamente alegre, era irritantemente alegre E o sucesso da série ‘Golpe Sorte’ foi a prova de que esse é um trunfo que funciona.

Sim, aqui o Daniel [Oliveira] utilizou o mesmo sistema. Tem malta muito nova, e com talento, e tem malta muito velha, igualmente com talento, isso casa muito bem na história. Depois, tem um ambiente de trabalho excelente, um cuidado que já há muito tempo que eu não apanhava. Muito boa gente e grandes profissionais.

O que podemos desvendar para já sobre a sua personagem?

É uma pessoa normalíssima. Um reformado que tem uma reforma acima da média. Vive bem, foi mulherengo e agora tenta passar isso ao núcleo que o rodeia. Posso dizer também que vai viver um amor difícil. O resto é segredo.

O Carlos recuperou a alegria que dizia ter perdido?

Recuperei 'bué', como se diz agora, mas perdi muita. Eu era um gajo estupidamente alegre, era irritantemente alegre. Fui perdendo essa alegria, mas ganhei muito com a Rosa [a namorada]. E agora com este novo trabalho [a novela ‘Nazaré’] também.

Com 75 anos de vida e 50 de carreira, o que é que ainda está por fazer?

Tudo. É um legado comum, mas falta-me fazer tudo. E qualquer dia… fica tudo por fazer. Nós queremos sempre fazer mais, queremos fazer mais e melhor. Uma das coisas que eu queria fazer era escrever o livro para deixar para os meus netos, e escrevi. Está feito.

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