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"O 'Bo Tem Mel' foi muito importante para viragem na cultura musical"

Nelson Freitas não tem dúvidas de que existiu uma mudança na cultura musical dos portugueses. Os ritmos africanos passaram a fazer parte das preferências e as rádios renderam-se à nova tendência. E foi um dos seus temas de maior sucesso, 'Bo tem mel', um dos responsáveis por essa 'abertura'. Contudo, na sua opinião há ainda um longo caminho a percorrer.

Notícias ao Minuto

09:30 - 10/04/19 por Catarina Carvalho Ferreira 

Fama Nelson Freitas

Começou como dançarino, aventurou-se numa banda e só depois iniciou a sua carreira a solo. As origens cabo-verdianas e o facto de ter nascido na Holanda criaram-lhe uma identidade própria: "o estilo Nelson Freitas".

Aos 44 anos, o cantor é dono de uma carreira repleta de grandes sucessos. 'Bo Tem Mel', 'Essa Miúda é Linda' ou 'Break of Dawn' são apenas alguns exemplos.

Acabado de lançar um novo single e a preparar o seu regresso ao Coliseu de Lisboa, o cantor conversou com o Notícias ao Minuto para fazer um balanço do percurso feito até aqui e desvendar as surpresas que prepara para um futuro próximo. 

Antes de se lançar no mundo da música o Nelson Freitas dava cartas como dançarino de breakdance. É verdade?

Sim. Eu comecei como bailarino de breakdance. Foi mesmo isso.

Ainda mantém essa 'ginga' para a dança?

Não muito, neste momento é mais para cantar. Quando estou em palco tenho bailarinos, a dança já foi há muito tempo.

A certa altura a dança acabou por ficar para trás para dar lugar a uma nova paixão: a música. Como é que nasce esta paixão?

A paixão pela música esteve sempre presente. Passava muito tempo com a minha avó e com os meus tios, eles estiveram sempre envolvidos no mundo da música. Um era DJ, outro era produtor, outro também era bailarino. Eu estava sempre com eles e sempre a ver e a copiar o que estavam a fazer. Então, a música já vem da minha infância.

Saí do grupo a pensar: 'será que o público vai aceitar o Nelson Freitas a solo?'Sei que antes de começar a carreira a solo o Nelson fez parte de um grupo musical. Foi um passo importante para depois se lançar a solo?

Foi muito importante porque eu cresci no grupo. Começámos como brincadeira e tivemos sucesso logo de início. O sucesso traz experiência, no mundo da música e na parte de negócio também. Eu aprendi tudo ali. Fizemos quatro discos e depois quando eu decidi fazer o meu disco a solo já estava preparado para o mundo da música.

Quando decidiu avançar com uma carreira a solo quais eram os seus planos?

Não tinha grandes planos. Saí do grupo a pensar: 'será que o público vai aceitar o Nelson Freitas a solo?' Não estava muito seguro, não sabia.  Nunca sabes como é que o público vai reagir e depois como a reação foi positiva logo de início aí é que comecei a criar planos. Mas só um bom tempo depois de ter a carreira a solo é que achei que estava mesmo preparado para isto.

Como é que definiu o seu estilo musical?

Foi uma combinação de tudo. Em casa e na rua era muito R&B e hip-hop, na Holanda é muito o que se ouve na rua. Em casa com a minha mãe e a minha avó eram músicas de Cabo Verde. O meu tio era DJ e tocava zouk e kizomba. Com todas estas influências eu criei sem querer o meu estilo: Nelson Freitas.

E que estilo é esse?

Não sei se há uma definição para isso. Nota-se que tem ritmos de África, tem flow de R&B e hip-hop… é uma fusão, acho eu.

Essa fusão está também relacionada com o facto de o Nelson ter nascido na Holanda e os seus pais em Cabo Verde?

Sim, essa influência está mesmo dentro da minha música.

Sente-se mais holandês ou cabo-verdiano?

Cabo-verdiano. Apesar de em Cabo Verde eu me sentir um estrangeiro, mas na Holanda eu também não sou mesmo holandês holandês. Mas sinto-me cabo-verdiano.

Às vezes achas que estás a fazer uma música muito boa e que o público vai gostar muito, mas depois ninguém se interessa muito por ela e não tem o sucesso que esperavas E é por isso também que nas suas músicas junta muitas vezes o inglês e o crioulo?

Sim. O inglês é mais fácil para mim. O meu pai vive há vários anos nos EUA, eu tinha inglês na escola, na Holanda, falo mais inglês do que crioulo. Quando vou para Cabo Verde dá para perceber que não tenho grande vocabulário.

Misturar várias línguas num mesmo tema foi também uma forma de chegar a mais público?

Gosto de ter a mistura de várias línguas. Na altura em que comecei pode ter sido diferente, mas hoje em dia até já há várias pessoas a fazerem isso.

As pessoas já conheciam o Nelson Freitas, mas depois com o 'Bo Tem Mel' foi o 'boom' para Portugal inteiroEm Portugal foram as músicas ‘Bo Tem Mel’ e ‘Essa Miúda é Linda’ que mais o popularizaram entre o público. Esperava que estes temas tivessem tanto sucesso?

Não. Nunca estás à espera. Às vezes achas que estás a fazer uma música muito boa e que o público vai gostar muito, mas depois ninguém se interessa muito por ela e não tem o sucesso que esperavas. Normalmente, é quando não estás à espera que os temas têm mais sucesso. 'Bo Tem Mel' e 'Essa Miúda é Linda' são exemplos de músicas que eu não estava mesmo à espera e tiveram esse grande sucesso.

Passaram vários anos desde o lançamento destes temas, ainda assim as pessoas continuam a associa-lo muito a eles. Nos seus espetáculos é quase obrigatório que os cante. Isso incomoda-o?

Não, estes temas fazem parte da minha carreira. Eu quando vou a um concerto do Jay Z há músicas que eu quero ouvir, quero ouvir as músicas novas, mas quero sempre ouvir aquelas que me marcaram. O mesmo acontece com o meu público. É normal eles quererem num espetáculo meu ouvir essas músicas.

Qual a fórmula para conquistar o público português?

Acho que foi um trabalho de muitos anos. Comecei por vir fazer espetáculos para apresentar os meus primeiros discos. Inicialmente, os espetáculos eram em discotecas de música africana. Antigamente, o meu público em Portugal eram mais cabo-verdianos, angolanos e pouco a pouco fui conquistando o público português. As pessoas já conheciam o Nelson Freitas, mas depois com o 'Bo Tem Mel' foi o 'boom' para Portugal inteiro.

Acha que existiu um ponto de viragem na cultura musical dos portugueses, passando a existir uma maior abertura para outros estilos e culturas musicais?

Na altura em que saiu o ‘Bo Tem Mel’, em 2013, o Anselmo Ralph lançou também lançou o ‘Não me Toca’ e eu acho que essas duas músicas foram muito importantes para essa viragem.

Os temas de que falou trouxeram também uma maior abertura para vermos outro tipo de músicas, como por exemplo as kizombas, a passar nas rádios portuguesas.

Hoje em dia já passam mais, mas acho que ainda podiam tocar mais.

Ainda há pouca abertura para isso?

É isso mesmo. Está melhor, mas ainda não há assim tanta abertura. Ainda há trabalho a fazer. Temos muitos bons artistas e muita música boa a ser feita que não passa na rádio.

E o público está aberto a isso?

Sim, tenho a certeza disso.

O primeiro concerto no Coliseu de Lisboa foi um marco importante na sua carreira?

Esse concerto foi muito importante para mim, foi muito importante aqui em Portugal. Foi importante para a minha carreira. Foi um show maravilhoso, a sala esteve cheia e o público cantou todas as músicas. Foi depois desse concerto que comecei a fazer grandes concertos em Portugal. E vamos repetir!

Essa repetição acontece já a 15 de novembro, o que podemos esperar neste regresso ao Coliseu de Lisboa?

Muitas surpresas. Vão estar muitos amigos em palco comigo, mas acima de tudo vamos tentar fazer algo diferente, dar algo diferente ao público.

Ainda no seu primeiro concerto no Coliseu, um dos momentos mais marcantes do espetáculo aconteceu quando a sua filha subiu ao palco para cantar a seu lado. Neste próximo espetáculo, ela vai voltar?

Ela esteve já em vários espetáculos. No Coliseu cantou, no Altice Arena e no Campo Pequeno dançou…mas agora também há um menino [o seu segundo filho]. Só que ele tem quatro anos, gosta de cantar e dançar mas depois quando lhe pedimos para fazer as coisas já não faz. Mas a filha vai participar, certamente. A fazer o quê é que ainda não sabemos.

Acha que ela já tem o ‘bichinho’ do meio artístico?

Sim, ela gosta muito. Gosta de cantar e de dançar, até acho que gosta mais de dançar.

E o Nelson vai apoiar se ela quiser ser artista?

Não sei se ela vai querer ser artista ou não, mas se ela quiser acho que sou a melhor pessoa para a ajudar nisso.

Recentemente lançou o tema ‘Every Day All Day’, que conta com a participação de Juan Magán. O que encontramos de diferente neste tema?

Esta música é uma combinação de vários géneros musicais. Tem R&B, ritmos tropicais, tem Juan Magán, tem Cabo Verde. Quem vê o videoclipe nota que temos várias bandeiras, esta música é para o mundo. É uma fusão de vários pessoas e estilos.

O vídeo oficial deste single foi lançado no dia 21 de março e conta já com mais 460 mil visualizações no YouTube. Tendo em conta estes números, acha que as pessoas estão a receber bem  este tema?

Está a correr muito bem. Aliás, esta música está a correr super bem no Spotify, não só aqui em Portugal como no mundo inteiro.

Esse é o seu objetivo, chegar a vários países?

O meu objetivo é fazer música para o mundo.

E em relação ao futuro?

Lançar novos singles, lançar o novo disco, fazer o Coliseu e depois arrancar também com grandes salas noutros países, como Cabo Verde. Estes são os planos até ao final do ano.

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