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Rui Luís Brás. Do 'susto' que o fez mudar à "melhor decisão" da sua vida

Rui Luís Brás partilhou o seu testemunho em conversa com Daniel Oliveira. Uma entrevista onde além de recordar a infância, fala de todo o processo que viveu quando adotou o filho.

Rui Luís Brás. Do 'susto' que o fez mudar à "melhor decisão" da sua vida
Notícias ao Minuto

16:50 - 16/03/19 por Marina Gonçalves 

Fama Ator

O mais recente entrevistado do programa ‘Alta Definição’, da SIC, foi Rui Luís Brás. Uma conversa que foi transmitida este sábado, dia 16 de março, em que o ator partilhou publicamente o seu testemunho, falando abertamente sobre o princípio de AVC que sofreu em 2007. Uma situação menos boa que mudou a sua vida.

Até essa altura, “não se preocupava com nada, com o sono, com a comida, com a quantidade de café que bebia, o tabaco...”. “De repente, quando passei por isso, sem me ter apercebido do que é que era e estava sozinho em casa… foi complicado”, recorda, referindo que quando isso aconteceu tinha começado a rodar um novo projeto e que as gravações do mesmo decorriam à noite.

Nesse dia, foi “despachado mais cedo” e conseguiu ir para casa antes do suposto. Como não tinha sono e no dia a seguir ia gravar novamente à noite, acabou por ficar no sofá a ver televisão. Eram por volta das quatro da manhã quando decidiu ir dormir.

“Senti como se me estivessem a bater [na cabeça] com uma revista ou uma folha enrolada e uma sensação de água morna. A minha mão começou sozinha a mexer e toda branca. Tive tempo para ir à casa de banho, pensava que era uma quebra de tensão, e estava com os lábios roxos, completamente branco. Deixe de ver e fui a cambalear para tentar ir buscar um pacote de açúcar e caí no chão. Ouvi um bater e pensei: será que morri? Coitados dos meus pais, isto não é justo, porque eu era muito mais novo, não se faz isso...”, lembra.

Passado algumas horas, quando acordou, recorda, “eram nove horas”. Estava no chão da cozinha, “gelado”. Não se sentia com forças para chamar o INEM e decidiu deitar-se, na esperança de que estivesse bem. E só passado umas semanas é que se apercebeu que afinal o que tinha tido era mais grave do que pensava.

Estava a trabalhar, a passar texto, e a achava que estava a fazer o trabalho corretamente, mas, afinal estava a relatar palavras completamente diferentes das que era suposto, levando os colegas a rir-se do que estava a fazer, pensando que estava a brincar. Foi aí que percebeu que o que tinha tido algumas semanas antes tinha sido algo mais grave e que aquela reação estava ligada ao que tinha acontecido. Por isso, foi fazer todos os exames necessários que vieram a confirmar que tinha tido o início de um AVC.

A vida mudou por completo quando adotou o filho 

Hoje preocupa-se cada vez mais com a sua saúde e quer viver o mais que conseguir. Uma certeza que chegou com a adoção do filho, em 2016. No início queria uma criança entre os 4 e os 6 anos, mas acabou por adotar um menino de 12.

Rui sente que nasceu para ser pai, apesar de ter adiado esse momento durante algum tempo. “Ficas a pensar que tens que ter condições certas como qualquer pai”, justifica, admitindo que para si o mais importante nunca foi ter alguém que fosse a sua cara ou que fosse a continuidade da família.

“A gente na vida escolhe amar pessoas, escolhe uma família de amigos, de companheiros de trabalho que não têm laço de sangue contigo. A minha questão é: para quê mais um no planeta só porque carrega o mesmo ADN que eu. Isso não me faz sentido nenhum. Sempre fui capaz de amar um, duas, três… e se pudesse, se tivesse dinheiro para isso, não era só um filho”, confessa.

Durante a vida, antes de chegar o filho, esteve sempre a tentar arranjar coragem para dar este passo e até houve várias tentativas para o fazer, mas depois acabava sempre por “desistir”. “Questionava-me: será que sou capaz, será que aguento o barco? É muito fácil imaginarmos a coisa a correr bem, imaginando um trajeto muito equilibrado, mas quando vamos buscar uma criança, vamos buscar uma criança que tem problemas sérios na vida. Por alguma razão está a precisar que lhe apareça um pai ou uma mãe”, continua, reconhecendo que pai é quem cria e que nesta relação o mais importante é o amor. E apesar de ter tido muito medo de dar este passo, mas hoje sente que “foi a melhor decisão da sua vida”.

Na altura, uma das coisas que lhe foram ditas foi que qualquer criança, independentemente da idade em que é adotada, “vai regredir emocionalmente” e vai precisar de todo o carinho e dos cuidados que um filho pequeno tem, como o dar o comer à boca”. Uma condição que achava que não seria igual para todos os jovens, mas que depois se veio a confirmar. “É literalmente assim”, assegurou.

“O meu filho é um bebé grande que necessitou de horas e horas de colo e eu costumo dizer: nem que o papá tenha 120 anos e tu sejas um senhor velhinho e se precisares de colo e abraço, o pai está aqui”, acrescenta. 

No seu caso, as coisas têm estado a correr bem, apesar das primeiras impressões não terem sido fáceis. “O primeiro ano não se deseja a ninguém. É muito complicado. Vi-o em sofrimento muitas vezes”, conta, partilhando que inicialmente o jovem tinha medo “que tudo podia falhar e podia não o querer”.

“E o meu medo era o mesmo. E se ele não me ama como eu o amo a ele? Acho que ao fim de um bocadinho tinha noção de que esse medo já tinha ido à vida. O medo natural de pensar: será que vou amá-lo realmente? Isso passou. Ao fim de três ou quatro semanas ele era todo meu. Tudo o que queria era defendê-lo. Tudo o que quero ainda hoje é que ele seja feliz. Proporcionar-lhe um caminho para ele ser livre, feliz, um senhor. Um homem tu já és, mas um senhor… há poucos. Até para ele limpar todo o histórico”, explica, acrescentando que o jovem “veio de circunstâncias muito complicadas", relacionadas com "muita violência física e psicológica desde bebé”.

Inicialmente, a comunicação com a criança era feita só por carta, mas depois chegou o dia em que o ator foi conhecer o jovem fisicamente. Foi no dia 4 de janeiro de 2016, quando foi ao norte à instituição onde a criança estava, acompanhado pelas técnicas, que viu pela primeira vez, pessoalmente, o menino. Antes de o conhecer estava nervoso e só pensava: “e se isto não correr bem, e se ele olha para mim e foge, e se eu olho e não sinto…”. Mas tudo acabou por correr na melhor maneira e a boa relação sentiu-se logo nesse primeiro encontro. Aliás, recorda, a primeira coisa que o jovem lhe disse foi: “Olá papá”. O que o deixou derretido e mereceu logo de seguida um abraço apertado e duradouro.

O único bocadinho de mim que vai ficar é o que vai ficar dentro dele. São os valores que lhe vou passar, o amor que lhe estou a pôr, a tentar compensar o que não lhe foi dado”, frisa.

Rui garante que vai fazer sempre os possíveis e impossíveis para estar ao lado do filho e assegura que esta fase da paternidade “não tem sido nada difícil”. Ainda assim, não deixa de reconhecer que há “momentos difíceis”. “Impor castigos, regras, dizer não, lutar contra uma coisa que é: ele nunca teve isto e eu tenho que ceder. Não, não posso ceder. Pelo menos não posso fazer sempre. Quero dar-lhe tudo o que ele não teve, toda a atenção, todas as pequenas liberdades, deixá-lo criar, ser livre, experimentar coisas. […] Dizer que não a alguém que é só teu filho há três anos, essa parte é difícil… Acho que sou o melhor amigo dele, mas não é para confundir porque sou pai dele, não há cá abusos”, garante.

Este amor incondicional que tem pelo filho até o fez ‘esquecer’ de procurar uma companhia. Desde que o menino chegou à sua vida que isso não é uma prioridade, uma vez que o amor que tem pelo jovem já preenche o resto. “Não preciso de mais”.

Apesar de saber que as memórias do menino são muito difíceis de esquecer, Rui apenas quer atenuar a dor dele. O seu desejo tem vindo a ser cumprido, pois sente que o jovem hoje é “feliz”. “Sei que o faço feliz e isso não me assusta”.

O filho não tem contacto com os pais biológicos, e neste momento só tem uma parte dos pais. Mas se um dia o jovem quiser ir procurar a mãe biológica, o artista nunca o vai impedir pois sabe que “é um direito dele”. “Só tenho que pegar no carro e levá-lo lá. Não estar presente nem interferir, nem fazer juízos de valor. Aliás, eu tenho esse cuidado”, garante. “Por mais que pense de outra forma, estou sempre a apaziguar isso porque ele precisa de sentir que não foi rejeitado, que o problema não está nele. E é isso que ele carrega e é a parte má”, explica.

O ator referiu que todas a crianças que estão nestas circunstâncias “só precisam de amor, de cuidado”, e deixou ainda um conselho a todos os que estão a pensar adotar uma criança: “Primeiro dispam-se, não tenham um projeto de criança na cabeça, não idealizam um filho, nem tentem ser uns pais ideais. Tentem ser a melhor versão de vocês próprios honestamente". 

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