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Uniplaces garante: Elaboramos "anúncios o mais realistas possível"

Numa altura em que o mercado de arrendamento em Portugal vive uma situação difícil, marcada pela escassez de oferta e preços elevados, o Notícias ao Minuto falou com o cofundador português da Uniplaces, Miguel Santo Amaro.

Uniplaces garante: Elaboramos "anúncios o mais realistas possível"
Notícias ao Minuto

09:10 - 19/02/18 por Beatriz Vasconcelos 

Economia Miguel Santo Amaro

Tem 28 anos e dirige uma das mais bem-sucedidas startups nascidas em Portugal, o que o levou a ser distinguido, no ano passado, pela revista Forbes como um dos jovens sub-30 anos a acompanhar na área da tecnologia. Miguel Santo Amaro é cofundador da Uniplaces, uma plataforma de alojamento universitário, que foi criada em 2012 por três jovens de três nacionalidades diferentes.

No final do mês passado, a Uniplaces anunciou que alcançou a meta dos 100 milhões de euros em rendas para senhorios de seis países na Europa, designadamente Portugal, Espanha, França, Itália, Alemanha e Reino Unido.

O Notícias ao Minuto falou com Miguel, o fundador português, para perceber o segredo desta receita que foi pensada no Porto mas veio a materializar-se em Lisboa. A conversa surge numa altura em que o mercado de arrendamento em Portugal passa por uma situação difícil, especialmente para quem quer arrendar, uma vez que os preços dos imóveis estão elevados e a oferta é limitada.

Entre as palmas e as críticas, há quem acuse a aplicação de ter inflacionado os preços do mercado e de “mascarar” os imóveis através de uma boa edição de fotos. Confrontado com estas questões, Miguel garante que os apartamentos ou quartos para arrendamento são previamente verificados por uma equipa de fotografia profissional, o que permite a realização de "anúncios o mais realistas possível".

Notícias ao MinutoMiguel Santo Amaro é um dos três fundadores da Uniplaces © Uniplaces

A Uniplaces tem três fundadores de três países diferentes, como se conheceram?

Conheci o Ben Grech em Inglaterra, quando tinha 22 anos e ele 23. Éramos colegas na Universidade de Nottingham onde estudámos Finanças e Gestão. O Mariano Kostelec conheci na China, quando ele estava a trabalhar no lançamento da Groupon chinesa e eu estava a estagiar, no âmbito do Mestrado em Empreendedorismo Global que fiz no Babson Collegeem Massachusetts.

Mais tarde, em setembro de 2011, reunimo-nos no Porto e começámos a trabalhar no projeto Uniplaces, que se mudou de armas e bagagens para a capital, em janeiro do ano seguinte, para a incubadora de empresas da Rua da Prata, a Startup Lisboa.

Como surgiu a ideia de criar uma empresa ligada ao imobiliário?

Quando nos conhecemos percebemos que tínhamos perfis complementares e decidimos queríamos criar um negócio juntos. Sabíamos que existiam muitas oportunidades e, durante três meses estivemos a viver em Viana do Castelo para tentar delinear e testar um conceito. Olhámos primeiro para o mercado das viagens, uma paixão que tínhamos em comum, mas desistimos dessa ideia. A Uniplaces surgiu naturalmente, na sequência das dificuldades que o Ben e o Mariano sentiram para arranjar uma casa no Porto, ideia essa que foi reforçada quando um amigo meu da Faculdade de Medicina de Lisboa me pediu ajuda para alguns estudantes que não estavam a conseguir encontrar alojamento. Percebemos então que se tratava de uma área por explorar e com bastante potencial.

Como é que foi o início?

Durante muito tempo a equipa não tinha mais do que cinco pessoas. Então nós os cinco fazíamos tudo... Desde a aquisição de senhorios, apoio a clientes - heguei a fotografar vários apartamentos. Foi um grande desafio: tínhamos de trabalhar muito, aprender depressa e continuar sempre a andar.

Só no último ano contámos com reservas de estudantes de mais de 100 nacionalidades

Qual foi a estratégia definida? Conseguiram segui-la?

Sim, felizmente temos conseguido seguir a estratégia que definimos e estamos a tornar-nos numa marca global de referência e de confiança para os estudantes em todo o mundo. Só no último ano contámos com reservas de estudantes de mais de 100 nacionalidades.

Quantas pessoas emprega atualmente? 

Atualmente, contamos com cerca de 150 colaboradores em todas as cidades onde operamos.

Como vê, atualmente, o mercado imobiliário em Portugal?

No que se refere especificamente ao mercado de alojamento para estudantes, trata-se de um mercado com um elevado potencial de investimento, devido à escassez de oferta face ao elevado número de estudantes em mobilidade no nosso país. Existe uma previsão superior a 750 milhões de euros anunciados em vários investimentos no mercado das residências para estudantes em Portugal, o que mostra o potencial deste segmento no que se refere ao investimento imobiliário no país. A Web Summit teve um impacto de cerca de 200 milhões [de euros] na economia, e estes investimentos imobiliários representam um número mais do que três vezes superior a esse valor.

Nas cidades de Lisboa, Porto e Coimbra estima-se que faltem entre 13.000 e 18.000 camas para estudantes em mobilidade Como lidam com o problema da falta de oferta especificamente em Lisboa?

O número de estudantes em mobilidade internacional tem vindo a crescer em todo o mundo. Entre os fatores que o impulsionam encontram-se o facto de a experiência internacional ser cada vez mais uma vantagem competitiva no mercado laboral e o aumento do número de bolsas de estudo e de apoios estatais.

Portugal não é exceção, devido à sua qualidade de ensino universitário, cada vez mais reconhecido internacionalmente, a facilidade da sua população em lidar com a língua inglesa, o baixo custo de vida, e o seu reconhecimento como destino turístico. Existem muitos estudantes internacionais vindos dos países lusófonos, mas há um crescente número de estudantes de outros países, fruto da proatividade das instituições de ensino universitário em difundir os seus programas no estrangeiro. Trata-se de um movimento que vai continuar nos próximos anos.

A título de exemplo, um estudo recente da consultora JLL mostra que o número de estudantes estrangeiros cresceu 120% desde 2010. Só nas cidades de Lisboa, Porto e Coimbra estima-se que faltem entre 13.000 e 18.000 camas para estudantes em mobilidade.

O mercado imobiliário tem vindo a ficar mais caro em Portugal e a nossa plataforma reflete essa realidadeA Uniplaces é muitas vezes acusada de, alegadamente, ter inflacionado os preços do mercado. Como reagem a estas acusações?

Os preços são fixados pelos senhorios e não pela Uniplaces. O mercado imobiliário tem vindo a ficar mais caro em Portugal, particularmente em Lisboa e no Porto, e a nossa plataforma reflete essa mesma realidade. Invariavelmente o que determina o preço é a relação entre a procura e a oferta. A Uniplaces, ao angariar senhorios para a sua plataforma, está a agregar essa oferta e a aumentar a escolha, o leque de preços e a informação sobre o mercado de alojamento universitário ao estudante.

Em termos de crescimento, o que podemos esperar da Uniplaces?

Queremos continuar a fazer crescer a oferta em Portugal e nos países onde estamos presentes pois a procura tem sido muito superior, quer interna, quer internacional.

Qual é a principal dificuldade de mediar a relação entre o arrendatário e o arrendador?

A nossa plataforma facilita a comunicação entre os senhorios e os estudantes. Para os estudantes, trata-se de uma forma segura para arrendar casa ou quarto numa cidade que lhes é desconhecida. Os anúncios são validados por nós de forma a garantir que os estudantes vão, efetivamente, encontrar o alojamento real e que corresponde ao selecionado no anúncio. Para os senhorios, esta plataforma ajuda-os a arrendar as suas propriedades em menos tempo que o habitual e de uma forma mais rentável, num mercado que se encontra em franco crescimento.

Só recentemente os preços atingiram os valores 'pré-crise' e numa altura em que a cedência de crédito à habitação é muito mais restritivaO que acha que vai acontecer aos preços nos próximos meses? Vão continuar a subir?

Especificamente na plataforma da Uniplaces, de 2016 para 2017 registámos um aumento de 34 euros no gasto médio mensal em arrendamento.

Considera que Lisboa vive numa bolha imobiliária? Se sim, quando irá rebentar?

Acreditamos que não. Só recentemente os preços atingiram os valores 'pré-crise' e, por causa desta, numa altura em que a cedência de crédito à habitação é muito mais restritiva. A subida de preços parece resultar de diversos fatores, tais como a entrada de capitais estrangeiros, o aumento do turismo e da notoriedade de Portugal, das baixas taxas de juro, da crescente escassez de imóveis e da vinda de empresas tecnológicas para Portugal.

Na nossa plataforma, o gasto médio mensal em alojamento foi de 449 euros no último anoQuais são os planos da empresa para os próximos meses?

Pretendemos consolidar a presença nos mercados onde já estamos presentes e continuar a melhorar o produto.

Em termos de números, quantos arrendamentos já processaram?

Só no último ano, o número de contratos celebrados através da plataforma cresceu 85% face a 2016, num total de três milhões de noites em arrendamentos.

Entre as cidades em que operam, qual é a melhor para trabalhar?

Todas as cidades são muito importantes para nós, uma vez que temos como objetivo tornar-nos numa marca verdadeiramente global e de referência para todos os estudantes que decidem ter uma experiência de mobilidade, e também para os senhorios e proprietários que pretendem rentabilizar as suas propriedades.

Apresentam-se como uma marca para estudantes universitários… Este foco ainda se mantém? Ou com o ‘boom’ do imobiliário já têm outras pessoas a recorrer à plataforma?

Os dados de 2017 da plataforma apontam para um público maioritariamente constituído por estudantes a frequentar uma licenciatura (46,5%) ou uma pós-graduação (38,6%).

A maioria das propriedades é verificada por uma equipa profissional de fotografia, o que nos permite elaborar anúncios o mais realistas possível

Qual é o preço médio de um T1 para arrendar em Lisboa?

Na nossa plataforma, o gasto médio mensal em alojamento foi de 449 euros no último ano, com os estudantes a optarem preferencialmente por um quarto privado em casa partilhada.

Arrendaria por esse preço?

Sim.

A Uniplaces tem sido também acusada de manipular as imagens, de modo a que não correspondam completamente à realidade. Como reage a estas acusações?

A maioria das propriedades disponíveis é verificada previamente por uma equipa profissional de fotografia que se desloca ao local, o que nos permite elaborar anúncios o mais realistas possível, para que os estudantes saibam exatamente onde irão viver nos meses que se seguem. As fotografias não são manipuladas e várias propriedades são mesmo filmadas e os vídeos são publicados na nossa plataforma. Além disso, o pagamento não é transferido para o senhorio se o estudante entrar numa propriedade que não corresponde ao que foi anunciado. 

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