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Fumeiros da Guarda: Uma história de superação que vale prémios

Uma pequena empresa de família ultrapassou os efeitos da crise mundial e criou a plataforma para o sucesso de longo prazo.

No auge da crise mundial, os portugueses passaram dificuldades constantes. Com falta de dinheiro no bolso e muitas decisões difíceis para tomar, a compra de produtos tradicionais caiu e dificultou a vida de uma das indústrias mais típicas de Portugal: os fumeiros. 

No meio das dificuldades, os Fumeiros da Guarda decidiram renovar a empresa com a chegada de uma nova geração e deram o salto necessário para recuperar e assegurar um futuro próspero. 

Hoje em dia, já premiado no concurso Heróis PME pela história de superação, Miguel Espírito Santo fala ao Economia ao Minuto sobre tempos difíceis que a empresa passou e como poderá ser o futuro. 

Leia em baixo a nossa entrevista ao diretor comercial dos Fumeiros da Guarda. 

Para a vossa empresa, qual é a importância desta distinção? 

É o reconhecimento do nosso percurso nestes últimos anos, na sociedade. 

E qual é a história que têm para contar, que vos valeu estar no conjunto de vencedores? 

A história é que nós vimos de muitas dificuldades no final de 2009 e entretanto reestruturámos toda a nossa forma de estar e todo o nosso mercado, o que nos permitiu quadruplicar a faturação desde 2009 até ao final de 2015, os dados contabilizados para o prémio Heróis PME. 

Sendo uma das vítimas da crise mundial, o que vos incentivou a continuar? 

O que nos incentivou foi a entrada na segunda geração da empresa, no meu caso porque o proprietário da empresa é o meu pai. Com a entrada da segunda geração, vieram novas ideias, vontade de fazer as coisas de forma diferente, vontade de agarrar na empresa e dar a volta, e foi isso que nos levou a andar para a frente. 

Quando passou a ter um papel mais ativo na empresa, como conseguiu convencer o seu pai a fazer as mudanças necessárias? 

A própria vida incumbe-nos de certa forma de não ter de convencer. Temos a paixão pelo negócio, gostamos daquilo que fazemos, só temos de olhar em frente e com todo o espírito de desenvolvimento e empenho darmos a volta por cima e conseguirmos que seja hoje uma empresa de sucesso na região e líder no mercado em que estamos inseridos, na nossa região. 

Acredita que a nova geração de empresários tem a capacidade de lidar com uma crise se ela voltar a surgir em breve? 

Sim, acho que sim. Nós estamos muito mais preparados, quer em termos tecnológicos, quer na forma como a nossa mente está 'mais aberta' para determinadas situações. Se calhar, medimos menos os riscos do que a geração anterior mede, o que pode ser bom ou mau, pode tornar-se num caso de sucesso ou de insucesso. Esse é o risco na nossa vida empresarial, mas a nova geração tem outras formas de estar que podem potenciar casos de maior sucesso. 

Tendo um produto que é tipicamente português, os enchidos, conseguem vender para outros países? Quais são os mercados mais importantes para vocês? 

Conseguimos exportar, sim. O nosso mercado é o da 'saudade', pela tradicionalidade dos nossos artigos, apesar de estarmos a conseguir penetrar noutros mercados, o que é muito interessante. Nota-se alguma procura nos mercados europeus por produtos diferentes e como Portugal está na moda, está a 'pegar' um bocadinho essa questão dos produtos portugueses. Exportamos também para África, para Angola e Moçambiue, que são mercados tradicionais de exportação de Portugal e dos nossos artigos. 

Vê a possibilidade de entrar em novos continentes ou em mercados novos em breve? 

Sim, estamos à procura disso, trabalhamos para que isso aconteça e esperamos que esse dia esteja próximo. 

Acha que o mercado chinês pode ser um destino dos fumeiros? 

O mercado chinês tem uma série de entraves legais que esperemos que sejam ultrapassados em breve. Alguns já estão ultrapassados, outros ainda não. Há mercados que para nós têm alguns constrangimentos: embargos à carne de porco, à carne processada... Estamos a tentar contornar isso com outras gamas de produtos, produtos com aves, mas são mercados muito distantes em termos de logística e os nossos produtos são altamente perecíveis. Há uma certa dificuldade, mas tentamos sempre lutar e contornar todas essas dificuldades para que isso seja uma realidade. 

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