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Moçambique devia criar "fundo soberano" para gerir receitas do gás

O analista da consultora Capital Economics que segue Moçambique considerou à Lusa que o país devia criar um fundo soberano para gerir as receitas do gás e apostar mais na construção de infraestruturas que diversifiquem a economia.

Moçambique devia criar "fundo soberano" para gerir receitas do gás
Notícias ao Minuto

10:10 - 20/06/17 por Lusa

Economia Capital Economics

"O que gostaríamos de ver era uma grande parte das receitas do gás a serem usadas num fundo soberano, e mais investimento nas infraestruturas para ajudar à diversificação da economia", disse John Ashbourne.

Em entrevista à Lusa em Londres, o analista reconheceu que o processo de diversificação económica "é muito difícil para os países que estão demasiado dependentes de uma só matéria-prima", e exemplificou com o Gana, que "é uma democracia pacífica e um país bem governado, e que mesmo assim deu um enorme aumento aos funcionários públicos, deixou a economia desestabilizar-se, o PIB cresceu e depois desceu, e por isso se o Gana teve dificuldades, não há razão para estar muito otimista que o sistema político de Moçambique consiga gerir" as receitas do gás.

"Estou cético que consigam gerir bem as receitas", vincou o analista, sublinhando, no entanto, que "realisticamente, é o gás que vai decidir o futuro de Moçambique nos próximos cinco a 10 anos".

Para John Ashbourne, "se os negócios do gás andarem para a frente e o país crescer a 20% ao ano como prevê o FMI, o nível de dívida que tem agora será relativamente pequeno face ao tamanho da economia daqui a 10 anos, por isso o nível de dívida pública hoje não é tão importante".

Questionado sobre o futuro a curto prazo, tendo em conta a divulgação em breve do relatório da auditoria da Kroll ao endividamento escondido do país, o analista confirmou a importância do conteúdo do documento e previu que "deverá ser negociada uma solução com os credores" que detêm os títulos de dívida pública e com os que emprestaram dinheiro às duas empresas públicas que não estão a cumprir as obrigações financeiras.

"Não acho que vão entrar em 'default' em tudo, mas não vão conseguir pagar tudo, será uma solução intermédia, e depende daquilo que os credores vão aceitar, uma vez que a negociação é feita em bloco e não há uma posição comum dos credores", vincou Ashbourne.

Devido à falta de confiança nos números apresentados pelo país, "as instituições internacionais e os credores estarão muito hesitantes em confiar que a situação atual é a correta porque já foram enganados antes, é até possível que o relatório mostre mais dívida escondida", concluiu.

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