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Banco central corta nas divisas mas garante casas de câmbio e remessas

A venda semanal de divisas pelo Banco Nacional de Angola (BNA) à banca comercial caiu 62 por cento na última semana, face à anterior, para 143,7 milhões de euros, garantindo necessidades de casas de câmbio e empresas de remessas.

Banco central corta nas divisas mas garante casas de câmbio e remessas
Notícias ao Minuto

11:44 - 19/06/17 por Lusa

Economia Angola

A informação consta do relatório semanal do BNA sobre a evolução dos mercados monetário e cambial entre 12 e 16 de junho, e surge após 376,4 milhões de euros e 118,9 milhões de euros nas duas semanas anteriores.

Segundo o documento, consultado pela Lusa, as divisas disponibilizadas - mantêm-se exclusivamente em euros há mais de um ano -, em vendas diretas equivalentes a 160,5 milhões de dólares, cobriram as necessidades do setor produtivo (53,7 milhões de euros), bem como operações com cartas de crédito emitidas pelo BNA (12,2 milhões de euros), neste caso "para atender as necessidades com bens alimentares e do setor produtivo".

Foram igualmente disponibilizadas divisas para a cobertura de operações dos setores da saúde (9,2 milhões de euros) e de operações dos ministérios e organismos do Estado (12,4 milhões de euros).

Depois de um período de interrupção, o BNA voltou a disponibilizar divisas para operações das Casas de Câmbio (4,5 milhões de euros) e empresas de envio de remessas de dinheiro para o exterior (4,5 milhões de euros), além da cobertura das operações de cartões de crédito usados fora do país (8,9 milhões de euros).

A taxa de câmbio média de referência de venda do mercado cambial primário, apurada pelo banco central no final da última semana, manteve-se inalterada nos 166,742 kwanzas por cada dólar e nos 186,296 kwanzas por cada euro, e praticamente sem mexidas há mais de um ano.

No mercado de rua, a única alternativa, embora ilegal, face à falta de divisas aos balcões dos bancos, cada dólar norte-americano custa à volta de 390 kwanzas.

Angola enfrenta desde finais de 2014 uma crise financeira e económica, com a forte quebra das receitas com a exportação de petróleo devido à redução da cotação internacional do barril de crude, tendo em curso várias medidas de austeridade.

Esta conjuntura levou a uma forte quebra na entrada de divisas no país e a limitações no acesso a moeda estrangeira aos balcões dos bancos, dificultando nomeadamente as importações.

Além disso, devido à suspensão de acordos com bancos estrangeiros para correspondentes bancários para compra de dólares desde 2016, a banca angolana apenas consegue comprar divisas ao BNA, no caso euros, como explicou em abril o governador do banco central.

"Não poderíamos ter o azar de os bancos correspondentes deixarem de fazer operações em euros. E havia este risco. Já perdemos as operações em dólares. Se perdêssemos as operações em euros era uma catástrofe para Angola, porque Angola deixaria de importar medicamentos, alimentação e todos os outros produtos necessários", disse Valter Filipe.

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