Banco central diz colaborar com autoridades no caso Novo Banco CV

O Governador do Banco de Cabo Verde (BCV) afirmou hoje que está a colaborar com as autoridades judiciais no âmbito do processo de resolução do Novo Banco, adiantando ter já enviado ao Ministério Público as informações pedidas.

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Economia Cabo Verde

"O Ministério Público (MP) solicitou ao BCV informações. Ainda que não tenha especificado o tipo de informações, enviamos as informações que achamos por bem. Cabe agora ao MP analisar as informações, ver se eventualmente poderá haver indícios criminais e agir em conformidade. Temos todo o interesse que tudo seja esclarecido e o dever institucional de colaborar com as autoridades judiciais e estamos a fazê-lo", disse João Serra.

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O governador do banco central cabo-verdiano falava hoje aos jornalistas, na cidade da Praia, à saída de uma audiência com o Presidente da República de Cabo Verde a pedido do chefe de Estado.

O banco central cabo-verdiano (BCV) anunciou há duas semanas a resolução e venda à Caixa Económica de Cabo Verde de parte da atividade do Novo Banco, uma instituição de capitais quase exclusivamente públicos, com cerca de 13.200 depositantes ativos e vocacionado para a economia social e o microcrédito.

A resolução do Novo Banco é um primeiro passo para a sua extinção administrativa que representará um prejuízo estimado em cerca de 16,3 milhões de euros para os cofres do Estado e deixará cerca de 60 trabalhadores no desemprego.

Aos jornalistas, João Serra reafirmou que a resolução do banco foi a melhor solução para conseguir salvar os depósitos, ressalvando que o BCV apenas supervisiona a atividade bancária, cabendo aos acionistas decidir o que fazer.

"O banco estava numa situação financeira deveras crítica. Querendo, os acionistas podiam tomar outra decisão recapitalizando o banco, mas para nós só a recapitalização do banco não seria o suficiente, teria que haver uma alteração do modelo de negócios, uma vez que o modelo adotado não dava garantias quanto à viabilidade financeira", disse.

João Serra esclareceu ainda que a autorização dada na altura pelo Ministério das Finanças - responsabilidade que passou entretanto para a competência do BCV - era para o Novo Banco funcionar como "um banco qualquer".

"O objeto social do novo banco não determinava que os créditos seriam necessariamente concedidos a micro, pequenos ou médios operadores", disse João Serra, adiantando que essa questão não foi determinante na decisão de resolver o banco.

Dados divulgados pela imprensa cabo-verdiana dão conta de que apesar de ter sido criado para financiar a economia social, apenas 5% dos créditos concedidos respeitava esses critérios.

"O que levou o BCV a tomar a decisão tem a ver com a financeira crítica porque passava o banco, que não cumpria com os rácios", sublinhou.

A resolução do Novo Banco está a marcar a atualidade cabo-verdiana com o Ministério Público a pedir para "apreciação" documentos e informações relacionados com a resolução, e o Parlamento cabo-verdiano a quer ouvir todos os responsáveis, atuais e anteriores, relacionados com este processo.

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