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"Caso para cautela": Portugal volta aos mercados com juros mais altos

Está confirmada a taxa de juro acima dos 4% a 10 anos na primeira venda de dívida pública portuguesa de 2017. A subida mantém a tendência do último ano e traduz um contexto de aumento dos custos de financiamento que é geral na zona euro.

"Caso para cautela": Portugal volta aos mercados com juros mais altos
Notícias ao Minuto

16:00 - 11/01/17 por Bruno Mourão com Lusa

Economia Emissão

O longo braço do BCE já não está a proteger de forma tão forte as economias da zona euro e em toda a Europa, já se notam sinais de menor apoio dos investidores às dívidas públicas.

Na emissão sindicada realizada esta tarde, Portugal voltou a sentir os efeitos do afastamento dos investidores, pagando juros mais altos mesmo com ajuda de um sindicato bancário que assegurava à partida o sucesso da operação.

Para vender os três mil milhões de euros previstos em Obrigações do Tesouro a 10 anos, a Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida pública [IGCP] foi obrigada a oferecer uma taxa média de 4,227%, um valor que já contabiliza o spread oferecido.

"É caso não para alarmes, mas para cautela", garante Filipe Silva, do Banco Carregosa, em declarações oficiais enviadas para a redação do Economia ao Minuto.

"á se esperava uma taxa acima dos 4% e até saiu um pouco mais baixa do que se antevia, portanto não foi surpresa e, nesse sentido, correu bem. Mas devemos realçar que a taxa  saiu acima do custo médio da dívida portuguesa (que é de 3,4%), por isso, vem encarecer as condições em que o país se financia", garante o diretor de gestão de ativos.

Filipe Silva lembra que o facto de Portugal pagar taxas acima de 4% a 10 anos "não é novo" - já tinha acontecido em março e no último trimestre de 2016 - mas lembra que comparando com janeiro de 2016 "a diferença é bastante maior".

"Nessa altura emitimos dívida a 10 anos com uma taxa de 2,875%. Ou seja, o risco, num ano, subiu."

Na terça-feira, a Bloomberg tinha já avançado que o Estado português estava a preparar uma emissão sindicada de dívida de longo prazo, com maturidade em 2027, a primeira deste ano.

Para esta emissão, a instituição liderada por Cristina Casalinho mandatou seis bancos: o BBVA, o HSBC, o JP Morgan, o Morgan Stanley, o Novo Banco e o Société Générale.

O IGCP inaugurou assim as emissões de dívida de longo prazo de 2017, ano em que o IGCP prevê arrecadar "um montante entre os 14 a 16 mil milhões de euros", através da emissão bruta de Obrigações do Tesouro, "combinando sindicatos e leilões, assegurando emissões mensais", conforme o programa de financiamento publicado na terça-feira.

Esta emissão surge também na semana em que se espera que a Moody's olhe para a situação da economia portuguesa, podendo eventualmente proceder a alguma revisão da perspetiva do 'rating' atribuído a Portugal (normalmente o passo que antecede uma movimentação da nota atribuída).

De acordo com o calendário indicativo para rever os 'ratings' dos países que acompanha, a Moody's irá analisar a economia portuguesa esta sexta-feira, sendo a primeira agência de notação financeira a fazê-lo este ano.

Atualmente, a Moody's qualifica Portugal com uma nota de 'lixo' (ou não investimento), atribuindo-lhe um 'rating' de Ba1 com perspetiva estável.

[Notícia atualizada às 16h25]

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