Governo quer certificar empresas para fornecerem indústria automóvel

O Ministério da Economia pretende certificar algumas empresas portuguesas para que possam passar a ser fornecedores dos grupos do setor automóvel que já estão instalados em Portugal, anunciou o ministro Manuel Caldeira Cabral, em Leiria.

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Economia Caldeira Cabral

À margem do jantar/conferência do semanário Região de Leiria, Manuel Caldeira Cabral referiu que a tutela está a "trabalhar com as empresas portuguesas para as capacitar e certificar para que possam passar a ser fornecedoras dos grupos do setor automóvel que já estão em Portugal".

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Com aquilo que aprenderam nesse "processo de certificação e de integrar essas cadeias de valor, possam também ser autonomamente exportadoras para outros grupos", frisou o ministro.

Caldeira Cabral destacou o "bom momento" que vive a indústria automóvel em Portugal.

"O que temos hoje em Portugal são os grandes 'players', desde a Volkswagen à Renault, até ao grupo PSA, em Mangualde, ou fornecedores do ramo automóvel como a Bosh ou a Continental, para dar alguns exemplos".

Segundo o ministro, "todas estas empresas estão a ter uma expansão muito importante da sua produção".

No caso da Renault, "com um investimento de 150 milhões de euros", no caso da Continental, "mais de 50 milhões de euros" ou a Volkswagen "com investimentos muito avultados".

Estes investimentos significam "uma enorme oportunidade, que já está a ser aproveitada por novas empresas e por novos investimentos que estão a surgir na área das componentes do setor automóvel, mas também para a indústria de moldes, que já está bem implementada em Leiria".

O ministro referiu ainda que estão também a surgir investimentos "muito interessantes na Galiza e em Marrocos, onde está a haver um aumento grande da indústria automóvel e em que há empresas de moldes de Leiria, que estão a oferecer soluções enquanto fornecedores que em Marrocos não existem".

Caldeira Cabral explicou que a tutela tem feito um trabalho a "vários níveis" no setor automóvel, "muito próximo de vários dirigentes da indústria automóvel, apoiando as direções que estão em Portugal e que querem atrair mais negócios, projetos e investimentos para Portugal".

"Também há outro processo de dar confiança ao país e um processo de mobilização de apoios e dos fundos estruturais que também são importantes para convencer a investir em Portugal. O principal processo tem sido feito pela própria indústria, pela afirmação de uma rede de fornecedores de qualidade que Portugal já tem e que tem tornado o país um destino muito competitivo para novos investimentos na indústria automóvel", acrescentou.

Segundo o ministro, já se começam a verificar alguns resultados com "investimentos de reforço de capacidade" e em "trazer novos modelos para Portugal".

Estes investimentos "juntam não só o aumento da capacidade de produção, mas também investimentos na engenharia e na inovação, ou seja, transferência e fixação de pólos de desenvolvimento do produto, vão ter uma importância muito grande a prazo não só em trazer maior investimento para Portugal, mas na valorização do trabalho que é feito e na criação de trabalho qualificado".

Caldeira Cabral abordou ainda o programa Indústria 4.0, considerando que "com a digitalização da indústria as empresas podem chegar a mais clientes e inserir-se ainda mais nessas cadeias de valor internacional".

"Temos estado também a trabalhar na ligação entre as instituições de ensino superior e as empresas. O Instituto Politécnico de Leiria é um bom exemplo de um instituto que aprendeu muito cedo a trabalhar diretamente com as empresas e que faz um papel importantíssimo de transferência de tecnologia", disse ainda.

 

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