FMI estima crescimento económico de 3,2% para Cabo Verde em 2016

O Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê, em 2016, um crescimento de 3,2 % para Cabo Verde, sustentado pelo investimento direto estrangeiro (IDE), pela procura interna, agricultura e turismo, devendo beneficiar da ligeira retoma na Europa.

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Economia Relatório

A previsão consta do relatório final da missão técnica que esteve em Cabo Verde em outubro, aprovado a 18 de novembro pelo conselho de administração FMI e hoje divulgado.

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Com a aprovação do relatório pelo conselho de administração, o FMI conclui a avaliação deste ano da situação económica e financeira do país, no quadro do Artigo IV.

Com esta previsão, o FMI revê em baixa as previsões de crescimento apresentadas em outubro no relatório sobre as Perspetivas Económicas Regionais para a África Subsaariana, que apontavam para um crescimento de 3,6% este ano e de 4% em 2017.

Para 2017, o FMI aponta agora um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 3,7%.

O relatório assinala, a nível interno, o início da recuperação da confiança dos consumidores e dos investidores e estima a manutenção da taxa de inflação.

O documento aponta também que, em 2015, o crescimento económico estagnou em 1,5%, ligeiramente abaixo do 1,9% registado em 2014.

Nesse ano, o turismo recuperou e as remessas "mantiveram-se robustas", mas o IDE e o investimento público abrandaram, adianta o relatório.

A taxa de desemprego diminuiu para 12,4%, assim como o desemprego jovem que, no entanto, se manteve elevado em 28,6%.

No primeiro semestre de 2016, o turismo prosseguiu o seu crescimento forte e IDE acelerou, refletindo um grande aumento dos projetos planeados, de acordo com o relatório.

O Banco de Cabo Verde (BCV) reduziu a sua taxa de juro diretora em 25 pontos base, para 3,5% em fevereiro de 2015, mas o relatório assinala que, mesmo assim, "as taxas de empréstimo têm apresentado uma resposta lenta devido ao excesso de dívida das empresas e à aversão dos bancos ao risco".

"A qualidade dos ativos e a rentabilidade dos bancos continuam a constituir uma preocupação" para o FMI, que considera, no entanto, que "os amortecedores de capital parecem apropriados e os créditos malparados continuaram a diminuir desde o seu máximo de 22,4%, em agosto de 2014, para 16,9%, em junho de 2016".

O relatório assinala uma diminuição do défice orçamental para 4,1% do PIB em 2015, cerca de 3,4 pontos percentuais abaixo do ano anterior, sobretudo por causa do melhor desempenho das receitas.

As necessidades financeiras totais (incluindo a concessão de crédito a empresas públicas) diminuíram também 2,3 pontos percentuais para 8,3% do PIB por causa da redução do programa de investimento com vista ao abrandamento da acumulação de dívida pública.

"A dívida pública total chegou aos estimados 125,8% do PIB no final de 2015, o que reflete o aumento dos investimentos públicos com financiamento externo desde 2008, associado a um crescimento lento, a preços em queda e à recente apreciação forte do dólar dos Estados Unidos", adianta o FMI.

Os membros do conselho de administração do FMI louvaram "o progresso económico e social de longo prazo de Cabo Verde e o facto de a economia parecer estar a começar uma recuperação com perspetivas de aceleração acentuada do crescimento em 2016".

Salientaram, no entanto, que o "país está vulnerável a choques externos e que a sua dívida pública é elevada".

Recomendaram por isso, às autoridades cabo-verdianas, que fomentem a consolidação orçamental e implementem "reformas estruturais para promover o setor privado, enquanto principal motor de crescimento, para fomentar a produtividade e facilitar o crescimento de longo prazo".

Destacaram os esforços para "melhorar a eficiência das empresas públicas" e reiteraram que a aceleração do programa de privatizações ajudaria a impulsionar o crescimento do setor privado.

Realçaram que as dificuldades financeiras de duas empresas públicas - transportadora aérea e empresa imobiliária estatal - requerem "uma resolução rápida".

O FMI instou ainda a realização de "progressos adicionais" nas reformas para impulsionar a competitividade, incluindo a melhoria do ambiente de negócios, o aumento da eficiência do mercado de trabalho e o apoio à educação e formação profissional para reduzir os desalinhamentos de competências.

 

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