China reforça controlo sobre investimentos além-fronteiras

A China vai tornar mais restrito o controlo sobre os investimentos de empresas do país além-fronteiras, segundo informações difundidas pelo Governo e imprensa, face ao rápido aumento da fuga de capitais registada nos últimos anos.

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As autoridades vão "combinar a facilitação do investimento no estrangeiro com a proteção face aos riscos dos investimentos", refere em comunicado a Comissão Nacional de Reforma e Desenvolvimento, o organismo máximo chinês encarregado da planificação económica.

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Entre as medidas destaca-se a "proibição da maioria dos negócios acima dos 10.000 milhões de dólares" e "bloqueio de investimentos superiores a 1.000 milhões de dólares em setores não relacionados com as atividades da respetiva empresa", detalha a agência Bloomberg.

Os grupos estatais passam também a estar proibidos de gastar mais de 1.000 milhões de dólares em propriedades além-fronteiras, acrescenta a agência, detalhando que as regras estarão vigentes até setembro de 2017.

O investimento chinês além-fronteiras superou, em 2015, pela primeira vez, o valor investido por outros países na China, ao atingir os 145.000 milhões de dólares, um valor que representa um crescimento homólogo de 18%.

Em Portugal, por exemplo, o país asiático tornou-se, nos últimos anos, um dos principais investidores, comprando participações importantes nas áreas da energia, dos seguros, da saúde e da banca.

Os investidores chineses correspondem também a 74% dos vistos 'gold' emitidos desde a criação do programa, em outubro de 2012.

As restrições surgem depois de Pequim ter encorajado as empresas do país a investir além-fronteiras, como forma de assegurarem fontes confiáveis de retornos e adquirirem tecnologia avançada.

Entretanto, o aumento da fuga de capitais disparou, suscitando preocupações face à desvalorização do yuan, a moeda chinesa, que bateu no nível mais baixo comparativamente ao dólar, em mais de oito anos.

A agência de 'rating' Fitch estima a fuga de capitais do país asiático, entre o início de 2015 e meados deste ano, em um bilião de dólares (876.000 milhões de euros).

As empresas da União Europeia e Estados unidos queixam-se também pelo que consideram um "tratamento" desigual dado ao investimento no país.

"Para os chineses, a Europa é um 'buffet' variado, onde tudo decorre com facilidade, enquanto [na China], para nós, são quatro pratos e uma sopa", afirmou em setembro passado Jorg Wuttke, o presidente da Câmara do Comércio da União Europeia (UE).

Wuttke referia-se às restrições impostas por Pequim ao investimento externo no país, em áreas como telecomunicações, média, energia ou serviços financeiros e jurídicos.

O investimento chinês além-fronteiras - muitas vezes financiado com recurso a crédito barato cedido por bancos estatais - terá levado Pequim a questionar também a viabilidade de alguns ativos.

Em setembro passado, um representante do ministério do Comércio chinês afirmou que "algumas empresas fizeram aquisições além-fronteiras sem pensar".

"Descobrimos que algumas empresas não fizeram suficiente pesquisa sobre elementos básicos como os objetivos e a necessidade dessas operações", disse.

"Algumas firmas procuram desenfreadamente expandir-se, enquanto outras são guiadas por motivos irracionais, como apenas seguir a tendência ou o desejo de ostentar", acrescentou.

Em editorial, o jornal oficial China Daily afirma hoje que as regras são dirigidas à "fuga de capital disfarçada de investimento".

O jornal diz que o investimento chinês fora do país é um "desenvolvimento natural", mas ressalva que, num período de incerteza, os riscos inerentes aos investimentos podem ameaçar a estabilidade financeira.

 

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