No Natal francês, as ostras portuguesas são as prendas mais desejadas

Cerca de 90% da produção de ostras portuguesas destina-se ao mercado francês, cuja procura aumentou no último mês, devido à proximidade da época natalícia, disse à Lusa o secretário-geral da Associação Portuguesa de Aquacultores (APA).

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"É pela altura do Natal que há maior procura por ostras em França, mercado para o qual são exportados cerca de 90% das mil toneladas produzidas anualmente em Portugal", disse à agência Lusa Fernando Gonçalves.

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De acordo com este responsável da APA, o mercado francês "continua a ter uma importância acrescida, principalmente em épocas como o Natal e a Páscoa" para o escoamento do bivalve produzido de norte a sul do país, nas explorações de Aveiro, Estuário do Sado, Castro Marim, Alvor, Ria Formosa e Sagres.

"A produção é toda dirigida àquele mercado, ficando apenas cerca de 10% no mercado português", destacou.

Fernando Gonçalves prevê que com a redução da taxa de IVA nas ostras, de 23% para 6%, prevista no Orçamento de Estado para 2017, surjam novos produtores que levem ao aumento da comercialização em Portugal.

"Até lá, vamos continuar a exportar a quase totalidade da produção para França", frisou o responsável, acrescentando que a redução do imposto vai ser bastante importante, tornando o produto mais competitivo para o mercado nacional, perspetivando-se um aumento de produtores".

Por seu turno, o administrador da Ostraselect, um dos maiores produtores de ostras do Algarve, prevê exportar na próxima semana cerca de 30 toneladas do molusco para França, país para o qual faz o escoamento de 95 por cento das 200 toneladas que produz anualmente.

"Nesta altura aumenta a procura pelas ostras portuguesas e temos já preparadas 30 toneladas que vão seguir nos próximos dias para aquele país", disse à agência Lusa o responsável pela empresa, Rui Ferreira.

De acordo com empresário, a produção este ano foi a melhor de sempre, sem registo de anomalias ou mortandade dos moluscos bivalves.

"Em 20 anos de exploração de ostras, não me lembro de nenhum ano assim, sem qualquer prejuízo, ao contrário do que sucedeu em 2015, com a mortandade de toda a produção", recordou.

As explorações de ostras, nove na Ria de Alvor e uma 'off-shore' (exploração em mar aberto) em Sagres, foram afetadas em outubro de 2015 por um vírus e por uma bactéria, identificados nas análises do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) como 'herpes vírus' e 'víbrio', respetivamente, que devastou 95% da produção avaliada em cerca de três milhões de euros.

Para Rui Ferreira, as causas da mortandade registada no ano passado "não ficaram bem esclarecidas", situação que motivou a tomada de medidas preventivas por parte dos produtores.

"Estamos a trabalhar com planos permanentes de monitorização, para termos certezas no futuro", concluiu.

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