Novo imposto sobre imobiliário é uma "tragédia" para as empresas

O presidente da Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal (APEMIP) qualificou hoje de "tragédia" para as empresas a aplicação do novo imposto sobre imobiliário de valor fiscal acima dos 600 mil euros.

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Economia APEMIP

Falando durante a conferência "Observatório: O Imobiliário em Portugal", organizada em Lisboa pelo Jornal de Negócios e a empresa imobiliária Century 21, Luís Lima admitiu que num primeiro momento achou "nem ser assim tão mau" o novo imposto previsto na proposta do Orçamento do Estado para 2017, mas após uma análise concluiu ser "uma tragédia autêntica para as empresas".

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Com a incerteza no mercado financeiro, o dirigente da APEMIP recordou que as poupanças transferiram-se dos bancos para o imobiliário e que houve incentivos para "investir no arrendamento como um negócio", pelo que se criaram "centenas, senão milhares de empresas".

Assim, se uma empresa "tiver um ativo que não seja para arrendamento, a parte do arrendamento deduz, mas a outra não" o que, segundo Luís Lima, "vai desincentivar o arrendamento, senão matá-lo".

Além do negócio das pequenas empresas, o líder da APEMIP acrescentou a "tragédia" para quem comprou espaços, em vez de arrendar.

"Para o comércio e serviços é uma tragédia, para a construção e imobiliário também, assim como haverá consequências no âmbito dos vistos 'Gold', porque "quem comprou o primeiro (imóvel pelo mínimo de 500 mil euros) continuou a comprar e criar vínculos, empresas e esses vão pagar (o imposto)".

O programa de vistos Gold prevê a atribuição de autorização de residência mediante determinados investimentos no país.

Durante a sua intervenção, Luís Lima questionou, por diversas vezes, "quais os sinais que se estão a dar a investidores estrangeiros" com a alteração fiscal.

O líder da APEMIP recordou ainda que o programa de residente não habitual, que promove isenções fiscais, não obriga à aquisição de imobiliário, pelo que os estrangeiros "só compram porque acham que vale a pena investir".

"E depois, ainda por cima, um imposto sobre a árvore das patacas", criticou o responsável da associação, acrescentando ainda a subida nas receitas do Imposto Municipal sobre Imóveis e Imposto Municipal sobre Transmissões Onerosos de Imóveis".

Luís Lima terminou a desejar que a proposta do novo imposto ainda seja alterada.

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