Os Certificados chegaram para substituir os Audi. O que vale mais?
Carros de luxo deixarão de ser o prémio para os vencedores do concurso público que premeia os contribuintes mais cumpridores. Entre o estatuto e a poupança, fique a saber as vantagens e desvantagens.
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Economia Fatura da Sorte
Ao longo de quase dois anos, dezenas de portugueses foram premiados com carros Audi pelo cumprimento da obrigação fiscal de pedir o comprovativo de todas as transações no comércio com o número de contribuinte incluído. A famosa 'Fatura da Sorte' ofereceu automóveis dos modelos A4 e A6 em sorteios semanais, com direito a dois concursos extra em junho e dezembro para oferecer mais prémios.
Mas mudam-se os tempos, mudam-se as vontades. A entrada em funções do Governo socialista trouxe uma reformulação do modelo criado pela coligação PSD/CDS-PP, substituído por uma solução mais virada para a poupança e menos para os gastos de manutenção de carros de luxo.
Os Audi vão desaparecer dos concursos e a partir de abril, o Fisco vai oferecer Certificados do Tesouro Poupança Mais com o mesmo valor que custavam os automóveis aos cofres públicos. Semanalmente, a 'Fatura da Sorte' irá premiar um contribuinte português com 35.000 euros aplicados no produto de poupança do Estado, seguindo todas as condições de um depósito constituído por vontade própria.
As vantagens saltam à vista: numa época em que os juros historicamente baixos são a regra na banca, os Certificados oferecem o retorno líquido mais alto do mercado português para os produtos financeiros de médio e longo prazo, cerca de 1,62%/ano durante cinco anos (segundo contas do site ComparaJá.pt). Pelo contrário, os automóveis não têm qualquer potencial de valorização, agravando as perdas ao longo do tempo.
No entanto, as regras da anterior versão da 'Fatura da Sorte' permitiam a venda imediata dos automóveis, permitindo um encaixe financeiro rápido aos contribuintes que não estavam interessados em manter o veículo. Os Certificados seguem as regras gerais definidas pela Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública, ou seja, apenas um ano depois de ser constituída a poupança pode ser levantado o valor investido.
Na prática, os vencedores do concurso do Estado vão ter de sacrificar os ganhos de curto prazo e esperar pelo menos um ano para receber um prémio mais 'gordo'.



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