"Os anos que me restam serão passados a lutar pela honra"
À imagem do que já tinha feito na primeira presença na comissão parlamentar de inquérito ao caso BES, Ricardo Salgado deu início aos trabalhos com a leitura de uma extensa declaração.
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Economia Ricardo Salgado
“Há matéria nova para esclarecer”, adiantou Fernando Negrão no lançamento da comissão de inquérito parlamentar ao BES, que hoje volta a contar com a presença de Ricardo Salgado.
Na longa declaração inicial que deu início aos trabalhos, o antigo líder do BES deixou críticas ao Banco de Portugal, mas também “à maioria daqueles que o rodearam com solicitações e que dirão que nunca sabiam ou se enganaram”.
Na sua declaração, Ricardo Salgado assegura que se esforçou “até ao último dia para proteger o banco”.
E deu o mote para a sua presença hoje na Assembleia da República: "Nos anos que me restam só quero lutar pela minha honra e pela minha família"
Para o homem que durante décadas liderou o maior banco privado português, “na opinião pública criou-se uma imagem rápida e simples sobre este caso e os seus responsáveis”. O responsável único, critica, seria ele, supostamente “porque tinha mandado desde os anos 90 em todos os atos” de gestão do grupo GES mas também do poder político. Mas Salgado faz a sua defesa: “seguramente não tenho tudo a ver com tudo, como tem sido sugerido na opinião pública”.
No início desta sua declaração, Ricardo Salgado assegura que nunca quis refugiar-se “no desconhecimento, até porque a ignorância dos factos não é sinónimo de imunidade”, adiantando ainda que lamenta “profundamente todos os que foram prejudicados” pelo fim do BES e do Grupo Espírito Santo.
Mas fora a censura, sem nomear, a quem o rodeou e agora dele se afastou, o primeiro alvo de críticas do banqueiro foi bem definido: o Banco de Portugal, que censura por “divulgar gota a gota, através da imprensa, elementos para que haja uma pré-decisão”: a da sua culpabilidade.
O antigo líder do BES adiantou ainda que foi através da comunicação social que conheceu a parte da auditoria forense da Deloitte já revelada, algo que considerou ser "inadmissível".
Os trabalhos da comissão de inquérito parlamentar irão prosseguir durante a tarde de hoje. Nesta sua segunda presença, espera-se nova ‘bateria’ de perguntas por parte dos deputados.


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