Numa semana em que ficámos a saber que a administração do Novo Banco (NB) chegou a um acordo com o Banco Nacional de Angola, relativo ao plano de recuperação do BES Angola (BESA), para a recuperação de 20%
dos 3,3 mil milhões emprestados pelo 'falido' BES ao BESA, Bagão Félix confessa a sua “estupefação” à antena da SIC Notícias.
“Sinto-me até mal em falar disto porque isto é de tal maneira grave e visível que não era preciso o Banco de Portugal ter lupa para ver isto”, crítica o antigo ministro das Finanças, considerando que este empréstimo de 3,3 mil milhões de euros “tinha de ser dos conhecimentos das autoridades”, acrescentando que “é estranho, pois isto vem nos balanços”.
Para Bagão Félix, a confirmar-se a situação, o BES emprestou esta quantia a “um banco subsidiário”, em que “não se sabe quem são os beneficiários” de 80% do crédito. Mas, mais grave, há aqui também uma leitura política a fazer.
“O problema deixou de ser contabilístico para ser também político”, considera o antigo governante, recordando de forma veemente que os “intérpretes do Estado” têm de “velar pelo bem comum”.
“O Banco de Angola cuida dos interesses angolanos”, disse ainda, questionando se em Portugal se anda “em roda livre” sobre este assunto. “Estes casos aqui são a evidência de que há uma mão invisível”, critica, sugerindo que há uma sensação de “impunidade” e que se trata de uma situação “atroz” numa altura em que se estão a diminuir tetos sociais, como está previsto no Orçamento do Estado para 2015.