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Desfecho do BES "não é o que mais interessa à economia"

O antigo ministro das Finanças Eduardo Catroga considera que "o desfecho" encontrado para o BES "não é o que mais interessa à economia portuguesa", defendendo que uma solução como a do BCP, BPI ou Banif teria sido "desejável".

Desfecho do BES "não é o que mais interessa à economia"

"Por que é que durante aquelas 48 horas decisivas se resolveu lançar a bomba atómica e como é que se deixou durante largos meses, através da especulação mediática, criar um ambiente de desconfiança", questionou-se Eduardo Catroga em entrevista à Lusa.

Para o ex-ministro de Cavaco Silva, foi "uma conjugação de fatores negativos com vários componentes de responsabilidade" que levou o Banco de Portugal a separar os ativos do BES, colocando os não problemáticos num banco de transição (o Novo Banco) e a manter os considerados tóxicos no chamado 'banco mau', o BES.

Eduardo Catroga apontou ainda a existência de "alguma inação das várias esferas envolvidas nestes processos", destacando "os acionistas e os reguladores", concluindo que, tudo junto, conduziu a "um desfecho que não é o que mais interessa à economia portuguesa".

O economista disse que "ainda hoje [tem] dificuldade em perceber como é que numa semana se passou de uma solução com apoios estatais ou com entrada de investidores para uma situação de desconfiança total que levou à aplicação da bomba atómica".

Para Catroga, "o que teria sido desejável era que este caso atempadamente tivesse uma solução como teve o BCP, o BPI ou a própria Caixa Geral de Depósitos (CGD) ou o próprio Banif".

O Estado português fez injeções de capital no BCP, BPI e Banif, usando em grande parte a compra de instrumentos de capital convertível (os chamados 'coco bonds') para aumentar o capital dos bancos. O Estado fez também uma injeção de capital na CGD, mas neste caso não foi usado este tipo de instrumentos.

"Houve ali uma concentração de fatores negativos que levaram à aplicação da bomba atómica e a aplicação da bomba atómica podia ter sido a solução naquele momento, mas não era a melhor solução do ponto de vista da economia portuguesa", reiterou.

A solução encontrada para resolver os problemas do BES, além da separação dos ativos da instituição, incluiu a capitalização do Novo Banco em 4,9 mil milhões de euros através de um empréstimo do Fundo de Resolução Bancária, dos quais 3,9 mil milhões foram emprestados pelo Estado ao Fundo com recurso ao dinheiro da 'troika.

Em relação à crise do BES e do Grupo Espírito Santo (GES), onde a PT tinha subscrito quase 900 milhões de euros em papel comercial da Rioforte (empresa do GES), Eduardo Catroga deixou uma crítica aos gestores envolvidos.

"Quando dizemos [que alguém é] um grande gestor... O grande teste à qualidade da gestão é a passagem por um período de crise e infelizmente parece que as opções tomadas no caso da PT foram tomadas por um conjunto de acionistas que tinham um projeto estratégico que (...) não tinha muita consistência", disse.

Eduardo Catroga afirmou ainda que casos como o do BES e da PT são "acidentes de percurso tristes e negativos", lamentando que haja tendência para "encontrar uns bodes expiatórios".

Para o ex-governante, "o problema é muito mais vasto", pelo que é preciso "continuar a aperfeiçoar" os mecanismos de funcionamento da economia, de governação das empresas e de concorrência.

"Sou um otimista e acho que o processo de regulação em Portugal tem evoluído e tem melhorado, mas ainda precisa de continuar a ser aperfeiçoado", concluiu.

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