Sidi Ould Tah chega à liderança do BAD depois de ter sido ministro das Finanças da Mauritânia e, mais recentemente, presidente do Banco Árabe para o Desenvolvimento de África (BADEA).
Akinwumi Adesina sai da instituição depois de terminar o segundo mandato, para o qual conseguiu uma inédita votação de 100% dos Estado-membros, que incluem todos os países lusófonos africanos e Portugal, como membro não regional.
Sob a liderança de Adesina, o BAD aumentou o capital autorizado, de 93 mil milhões de dólares para 318 mil milhões de dólares (80 mil milhões de euros para 272 mil milhões de euros), o maior aumento na história do banco, e apresentou, no ano passado, um lucro líquido de 310 milhões de euros, tendo, nesse ano, aprovado 10,6 mil milhões de euros para novos projetos e desembolsado 6,4 mil milhões de euros, um aumento de 15% face a 2023.
Adesina foi também o responsável pela implementação dos High5, as cinco prioridades estratégicas que norteiam os investimentos do BAD - Alimentar África, Industrializar África, Iluminar África, Integrar África e Melhorar a Qualidade de Vida dos Africanos -, e lançou o Compacto Lusófono, uma ferramenta de financiamento de projetos nos PALOP.
Sidi Ould Tah leva para o BAD mais de 35 anos de experiência em financiamento do desenvolvimento, e no BADEA quadruplicou o balanço patrimonial e melhorou o rating da instituição para AAA.
Durante a campanha para a presidência do BAD, apresentou uma plataforma composta de auatro pontos: reformar a arquitetura financeira africana; aproveitar o dividendo demográfico do continente; industrializar de forma sustentável; e desbloquear capitais em grande escala.
Além da mobilização de mais recursos para financiar o desenvolvimento do continente, Ould Tah terá também de lidar com vários fatores adversos, entre os quais o elevado endividamento público e a dificuldade de acesso aos mercados internacionais, os impactos das alterações climáticas no continente e a redução do montante de ajuda externa, nomeadamente dos Estados Unidos.
As parcerias que são apontadas como decisivas pelos vários líderes das instituições financeiras de desenvolvimento podem ser um dos trunfos do novo presidente do BAD, devido à proximidade com os países do Golfo, que têm aumentado o investimento em África e poderão compensar a redução dos fluxos de assistência financeira do Ocidente.
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