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Mortágua alerta que bairros em Lisboa se transformaram em "Disneylândias"

A coordenadora do BE alertou hoje que os bairros em Lisboa se transformaram em "Disneylândias", com excesso de turistas e alojamento local, insistindo na necessidade de limitar esta atividade e suspender a construção de novos hotéis.

Mortágua alerta que bairros em Lisboa se transformaram em "Disneylândias"
Notícias ao Minuto

13:11 - 11/07/24 por Lusa

Política Bloco de Esquerda

"Os bairros transformaram-se em 'Disneylândias', têm excesso de pessoas. O terminal de cruzeiros, por exemplo, em Lisboa, descarrega milhares de pessoas na cidade num fim de semana que não consomem, não deixam nada, a não ser lixo e pressão e poluição, devido aos próprios cruzeiros", alertou Mariana Mortágua, em declarações aos jornalistas no bairro de Alfama, em Lisboa.

 

A líder do BE visitou esta manhã este bairro com o objetivo de alertar para fenómenos como o "turismo excessivo", a construção de novos hotéis ou o aumento de alojamentos locais na capital mas também noutros locais do país, como no Porto ou Algarve.

"Chega a um momento em que nós temos de olhar para a realidade das pessoas, como elas vivem, como elas não conseguem ter habitação, como a economia está excessivamente dependente do turismo, como o turismo pressiona as nossas cidades, causa poluição, e é preciso dizer que há um limite e que o turismo tem de ter regras. Tem de haver um limite para o número de hotéis que pode ser construído em Lisboa e tem de haver um limite para o número de alojamento local que um bairro como Alfama pode comportar", defendeu.

Com várias críticas ao presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas (PSD), Mortágua afirmou que desde o início do mandato do social-democrata, em Lisboa, "abriram hotéis a uma velocidade de dois a cada mês".

"Não nos digam que o problema da habitação é um problema de falta de construção, porque a construção para hotéis, para alojamento local, para condomínios de luxo, tem continuado. O problema é que cada vez mais as casas estão a ser sugadas para o turismo, para a habitação de luxo, que é virada para o mercado externo, e não há casas onde as pessoas possam viver", argumentou.

A bloquista insistiu em medidas já apresentadas pelo partido no parlamento e chumbadas, como parar a construção de novos hotéis enquanto não for feita uma avaliação em território nacional de quantos empreendimentos é que um território pode comportar, prazos para as licenças de alojamento local, zonas de contenção para esta atividade ou a proibição da venda de casas a não residentes.

Mariana Mortágua afirmou que estas são propostas "tão importantes quanto a gravidade da crise da habitação" e que o BE não desiste delas, apontando que "em todo o mundo e por toda a Europa há governos e movimentos sociais e autarquias que se estão a unir para resolver a crise da habitação, para travar o alojamento local, para travar o excesso de turismo, e Portugal parece estar em contraciclo".

"Carlos Moedas a apostar no turismo em Lisboa e Luís Montenegro a retirar as poucas regulações que existiam para o alojamento local. O caminho é o inverso: mais regulamentação do alojamento local, mais limites ao alojamento local, moratórias sobre hotéis, mais limites à venda de casas a não-residentes endinheirados, mais casas disponíveis para quem quer trabalhar e viver em Portugal", insistiu.

Ao longo do pequeno percurso que fez no bairro de Alfama, Mariana Mortágua cruzou-se com alguns moradores que pediam "casas para viver" mas também muitos turistas, que passeavam pelo bairro a pé ou até em trotinetes elétricas, que chamavam à atenção no meio da imagem típica do bairro lisboeta.

Lino Ramos, que vive no bairro há quase 50 anos, acompanhou a comitiva do BE e pelo caminho foi tecendo duras críticas à atividade do alojamento local e ao preço das casas, afirmando que há quem peça 1.200 euros de renda por um T0 no local.

"O que prometeram às pessoas no princípio foi 'a gente arranja-vos as casas e depois voltam', e entrou o alojamento local e ninguém voltou", lamentou.

Leia Também: Mortágua adverte PGR que "em democracia ninguém está acima da crítica"

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