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Bolsa de Paris mergulha na incerteza após anúncio da dissolução do parlamento

O anúncio surpresa da realização de eleições legislativas dentro de três semanas em França provocou uma queda acentuada da Bolsa de Paris, que ficou mergulhada na incerteza perante a possibilidade de um governo de extrema-direita no país.

Bolsa de Paris mergulha na incerteza após anúncio da dissolução do parlamento
Notícias ao Minuto

14:27 - 10/06/24 por Lusa

Economia Europeias/França

A perspetiva de que a União Nacional (Rassemblement National, RN na sigla francesa), de Marine le Pen, que triunfou nas eleições europeias de domingo, chegue ao poder em julho também fez subir os juros da dívida do Estado francês.

Citado pela AFP, o economista-chefe da Oddo BHF, Bruno Cavalier, lembrou que os mercados financeiros não gostam de incertezas e que "os acontecimentos recentes criam incerteza, numa altura em que os últimos resultados, tanto económicos como orçamentais, são bastante medíocres".

Há 10 dias, a França viu a sua notação de crédito ser reduzida em um nível pela agência de notação S&P, que sancionou o agravamento dos défices públicos do país e não acreditou na promessa de uma recuperação das contas até ao final do mandato de Emmanuel Macron, em 2027.

"Pensámos que o fim do mandato presidencial seria normal, não imaginámos um cenário e um risco destes", disse, por sua vez, à AFP Alexandre Baradez, responsável pela análise de mercado da IG France.

Já o historiador Jean Garrigues considera que, com a dissolução do parlamento, Emmanuel Macron está a fazer "uma aposta extremamente arriscada": "Estas eleições vão colocar os franceses perante um facto consumado: queremos um governo do RN?", questiona.

"Esta é a eleição legislativa que terá as consequências mais profundas para França, para o povo francês, na história da Quinta República", afirmou hoje o ministro das Finanças francês, Bruno Le Maire, aos microfones da rádio RTL.

No início da sessão, o principal índice da Bolsa de Paris, o CAC 40, caía 2,37%. Por volta das 12:15 (10:15 GMT), registava uma queda de 2,01%.

"Os investidores estão a tomar consciência da possibilidade de uma viragem decisiva à direita em França", comenta Neil Wilson, analista da Finalto. No entanto, é pouco provável que o RN consiga uma maioria na Assembleia Nacional, segundo os analistas.

A nível europeu, os investidores estão preocupados com "o peso da França no seio da União Europeia", explica Alexandre Baradez, com um partido que defende "uma Europa das nações" como principal força política.

Este receio estava a arrastar a moeda europeia, com o euro a desvalorizar-se 0,57% face ao dólar, para 1,0739 dólares por euro, por volta das 12:15.

O partido da extrema-direita União Nacional ganhou as eleições europeias de domingo com 31,37%, segundo os resultados finais publicados pelo Parlamento Europeu (PE).

Segundo os últimos dados publicados, o RN elegeu 30 eurodeputados, seguindo-se a coligação do partido do Presidente, Emmanuel Macron, com 14,60% (13 lugares), e a coligação dos socialistas 13,83% (13).

Face à vitória destacada da extrema-direita em França, país que elege 81 eurodeputados, Macron anunciou a convocação de eleições legislativas.

"Não posso fingir que nada aconteceu", justificou Macron, numa declaração a partir do Palácio do Eliseu, após serem anunciadas as projeções de resultados que davam a coligação encabeçada pelo partido do Presidente, Renascença, com 15,2%, e a União Nacional (Rassemblement National, RN na sigla francesa), de Marine le Pen, com 31,5%.

"Após ter efetuado as consultas previstas no artigo 12.º da nossa Constituição, decidi devolver-vos a escolha do nosso futuro parlamentar através do voto", disse Macron.

"Dentro de alguns instantes, assinarei o decreto de convocação das eleições legislativas, que se realizarão a 30 de junho para a primeira volta e a 07 de julho para a segunda", acrescentou.

As eleições legislativas estavam previstas para junho de 2027, dois meses depois das eleições presidenciais.

Já esta manhã, a União Nacional anunciou Jordan Bardella como candidato ao cargo de primeiro-ministro de França.

Leia Também: Bardella é o candidato da extrema-direita a primeiro-ministro de França

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