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FMI. Défices orçamentais tendem a ser mais altos em anos de eleições

O FMI estima que em anos de eleições os défices orçamentais tendem a ser, em média, três décimas mais elevados do que habitualmente, apontou a vice-diretora do departamento de assuntos orçamentais do FMI, Era Dabla-Norris, em entrevista à Lusa.

FMI. Défices orçamentais tendem a ser mais altos em anos de eleições
Notícias ao Minuto

08:50 - 18/04/24 por Lusa

Economia FMI

"A história mostra que os governos tendem a gastar mais e a tributar menos durante os anos de eleições, o que se aplica em países de todos os grupos de rendimento. Os défices em anos eleitorais tendem a ser, em média, 0,3 pontos percentuais (pp.) do Produto Interno Bruto (PIB) superiores ao habitual", disse Era Dabla-Norris, em entrevista à Lusa, à margem dos encontros de primavera do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial, que decorrem em Washington, nos EUA.

O FMI recorda que 88 economias ou áreas económicas já tiveram ou deverão ter eleições nacionais (parlamentares ou presidenciais), que representam 55% do PIB global.

"A tendência para uma política orçamental mais flexível e maiores derrapagens orçamentais durante os anos eleitorais é um fenómeno comummente referido como o 'ciclo político-orçamental'. Isto poderia exercer pressão ascendente sobre a dívida", assinala.

Era Dabla-Norris aponta que os défices orçamentais reais também tendem a exceder as previsões em 0,4 pp. do PIB, criando o que FMI chama de derrapagens orçamentais, o que considera ser "um desafio num ambiente de dívida já elevada e de condições económicas globais mais incertas e potencialmente voláteis".

"O nosso conselho é que sejam contidos e que os países continuem a normalizar as políticas orçamentais e a reduzir a dívida", salienta.

A responsável do FMI recorda que "os legados das políticas orçamentais da era pandémica incluem dívida, taxas de juro e défices mais elevados", o que cria "desafios para os governos que procuram a consolidação orçamental".

"Níveis de dívida mais elevados exigem uma consolidação orçamental mais forte para estabilizar os rácios dívida/PIB. Em 2023, a redução média dos défices primários necessária para estabilizar os níveis da dívida foi de um pp. do PIB nas economias avançadas", refere.

Era Dabla-Norris considera que com "os resultados de condições financeiras mais restritivas, os governos enfrentam custos elevados do serviço da dívida", exemplificando que nos Estados Unidos as despesas com juros deverão aumentar para 3,9% do PIB até 2029, um ponto percentual acima dos níveis pré-pandemia.

Para além dos custos do serviço da dívida, em "muitas economias, as despesas permaneceram superiores às projeções pré-pandemia, refletindo uma lenta reversão dos subsídios e transferências da crise pandémica", acrescendo ainda entre os riscos que "o aumento da dívida pública nos EUA e na China poderá ter repercussões na economia global complicando ainda mais os esforços de consolidação fiscal".

O FMI melhorou em uma décima a previsão do crescimento global para 3,2% este ano, taxa que também espera para o próximo ano, de acordo com as previsões económicas mundiais divulgadas durante os encontros anuais do FMI e do Banco Mundial.

Leia Também: FMI alerta que inflação já não vai contribuir para redução dos défices

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