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Economia russa continua a resistir dois anos depois de invadir a Ucrânia

A militarização da economia russa, com a reorientação praticamente total para a indústria do armamento, com o aumento da produção, têm-lhe permitido resistir e evitar o colapso perante as sanções internacionais, dois anos depois da invasão da Ucrânia.

Economia russa continua a resistir dois anos depois de invadir a Ucrânia
Notícias ao Minuto

10:06 - 24/02/24 por Lusa

Economia Ucrânia

Na madrugada de 24 de fevereiro de 2022, a Rússia lançava uma ofensiva militar em território da Ucrânia, com forças terrestres e bombardeamento de alvos em várias cidades. No final desse ano, enquanto o Produto Interno Bruto (PIB) ucraniano se contraia quase 30%, o russo encolhia 1,2%.

No ano seguinte, em 2023, a economia russa voltou a mostrar-se resiliente e a atividade cresceu, conseguindo uma expansão do PIB de 3,6%, segundo a primeira estimativa publicada pela agência de estatísticas Rosstat.

A atividade foi apoiada por preços favoráveis da energia, condições de crédito mais flexíveis e sobretudo por uma procura interna estimulada pelo setor da Defesa, com um aumento dos salários reais para atrair trabalhadores para os setores mais afetados pela escassez, com mais de meio milhão de russos na indústria de defesa desde 2022, segundo as autoridades.

O crescimento da economia deverá desacelerar ligeiramente para 2,6% em 2024 e 1,1% em 2026, mas ainda assim para este ano acima do previsto anteriormente, segundo dados do Fundo Monetário Internacional (FMI), divulgados, em janeiro, no World Economic Outlook (WEO).

A evolução prevista reflete o efeito de arrastamento do crescimento mais forte do que o esperado em 2023, devido aos elevados gastos militares e ao consumo privado, apoiado pelo crescimento dos salários num mercado de trabalho restritivo.

Uma previsão dentro do intervalo projetado pelo Banco Central da Rússia, que espera um crescimento do PIB entre 1% a 2% em 2024 e 2025 e entre 1,5% e 2,5% em 2026.

"No que diz respeito à questão da economia russa e das sanções, o que posso dizer é que a economia da Rússia tem, de facto, surpreendido em termos da força do crescimento até agora", afirmou a porta-voz do FMI, Julie Kozack, em conferência de imprensa, em Washington, esta semana.

A representante do FMI destacou, contudo, que a Rússia tem "uma economia de guerra", pelo que existe "uma grande quantidade de despesas militares na economia, o que está a impulsionar a produção".

Um estudo da Allianz Trade, acionista da COSEC - Companhia de Seguro de Créditos, destaca que as indústrias de guerra e a construção, em particular, aumentaram nos últimos dois anos, sendo a sua produção, em 2023, 35% e 15% superior à de 2021, respetivamente.

Segundo o presidente russo, Vladimir Putin, mais de meio milhão de russos aderiram à indústria de defesa desde 2022 e, no último ano e meio, foram criados 520 mil novos empregos nesta área.

A Allianz Trade assinala que, por outro lado, a produção nos setores automóvel e dos transportes aéreos ficou, no ano passado, "muito abaixo dos níveis anteriores à guerra", enquanto paralelamente o país registou uma redução do excedente da balança corrente.

As exportações russas de bens e serviços caíram 27% em termos anuais em 2023, devido ao aumento das sanções ocidentais e à relativa normalização dos preços globais do petróleo e do gás, segundo o estudo, que, contudo, alerta que existe uma "potencial evasão das sanções".

"Apesar dos esforços de aplicação das sanções, os produtos da UE continuam a chegar à Rússia através de países terceiros. Os dados comerciais sugerem que os produtos sancionados pela UE estão a ser exportados da UE para nações como a Turquia e países da Ásia Central que têm laços estreitos com a Rússia e não impuseram sanções", refere.

A análise aponta que, embora a maioria dos países ocidentais tenha reduzido significativamente as exportações diretas para a Rússia, as exportações da UE para a Turquia aumentaram 106%, em média, entre 2019 e 2023 e as economias da Ásia Central registaram um aumento de 172% durante o mesmo período.

"Estas tendências coincidem com o aumento do comércio entre estas regiões e a Rússia", argumenta.

Paralelamente, chegam de Moscovo sinais de sobreaquecimento da economia, alimentado pela explosão de encomendas militares para abastecer os soldados russos que combatem na Ucrânia. O aumento de preços tem sido uma das principais preocupações da população russa, cujo poder de compra tem sido penalizado pelo efeito das sanções ocidentais e pela fragilidade do rublo face ao euro e ao dólar.

O presidente russo já pediu ao Governo "uma atenção especial" ao "controlo" da inflação, a menos de um mês das eleições presidenciais que o devem reeleger para ficar no Kremlin até 2030.

De acordo com os dados do Banco Central Russo, no final de dezembro, a inflação homóloga no país foi de 7,4% (a mesma taxa registada em janeiro deste ano), tendo a inflação média anual sido de 5,9%. A instituição prevê que a taxa anual irá cair para entre 4% a 4,5% em 2024 e estabilizará perto dos 4% posteriormente.

Em fevereiro, o Banco Central da Rússia manteve a taxa de juro em 16%, apontando que as pressões inflacionistas, apesar de altas, abrandaram face aos meses de outono, depois de nos últimos meses ter tentado combater a subida de preços.

O banco tinha subido, em dezembro, a principal taxa de juro para 16%, o quinto aumento consecutivo desde julho de 2023, para travar o aumento de preços registado desde a primavera passada. Em 14 de fevereiro de 2022, a principal taxa era de 9,50%, tendo subido em 28 de fevereiro, dias depois da invasão, para 20%.

O FMI prevê que, daqui para a frente, com a Rússia isolada do sistema financeiro internacional (na sexta-feira, a União Europeia anunciou o 13.º pacote de sanções contra o país, que excede o limiar de 2.000 inclusões na lista, e os EUA mais 500 novas sanções) e um acesso reduzido às tecnologias, aliado a uma perda de mão-de-obra altamente qualificada na força de trabalho, o crescimento venha a enfraquecer "a médio prazo".

A invasão russa da Ucrânia foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e o reforço de sanções económicas e políticas a Moscovo.

Leia Também: Secretário-geral da NATO exorta Ucrânia a "não perder a esperança"

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