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BCE começou tarde mas deverá subir taxas de juro duas vezes este ano

Os analistas consultados pela Lusa defenderam hoje que, apesar de o Banco Central Europeu (BCE) ter começado "demasiado tarde", agora está a comunicar de forma clara, e anteciparam, pelo menos, duas subidas das taxas diretoras até ao final do ano.

BCE começou tarde mas deverá subir taxas de juro duas vezes este ano
Notícias ao Minuto

19:03 - 27/06/23 por Lusa

Economia Analistas

A presidente do BCE, Christine Lagarde, disse hoje que a natureza da inflação na zona euro está a mudar e é improvável que, no futuro próximo, o banco central possa declarar que as taxas diretoras máximas foram atingidas.

Em Sintra, na abertura do Fórum do Banco Central (BCE), Christine Lagarde reafirmou que a inflação na zona euro é demasiado elevada e continuará a sê-lo durante demasiado tempo, sendo que o compromisso do banco central em atingir a meta de inflação de 2% se mantém.

A presidente do BCE reafirmou o sinalizado na última reunião do Conselho de Governadores deste mês: "Exceto se ocorrer uma alteração substancial das perspetivas de inflação", o banco central continuará "a aumentar as taxas em julho".

Em resposta à Lusa, os analistas da XTB Henrique Tomé e Vítor Madeira sublinharam que, nos últimos meses, tem-se observado uma queda na inflação e um "arrefecimento económico" em países como a Alemanha ou França, o que pode demonstrar que o "abrandamento inflacionário deverá continuar".

Contudo, segundo defenderam, o ritmo da queda pode estar a comprometer a meta dos 2% até ao final de 2024.

Apesar de já se notar o impacto da subida dos juros no setor da indústria, o setor dos serviços "continua mais resiliente, o que torna difícil o combate à subida de preços".

Esta situação acaba "por ser um dilema para o BCE, pois poderá ter de sacrificar a economia para conseguir controlar a inflação", caso as atuais circunstâncias se mantenham.

Henrique Tomé e Vítor Madeira perspetivam assim que, para controlar a inflação, o BCE deverá subir as taxas de juro "pelo menos mais duas vezes este ano, o que provavelmente penalizará a atividade económica".

Por outro lado, lembraram que outros bancos centrais de países desenvolvidos só começaram a referir a paragem na subida dos juros quando estes estavam acima de 5%.

"O comportamento das Euribor deverá continuar a subir em linha com o que tem acontecido até que a taxa terminal seja atingida. No caso das famílias, o impacto destas medidas desencoraja o endividamento, abranda o consumo pela via do rendimento disponível das famílias mais endividadas e pode ainda criar aumentos de desemprego", acrescentaram.

O analista da ActivTrades Mário Martins disse concordar com as recentes declarações da presidente do BCE, notando que já era esperado que a política monetária na zona euro "se mantivesse em modo restritivo durante um período de tempo alargado", tendo em conta que, para além de reduzir a inflação, o objetivo passa também por reduzir a subida de preços até aos 2%.

O BCE "começou demasiado tarde, como de costume, mas, de momento, está a fazer o que deve e a comunicar de forma clara o que esperar para o resto do ano", vincou.

No que se refere ao impacto destas decisões, Mário Martins sublinhou que já era expectável que os juros se mantivessem a subir.

Assim, "tem que haver 'dor' para os consumidores reduzirem o seu apetite, no sentido de regular definitivamente os desequilíbrios que se geraram com a pandemia e a guerra".

A Euribor deverá continuar a subir, "embora de forma mais gradual".

Christine Lagarde explicou hoje, em Sintra, que existem duas fontes de incerteza que afetam o "nível" e a "duração" das taxas diretoras.

Por um lado, a incerteza quanto à persistência da inflação leva a que o nível em que as taxas atingirão um máximo dependerá da situação.

"Dependerá de como a economia e várias das forças que descrevi evoluem com o tempo. Além disso, terá de ser continuamente reavaliado ao longo do tempo", afirmou.

Assim, considera ser "improvável que, no futuro próximo, o banco central possa declarar com toda a confiança que as taxas máximas foram atingidas".

Leia Também: Euro volta a subir e aproxima-se dos 1,1 dólares

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