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"O e-commerce é uma das alavancas de crescimento dos CTT"

O administrador dos CTT João Sousa é o entrevistado desta terça-feira do Vozes ao Minuto.

"O e-commerce é uma das alavancas de crescimento dos CTT"

Os CTT - Correios de Portugal estão focados em reforçar a aposta no comércio eletrónico (e-commerce), que foi impulsionado pela pandemia, sendo que este segmento será uma das alavancas de crescimento da empresa, de acordo com o administrador João Sousa. 

Em resposta às questões colocadas pelo Notícias ao Minuto, por e-mail, a propósito do lançamento da nova rede ibérica de cacifos - a Locky -, João Sousa revelou que esta é uma solução que "permite liberdade e autonomia" para quem faz compras online. Na prática, trata-se de colocar as "encomendas à espera dos clientes em vez de serem os clientes à espera das suas encomendas".

O administrador da operadora de correios admite, contudo, que o contexto atual não permite antecipar cenários futuros, dada a incerteza e a volatilidade, detalhando que as avaliações devem ser feitas diariamente. 

Sobre a subida dos preços, João Sousa lembra que há uma "pressão inflacionista a nível mundial, com fortes subidas nos preços das matérias-primas". Além disso, admite que o aumento dos combustíveis tem impacto nos CTT, "como em qualquer empresa que tenha na sua operação uma frota de veículos", mas lembra que a empresa tem vindo a "reduzir (e muito)" a dependência de veículos a combustão, apostando na eletrificação da frota.  

Conseguimos pôr as encomendas à espera dos clientes em vez de serem os clientes à espera das suas encomendas

Os CTT anunciam uma nova marca de cacifos. Esta aposta, que tem vindo já a ser firmada com o reforço desta rede dos CTT em vários pontos do país, visa responder a novas necessidades dos clientes, facilitando as entregas? 

Sim. Os CTT são uma Empresa focada nas necessidades dos seus clientes e, como sabemos, num contexto de profunda transformação, o negócio e os serviços que disponibilizamos têm, na sua génese, a adaptação a essa evolução para facilitar o quotidiano das pessoas. 

Nos últimos três anos, devido à pandemia de Covid-19, assistimos ao boom do e-Commerce. Por isso, faz todo o sentido uma solução que permite liberdade e autonomia aos consumidores que fazem as suas compras online, uma vez que não têm de estar em casa para receber as suas encomendas. 

Com a solução dos cacifos, e agora com a nova rede ibérica Locky, conseguimos pôr as encomendas à espera dos clientes em vez de serem os clientes à espera das suas encomendas. A propósito do crescimento do comércio eletrónico, percebemos desde muito cedo que ia ser decisivo dispor de uma infraestrutura de cacifos para poder acompanhar não só as necessidades do país, mas também as nossas próprias necessidades. 

O lançamento da marca Locky para a rede de cacifos significa a terceira leva de investimento que fazemos nesta frente específica. Os CTT foram pioneiros na implementação dos cacifos em Portugal e neste momento contam com uma oferta superior a 250 localizados de norte a sul do País. Até ao final do ano contamos ampliar a nossa rede em Portugal até aos mil cacifos, apostando também no mercado espanhol, e levar a marca Locky a um posicionamento ibérico.

Leia Também: CTT lançam nova marca de cacifos. Chama-se Locky e é uma rede ibérica

A criação desta rede ibérica visa reforçar a internacionalização da marca CTT ou surge, em parte, como resposta à atividade de uma outra marca espanhola (a Correos Express) no mercado português? 

Os CTT já são uma marca ibérica e são o player de referência no mercado. Da mesma forma que entregamos encomendas em Portugal, fazemo-lo em Espanha. Dispomos de uma rede que nos permite agilidade e rapidez, mas claro que a nova marca Locky surge como uma soma de vários fatores para ajudar o e-commerce a crescer, tanto do lado de quem vende, como do lado de quem compra. 

As expectativas para a utilização da rede Locky são muito elevadas, uma vez que sabemos que este era um passo essencial para ajudar a fazer crescer o negócio do comércio eletrónico em Portugal e Espanha. 

Acreditamos agora, com a marca própria, e com uma comunicação e uma dinamização, que vai haver uma explosão de utilização destes mesmos lockers que também uma vertente de sustentabilidade bastante forte. Basta pensarmos na redução das emissões de carbono que são evitadas quando nos deslocamos aos domicílios e as pessoas não estão lá para receber as suas encomendas. 

O e-commerce é uma das alavancas de crescimento dos CTT e onde temos vindo a reforçar a nossa aposta operacional e de produto

A empresa tem apostado em várias iniciativas de apoio ao comércio eletrónico, ajudando a criar um caminho online para as empresas. Este investimento é para continuar? 

Os últimos três anos mudaram paradigmas, mas não foram só os consumidores que sentiram uma necessidade de adaptação, uma vez que, quem vende, também teve de alterar as suas estratégias. Falamos de um mercado com mais oferta, mais competitivo, mas também de clientes cada vez mais exigentes e informados. Os CTT apresentaram no final do ano passado um relatório em que demonstraram precisamente que cada vez mais portugueses têm vindo a aderir às compras online. 

Cerca de 4,4 milhões de portugueses fizeram pelo menos uma compra online durante o ano de 2020 - ano marcado pelo primeiro confinamento geral em Portugal - e estima-se que no final de 2021 sejam já 4,6 milhões de portugueses a comprar online, quase metade da população do nosso País. 

Nos CTT fomos testemunhas dessa mudança e fizemos questão de acompanhar essa transformação digital, apoiando o nosso tecido empresarial e a nossa economia. Lançámos, desde o início da pandemia, vários serviços e campanhas para empresas permitindo que estas continuassem, em segurança, a gerir os seus negócios remotamente e em contexto cada vez mais digital. É exemplo disso o Criar Lojas Online e a App CTT Comércio Local. 

O e-commerce é uma das alavancas de crescimento dos CTT e onde temos vindo a reforçar a nossa aposta operacional e de produto, subindo gradualmente na cadeia de valor com a disponibilização de plataformas e serviços integrados de venda online e continuará a ser essa a nossa aposta, indo ao encontro das necessidades dos nossos clientes e continuará a ser essa a nossa aposta no futuro. 

Há três anos era mais fácil olhar para o futuro e, de certa forma, saber o que nos esperava, mas hoje em dia somos testemunhas da volatilidade e da instabilidade

Como perspetiva os próximos meses tendo em conta que as previsões apontam para que a inflação continue a acelerar? Qual poderá ser o impacto no negócio dos CTT? 

O contexto de enorme instabilidade que vivemos não deixa margem para previsões. Depois de uma pandemia, assistimos agora a uma guerra, que ninguém sabe quando é que vai terminar. Vivemos tempos de grande instabilidade e a única certeza que temos, no dia a dia, é que isso tem impacto na vida das pessoas. Qualquer que seja a consequência – e sabemos que existem essas consequências – tem de ser avaliada no momento presente. Há três anos era mais fácil olhar para o futuro e, de certa forma, saber o que nos esperava, mas hoje em dia somos testemunhas da volatilidade e da instabilidade, que não nos permite dar cenários como certos. O que é hoje já não é amanhã e o contexto atual exige uma avaliação diária, seja qual for a situação. 

Os CTT têm em vista uma subida dos preços? 

Existe uma pressão inflacionista a nível mundial, com fortes subidas nos preços das matérias-primas, por exemplo. Ao contrário da maior parte dos nossos concorrentes, os CTT não fizeram uma atualização de preços logo no início do ano, precisamente porque existiam dúvidas sobre a evolução do contexto. Essa atualização de preços ocorreu apenas a partir de 1 de maio. 

Quanto à subida dos preços dos combustíveis, é natural que tenha impacto nos CTT como em qualquer empresa que tenha na sua operação uma frota de veículos. Contudo, temos vindo a reduzir (e muito) a nossa dependência de veículos a combustão tradicional e temos vindo a apostar, nos últimos anos, na eletrificação da sua frota, através da incorporação de veículos alternativos na operação.

A frota alternativa dos CTT conta atualmente com mais de 400 veículos e a empresa disponibiliza uma oferta de entregas verdes, em veículo 100% elétrico, aos seus clientes empresariais. Desta forma, em 2021, os quilómetros percorridos pelos veículos da frota alternativa dos CTT aumentaram 57% face a 2020. 

Com a aposta na expansão da frota alternativa, os CTT já operam com dois hubs totalmente elétricos, em que a atividade regular é efetuada sem emissão de poluentes, contribuindo para uma melhoria da qualidade do ar dos grandes centros urbanos. Falo dos Centros de Distribuição Postal da Junqueira e Arroios, bem no centro de Lisboa, estando os CTT já a trabalhar para a eletrificação de outros centros.

Leia Também: Procura emprego de verão? CTT estão a recrutar carteiros

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