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Viticultores do Douro queixam-se de quebras acentuadas nos rendimentos

Pequenos e médios viticultores do Douro queixam-se de quebras acentuadas na produção de vinho do Porto e no preço dos vinhos nos últimos 20 anos, e alertam para a sustentabilidade das explorações que deixaram de ser rentáveis.

Viticultores do Douro queixam-se de quebras acentuadas nos rendimentos
Notícias ao Minuto

10:19 - 09/12/21 por Lusa

Economia Douro

"Neste momento os rendimentos dos viticultores não chegam para pagar os custos de produção", afirmou à agência Lusa Vítor Herdeiro, dirigente da Associação dos Viticultores e da Agricultura Familiar Douriense (Avadouriense), que tem sede em Vila Real.

O Alto Douro Vinhateiro (ADV) assinala a 14 de dezembro os 20 anos da classificação como Património Mundial da UNESCO.

No momento da celebração, são várias as vozes de alerta para a sustentabilidade social e económica do Douro, onde há cerca de 19.633 agricultores que diariamente trabalham as vinhas.

Em duas décadas, a produção de vinho do Porto, que é a principal fonte de riqueza da região, decresceu dos cerca de 95 milhões de litros para os cerca de 70 milhões de litros.

Na opinião de Vítor Herdeiro, a classificação do ADV tem aspetos positivos e negativos. Ou seja, as "explorações cresceram, modernizaram-se, houve inovação e apoios para a aquisição de maquinaria, como tratores, melhoramento de castas e mais qualidade nos vinhos".

"Agora, onde nós pensávamos que iria haver mais aspetos positivos é o contrário. Pensávamos que esta entrada no Património Mundial iria trazer melhores condições de vida para os vitivinicultores, mais rendimentos e estabilidade para a família e foi precisamente o contrário (...) O rendimento das explorações baixou drasticamente", frisou.

A expectativa era, segundo o dirigente, um "aumento de preços, para além do aumento da produção", mas "a realidade" é que os "preços começaram a baixar". Vítor Herdeiro concretizou que a pipa de vinho do Porto já foi vendida a "1.250 euros" e, neste momento, está a ser vendida a "800, 900 euros".

Segundo o responsável, também o benefício, a quantidade de mosto que cada produtor pode transformar em vinho do Porto, "veio decrescendo".

"Na minha exploração de três hectares, há 20 anos fazia 15 mil euros de negócio em vinho e azeite. Neste momento faz cerca de seis mil e tal euros", exemplificou o dirigente que é também produtor na zona de Abaças, em Vila Real, uma zona mais alta e afastada do rio Douro.

Manuel Heleno, 81 anos e com cinco hectares de vinha na mesma freguesia, afirmou que a "vida dos agricultores não está nada melhor".

"Cada vez está pior, pessoal não há para trabalhar, as coisas estão mais caras e estão-nos sempre a cortar o benefício. Quanto comprei a vinha cheguei a ter 21 pipas de benefício e hoje tenho 12 ou 13", lamentou o viticultor.

Manuel Heleno disse estar "completamente desiludido". "Eu e a minha mulher trabalhamos muito para enterrar lá e para hoje não vermos nada. Foi a asneira que eu fiz. Hoje a gente olha para as mãos e não se vê nada", salientou o antigo emigrante e padeiro.

O desalento está estampado no rosto do agricultor que afirmou que o rendimento que tira da vinha já não dá para pagar o que lá gasta, referindo ainda que paga "10 euros à hora" a quem contrata para fazer o trabalho e que os produtos "estão, também, cada vez mais caros".

"O vinho tratado dava alguma coisa. Agora cortam à produção, ao preço e não dá para nada", frisou.

Relativamente aos vinhos de consumo, Vítor Herdeiro disse que a produção e a qualidade aumentaram, mas que os agricultores vendem a pipa por "250 a 300 euros" e que, "para ser bem paga", teria de ascender pelo menos aos "500 a 600 euros".

"Nós, produtores, vendemos uma garrafa de vinho a 50 cêntimos e, depois, sentamo-nos num restaurante e pagamos por um vinho sete euros, o que não é normal", frisou.

Para além disso, acrescentou, os viticultores vendem "todos os anos as uvas sem preço", ou seja, elas são entregues sem se saber a quanto vão ser pagas.

Por fim, defendeu um "aumento exponencial dos preços dos vinhos" para fixar os produtores e evitar o abandono das propriedades que fazem o Património Mundial.

Vítor Herdeiro reclamou também uma "instituição forte" que defenda os viticultores, como já foi a Casa do Douro.

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