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Crescimento da produtividade é principal risco macroeconómico

O Conselho das Finanças Públicas (CFP) considera que o crescimento da produtividade em Portugal é o principal risco macroeconómico a longo prazo, de acordo com o relatório Riscos Orçamentais e Sustentabilidade das Finanças Públicas, divulgado hoje.

Crescimento da produtividade é principal risco macroeconómico
Notícias ao Minuto

12:00 - 02/12/21 por Lusa

Economia CFP

"O crescimento da produtividade é o principal risco macroeconómico no longo prazo, à semelhança do que foi identificado no relatório dos Riscos Orçamentais e Sustentabilidade das Finanças Públicas de 2018", pode ler-se no documento hoje conhecido.

A instituição liderada por Nazaré da Costa Cabral adverte, no entanto, que "as projeções para a evolução da produtividade do trabalho estão envoltas em muita incerteza".

"No cenário do CFP, a recuperação, em 2021-2025, do choque da pandemia e a convergência para um crescimento de 1,1% no longo prazo estão dependentes de um contributo da intensidade do capital que não se observou no passado mais recente de expansão económica, mas se espera que em parte decorra da execução do PRR [Plano de Recuperação e Resiliência]", refere o documento.

A instituição que escrutina as Finanças Públicas nacionais assinala que o contributo da acumulação de capital "pressupõe a manutenção de condições de financiamento favoráveis e a estabilização do rácio de investimento no produto em torno dos valores projetados para o final do período de execução do PRR (2021-2026)".

O CFP assume "uma trajetória ascendente" do rácio em causa, pressupondo "uma eficiente execução do PRR e absorção dos fundos na economia".

"Desta forma, uma execução do plano abaixo do esperado poderá levar a rácios do investimento mais reduzidos, prejudicando a intensidade do capital e logo a produtividade do trabalho e o crescimento de longo prazo da economia", pode ler-se no texto.

Os outros riscos sinalizados pela entidade estão relacionados com o hiato do produto (diferença entre PIB potencial e real), com o impacto da pandemia de covid-19, com o mercado de trabalho, com o investimento e com a relação da pandemia com a produtividade.

Quanto ao hiato do produto, a sua estimativa "deve ser analisada com cuidado adicional", devido à "magnitude do choque provocado pela covid-19 e a elevada incerteza na natureza dos seus efeitos (cíclicos ou estruturais) no produto potencial".

"Essa incerteza acresce às restantes fontes de incerteza que tipicamente enquadram as estimativas do produto potencial e hiato do produto", que são habitualmente associados às incertezas quanto a amostras, incorporação de nova informação e metodologias de cálculo do produto potencial.

Quanto à pandemia, os seus impactos "na estrutura produtiva da economia portuguesa deverão sentir-se tanto no curto como no longo prazo".

"Estes poderão materializar-se tanto ao nível do mercado de trabalho, como do investimento, ou das dinâmicas de produtividade, constituindo, assim, um risco relevante para o crescimento da economia nacional", avisa o Conselho das Finanças Públicas.

Já relativamente ao mercado de trabalho, "ainda que, no curto prazo, não se tenha observado uma redução significativa no emprego, uma possível reorientação dos recursos produtivos dos setores menos produtivos para os setores mais produtivos, ou uma alteração permanente dos padrões de procura da economia, poderão levar a um aumento do desemprego por via da desadequação de competências entre a oferta e procura de emprego".

Essa desadequação poderá eventualmente originar "o fenómeno de histerese no mercado de trabalho (manutenção da taxa de desemprego em níveis mais elevados)", que tenderá a "diluir-se de forma gradual, à medida que os trabalhadores com as qualificações desadequadas abandonam o mercado de trabalho ou sejam requalificados".

No investimento, "no longo prazo não é esperado que o choque pandémico tenha impactos diretos significativos", tendo sido mais evidentes as consequências no grau de utilização da capacidade produtiva instalada na economia, que se reduziu em 3,1 pontos percentuais "para 75,7% em 2020, o valor mais baixo desde 2009".

Quanto à produtividade, "existe alguma incerteza relativamente aos impactos da pandemia, com alguns fatores a potenciar um aumento da produtividade, enquanto outros a penalizam".

"Por um lado, os diversos programas de apoio às empresas foram um instrumento importante para conter os efeitos de curto prazo da pandemia", evitando "a insolvência de inúmeras empresas produtivas, e as perdas da capital humano e físico que daí poderiam advir", refere o CFP.

Por outro lado, os programas de apoio "poderão ter também um efeito perverso, na medida em que podem permitir que empresas estagnadas, com baixa produtividade e elevado endividamento, e que conseguem sobreviver devido a custos de financiamento reduzidos (usualmente apelidadas na literatura de empresas zombie) permaneçam no mercado".

Em mais impactos negativos, o CFP elenca a dispensa de recursos para melhorar a organização interna das empresas, a criação de redundâncias nos processos produtivos, os efeitos sobre os jovens, tanto na entrada no mercado de trabalho como na sua formação, e também o aumento do protecionismo.

Leia Também: Governo espera tomar decisão sobre privatização da Efacec

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