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Deputado socialista critica "modelos económicos violentos"

O deputado socialista Sérgio Sousa Pinto elogiou hoje o papel dos países da América Latina na resistência contra "modelos económicos violentos", como os que tratam Portugal como "uma Gâmbia".

Deputado socialista critica "modelos económicos violentos"

"Portugal é uma nação antiga. Portugal é agora tratado como uma Gâmbia igual a muitos países: através de programas formatados e violentos e que não cumprem a sua própria finalidade: o ajustamento orçamental", disse Sérgio Sousa Pinto, presidente da comissão parlamentar de Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas, na abertura de uma conferência sobre as relações entre Portugal e a América Latina que decorreu hoje na Assembleia da República.

O deputado sublinhou o papel das economias sul-americanas na promoção de políticas públicas e criticou as ideologias financeiras que, como no caso presente de Portugal, promove programas "incompetentes" e que são um "colete-de-forças".

"O que se verifica é uma invasão teórica, que afasta os países do desenvolvimento" através de imposições financeiras, disse o deputado, destacando as políticas públicas de crescimento de "certos países da América do Sul" pelo facto de conseguirem retirar milhares de pessoas da pobreza.

"Políticas públicas que nada têm que ver com dirigismo económico e que são incompreensíveis para o clube dos países mais ricos e para instituições como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e a Organização Mundial de Comércio (OMC) ", afirmou.

Segundo Sérgio Sousa Pinto, os países precisam de tempo e não podem estar sujeitos à "lei de bronze dos mercados" porque, defende, as imposições financeiras só podem funcionar em países onde a industrialização e a tecnologia já atingiram patamares muito mais avançados.

Para o deputado socialista, diversos países da América do Sul têm desafiado a "ortodoxia imposta de fora" tendo ao mesmo tempo revelado crescimento sustentável e um "realismo" no sentido da normalização da economia global.

"Dizem os defensores da ideologia neoliberal que o protecionismo gera imobilismo. É verdade, mas não na fase de arranque industrial e os países precisam de tempo para se industrializarem", afirmou Sérgio Sousa Pinto criticando o modelos que considera desadequados.

"Não posso deixar de dizer que aqueles famosos tratados desiguais sobre os quais o Ocidente fez assentar posições vantajosas estão a impor modelos económicos injustos", referiu.

Dirigindo-se aos diplomatas e às instituições presentes na conferência, Sousa Pinto disse também que a América Latina está numa fase de "grande pujança e esperança".

"A América Latina é o melhor de nós; é o melhor que pode sair de uma civilização antiga, latina e ibérica e que pode contribuir para ajudar também os povos do Mediterrâneo", concluiu o deputado do PS.

Participaram na conferência, embaixadores de vários países da América Latina, assim como representantes da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP) do Camões -- Instituto da Cooperação e da Língua, da Secretaria Geral Iberoamericana e do Instituto para a Promoção e Desenvolvimento da América Latina.

Os intervenientes abordaram as questões relacionadas com a diplomacia económica e os contactos políticos entre Portugal e os países da América do Sul; a importância do "triângulo África-Europa-América Latina"; relações comerciais e o "valor económico da língua", tanto a portuguesa como a espanhola.

Presente na conferência, o embaixador do Brasil em Portugal, Mário Vilalva, referiu-se às políticas contra a pobreza e de inclusão social no Brasil que tiveram início "apenas" nos anos 1990 mas que auxiliaram já 36 milhões de pessoas.

Mário Vilalva sublinhou ainda a assinatura - agendada para o dia 21 de março - do futuro acordo entre a União Europeia e o Mercosul (a quinta economia mundial), que, de acordo com o embaixador, pode "resgatar" o Atlântico para o Mercosul, "um papel que foi perdido para o Pacífico" no final do século XX.

No que diz respeito a Portugal, o embaixador brasileiro em Lisboa acredita que um acordo entre a Europa e o Mercosul pode fazer com que muitas empresas do Brasil possam vir a instalar-se, no futuro, em território português.

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