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OE2022. Empresas deviam receber "indemnização" pelos confinamentos

O economista João Borges de Assunção defendeu, em entrevista à Lusa, que as empresas deveriam receber uma indemnização compensatória do Estado devido aos confinamentos, considerando que essa fórmula é mais adequada do que os apoios implementados.

OE2022. Empresas deviam receber "indemnização" pelos confinamentos
Notícias ao Minuto

06:33 - 30/09/21 por Lusa

Economia economista

"O confinamento foi o Estado que expropriou as empresas. Não eram as empresas que tinham uma má estratégia. Foi o Estado que criou uma barreira à atividade económica. O que as empresas têm neste momento, ou o que deveriam ter, é uma indemnização compensatória", disse à Lusa o professor da Universidade Católica, numa entrevista acerca do Orçamento do Estado para 2022.

O economista frisou que algumas empresas "teriam morrido da doença [covid-19], e mereciam apoio por causa da doença, mas há outras que desapareceram por causa das políticas públicas".

"É a política pública do confinamento, que é uma decisão pública, legítima, mas é uma decisão pública, é essa política que leva muitas empresas ao tapete", considerou o académico.

Falando à Lusa na Universidade Católica, em Lisboa, João Borges de Assunção disse também que, na sequência da crise, não se está a assistir a um fenómeno de destruição criativa na economia.

"Para mim, aqui o argumento da eficiência e da destruição criativa não é verdade. O argumento da destruição criativa é que as empresas que aparecem são mais produtivas que as que desaparecem, e é bom que as novas empresas substituam as empresas antigas. Isso é a destruição criativa positiva. Isso é bom, isso é inovação", começou por explanar.

Porém, atualmente não há "nenhuma destruição criativa", mas sim uma "expropriação por travagem à normal atividade económica por parte de decisões públicas", daí defender que "o conceito adequado é o da indemnização compensatória".

"Se depois não for suficiente para elas sobreviverem, então muito bem, iam ao tapete", vincou.

O professor da Universidade Católica considera que atualmente nas falências "estão as empresas que já não eram viáveis antes e que agora têm uma espécie de bolha de salvação com estes programas de apoio públicos, e as empresas que não eram viáveis e que mereciam ser indemnizadas e que vão receber um apoio insuficiente para aquilo que mereciam".

"Muitas delas vão estar a pagar dívida o resto da vida para pagar um confinamento que não decidiram, não é? E separar conceptualmente as duas e na prática é muito difícil", acrescentou, frisando que "as entidades públicas que tiverem esse trabalho, se forem sérias, que é um grande se, vão ter uma grande dificuldade em fazer essa separação de uma maneira inequívoca".

João Borges de Assunção considerou ainda, relativamente às chamadas empresas 'zombie', que se mantêm em atividade apenas com apoio externo e têm dificuldade em assumir os seus compromissos, que "durante uns anos não há grandes alternativas a uma espécie de perpetuar, porque ninguém quer neste momento falências aceleradas na economia".

"Isto durará apenas até 2022 e 2023. Portanto, a partir de 2023 eu acho que o próprio sistema financeiro já mais ou menos conseguiu empurrar a resolução contabilística das moratórias até ao final do ano pelas mesmas razões", sustentou.

O economista disse ainda acreditar que "quanto mais rápidos forem os processos de insolvência, maior é a eficiência da economia", pelo que para as "empresas que fiquem 'zombie' o ideal era que fossem resolvidas rapidamente e que houvesse uma alteração de propriedade".

João Borges de Assunção prevê que vá haver "uma cicatriz enorme desta crise devido à maneira como a política foi conduzida e, nesse sentido, bem, vai aparecer na forma de uma dívida".

"A distribuição dessa dívida vai estar em toda a sociedade. Uma parte ficará no Estado, outra foi as empresas. [...] Essa dívida vai estar distribuída, mas só daqui a dois ou três anos é que teremos uma ideia precisa do aumento enorme de dívida e da redução das poupanças que esta crise criou", prevê o economista.

Leia Também: "Ninguém está muito preocupado" com o défice, diz economista

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