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Trabalhadores da Saint-Gobain vão pedir a Costa que trave despedimento

Os trabalhadores da Saint-Gobain em Santa Iria da Azoia, Loures, decidiram hoje manifestar-se no sábado, com as respetivas famílias, em Lisboa, para pedir ao primeiro-ministro que trave o despedimento coletivo dos 130 funcionários da fábrica de vidro.

Trabalhadores da Saint-Gobain vão pedir a Costa que trave despedimento
Notícias ao Minuto

18:04 - 22/09/21 por Lusa

Economia Saint-Gobain

Depois de concentrações junto aos ministérios do Trabalho e da Economia, estes trabalhadores vão desta vez deslocar-se à capital com a famílias para desfilar entre a zona de Santos e S. Bento e manifestar-se junto à residência oficial do primeiro-ministro, António Costa.

"Temos vindo a pedir a intervenção do Governo junto desta multinacional, para que impeça o encerramento da fábrica e defenda os interesses do país e o aparelho produtivo nacional, dado que é a única fábrica do país que produz vidro para automóveis, e desta vez os trabalhadores vão trazer as sua famílias para tentar sensibilizar o primeiro-ministro", disse à agência Lusa Fátima Messias, coordenadora da Federação Portuguesa dos Sindicatos da Construção, Cerâmica e Vidro (FEVICCOM).

A decisão foi tomada esta manhã pelos trabalhadores que se concentram diariamente junto à fábrica, há cerca de um mês, em defesa dos postos de trabalho.

No próximo sábado vão protestar em S. Bento e deixar um dossier detalhado do processo de encerramento da fábrica, com despedimento coletivo, dado que nenhum trabalhador aceita a rescisão contratual.

"A empresa diz que a sua decisão é irrevogável, mas isso não significa que o Governo assista impávido e sereno ao encerramento desta fábrica e ao despedimento de 130 pessoas. Quando são esperados tantos milhões da União Europeia para ajudar à recuperação económica, certamente que pode ser encontrada uma solução para salvar esta empresa, que é importante para a economia nacional, já que o vidro que ela produz terá de ser importado, contribuindo para o agravamento do défice", disse Fátima Messias.

Depois dos protestos dos trabalhadores nas últimas semanas, a FEVICCOM conseguiu a marcação de uma reunião, na segunda-feira, no Ministério do Trabalho, com os secretários de Estado do Emprego e Adjunto do ministro da Economia.

Os trabalhadores decidiram também fazer um pequeno desfile na avenida de Roma e concentrar-se junto ao ministério enquanto durar a reunião.

Na terça-feira realizou-se a terceira reunião para discutir o despedimento coletivo que contou com a participação de um representante da Direção-Geral do Emprego e Relações de Trabalho (DGERT) e de representantes dos trabalhadores e da empresa.

"A reunião foi longa, mas não obtivemos a informação que tínhamos solicitado", disse Fátima Messias.

A sindicalista lembrou que os representantes dos trabalhadores tinham pedido na reunião anterior várias informações, nomeadamente um estudo sobre o impacto económico do encerramento da fábrica e os resultados líquidos da mesma entre 1996 e 2020.

"A Saint-Gobain Sekurit Portugal continua a negar o fornecimento da informação acerca dos resultados líquidos dos seus 25 anos de laboração. De que tem medo a multinacional? De assumir que poderá ter tido, neste período, cerca de 100 milhões de euros de lucros?", questionou Fátima Messias.

A coordenadora da FEVICCOM acusou a empresa de "estar a fugir a uma discussão séria e frontal".

"Por outro lado, a Saint-Gobain Sekurit quer encerrar a produção e promover o despedimento dos seus 130 trabalhadores, ao mesmo tempo que pretende manter o monopólio da comercialização do vidro automóvel em Portugal. Ou seja, quer ficar com o negócio e os lucros e passar a fatura dos prejuízos para os trabalhadores e a economia nacional", disse.

A Saint-Gobain Portugal emitiu hoje uma nota de imprensa onde dá conta do prosseguimento das negociações e reitera a "irreversibilidade da decisão de encerramento da atividade produtiva" em Santa Iria.

No comunicado, a empresa salienta que as "compensações oferecidas aos trabalhadores" são 50% acima do valor das indemnizações previstas na lei e refere que "já contratou uma empresa especializada em recolocações para apoiar os trabalhadores a encontrarem um novo emprego no mercado de trabalho, bem como a conseguir colocar alguns trabalhadores noutras empresas Saint-Gobain em Portugal".

Segundo a empresa, os problemas da Saint-Gobain Sekurit Portugal têm mais de uma década, mas "a pandemia da covid-19 agravou uma situação já de si frágil, aumentando substancialmente a retração do mercado automóvel (a empresa transforma vidro para os automóveis, sendo essa a sua única atividade), sem possibilidades de recuperação a curto, médio e longo prazo".

Em Portugal, o Grupo Saint-Gobain emprega cerca de 800 trabalhadores distribuídos por 11 empresas e oito fábricas e totaliza um volume de faturação correspondente a 180 milhões de euros.

O processo negocial no âmbito do despedimento coletivo na Saint-Gobain Sekurit Portugal prossegue na sexta-feira e na terça-feira.

A decisão de encerramento da atividade produtiva da empresa e o consequente despedimento coletivo dos 130 trabalhadores foi anunciada no dia 24 de agosto.

Leia Também: Trabalhadores da Saint-Gobain vão manifestar-se em S. Bento

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