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Lugar de Coura em Armamar perdeu serviços e ganhou habitantes

Coura era a freguesia mais pequena do concelho de Armamar, em 2013 perdeu aquele estatuto e ficou unida à sede de concelho. Com o tempo, perdeu serviços, mas, nos últimos anos, tem conquistado novos habitantes.

Lugar de Coura em Armamar perdeu serviços e ganhou habitantes
Notícias ao Minuto

09:01 - 30/07/21 por Lusa

Economia Censos2021

Coura era a freguesia mais pequena do concelho de Armamar, em 2013 perdeu aquele estatuto e ficou unida à sede de concelho. Com o tempo, perdeu serviços, mas, nos últimos anos, tem conquistado novos habitantes.

Manuel Oliveira, 88 anos, é hoje o homem mais velho de Coura, freguesia e concelho de Armamar, a norte do distrito de Viseu, na região Douro Sul. Manuel Oliveira era o dono da única taberna de Coura e, há 10 anos, afirmava convicto à agência Lusa que, em 2021, "já não havia ninguém" na terra.

Coura foi, até 2013, a freguesia mais pequena do município, mas perdeu o estatuto nesse ano, aquando das uniões de freguesias. Sensivelmente no mesmo ano em que também Manuel Oliveira fechou a sua taberna, porque "a saúde também foi indo, como foram alguns serviços" de Coura.

A esposa, Maria de Jesus, de 86 anos, é quem mais conversa, Manuel já não tem o ouvido afinado de outrora e as palavras já não lhe saem com a mesma clareza, tal como a memória que vive debaixo de muitas sombras.

Sombras que desvanecem quando sorri ao soltar uma piada ou a provocar a vizinha e comadre que, ao passar, e ao ver a porta da taberna aberta, não escondeu a curiosidade de relembrar o espaço.

"Querem um copo de vinho? Ó Maria vê lá se há aí ou se é preciso ir buscar", reagiu Manuel Oliveira ao ver a "casa cheia", como "encheu tanta vez" ao longo dos mais de 40 anos em que viveu horas a fio por detrás do pequeno balcão.

"Isto é um vício. Às vezes venho para aqui, só para estar aqui. Tenho sempre vinho em casa, mas venho muita vez beber aqui um copo, porque aqui tem outro sabor", confidenciou Manuel, que faz o trajeto a partir de uma ligação interna da casa, pelas portas traseiras da taberna.

Hoje não convive, nem tem a perceção das alterações que Coura sofreu e desconhece que o único sítio onde a comunidade agora se junta é na associação que, entretanto, foi criada e que abre portas durante a tarde e, ao fim de semana, o dia todo.

"Perdemos o estatuto de freguesia e fomos perdendo tudo. Até o posto dos correios nos fecharam e a taberna acabou por fechar também, porque a saúde do meu Manuel também começou a ir embora e já não havia vida para isto. Agora estamos mais por casa a descansar", confessou Maria de Jesus Oliveira.

A vizinha e comadre, Delfina Mendes, que conta com 60 anos, é quem partilha as novidades de Coura. Sabe dizer as casas que ainda estão à venda e as que foram vendidas e, "ainda recentemente, foi mais uma, para um professor que se vai mudar" para a povoação.

"Nesta última meia dúzia de anos temos gente nova que nem era de cá. Há reformados, mas também há famílias que saíram das grandes cidades. Estamos a cinco minutos de Armamar, é um pulinho e aqui há descanso e ar puro e temos boas paisagens para o Douro", justificou Delfina Mendes.

Os Censos de 2011 apontavam que esta freguesia, a cerca de cinco quilómetros da sede de concelho, tinha perdido 22 dos 65 habitantes que tinha em 2001. Em 2021, não é freguesia, é lugar, mas o presidente da Junta de Armamar, onde pertence, disse que "deve estar mais ou menos na mesma, porque há novos moradores, mas também morreram algumas pessoas".

"Temos famílias que saíram de Lisboa, nos últimos dois, três anos, e que ainda não mudaram a morada para cá e, por isso, ainda não fazem parte destes 43 ou 44 habitantes que sei que estão registados", disse à agência Lusa Afonso Gouveia.

Não é o caso de António Couto, que aos 65 anos vive da reforma e há três anos mudou-se com a mulher para Coura. É natural do concelho de Armamar, mas de outro lugar que, outrora, também já foi freguesia, Tões, do outro lado da sede de concelho onde também agora pertence.

"Eu devo ter sido dos últimos a mudar-me para cá, há quase três anos. Tenho aqui uns vizinhos que vivem em Lisboa e agora estão aí uns dias de férias, mas eu vivo cá o ano inteiro, já estou reformado", contou António Couto.

Ao lado, o vizinho João entrou na conversa e apesar de esconder a idade e o último nome, não escondeu as "picardias" com o vizinho, com quem partilha amizade, o companheirismo nos jogos da sueca na associação, mas também de uma sã rivalidade, a começar no clube de futebol e até no caminho profissional.

"Aqui o vizinho tem esses cachecóis na parede, mas enganou-se na cor. Eu reformei-me de taxista, mas aí o vizinho João é condutor da Uber lá em Lisboa", provocou António Couto, enquanto se acomodava no rés-do-chão da casa do vizinho, onde partilham horas do dia.

"E é uma vida difícil. Mas mais um ano já me reformo e venho para aqui, que aquilo lá [em Lisboa] não interessa a ninguém. Fui para lá com 12 anos e estou cansado daquilo e hoje também já é muito diferente. Na altura, a língua que se falava era o português e hoje é o que menos se fala, só para ver o que tem acontecido nos últimos 20 anos", contou João.

E assim que se instalar na sua terra natal, com a sua esposa, João disse que se "acabaram as idas a Lisboa" e os momentos em família com os descendentes "vão ter de acontecer" em Coura.

"Eles que venham cá em cima, porque daqui, no fim de me mudar, já ninguém me vai tirar da minha casinha e do meu sossego", sentenciou.

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