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AIE quer urgente desbloqueamento de obstáculos a projetos hidroelétricos

A Agência Internacional de Energia (AIE) considera que é preciso desbloquear muitos dos obstáculos enfrentados pelos projetos hidroelétricos, uma fonte de produção de eletricidade cujo crescimento está a abrandar, ameaçando os objetivos de combate às alterações climáticas.

AIE quer urgente desbloqueamento de obstáculos a projetos hidroelétricos
Notícias ao Minuto

11:23 - 30/06/21 por Lusa

Economia AIE

Num relatório divulgado hoje, a AIE sublinha que cerca de metade do potencial hidroelétrico economicamente viável do mundo está inexplorado.

A energia hidroelétrica tem "um papel fundamental na transição para a energia limpa" não só devido ao peso relativo (um sexto da produção de eletricidade no mundo em 2020, que significa mais do que todas as outras energias renováveis combinadas), mas também porque a capacidade de armazenamento das barragens proporciona flexibilidade ao sistema.

O problema é que embora se preveja que a capacidade hidroelétrica global aumente 17% entre 2021 e 2030, essa progressão será quase 25% mais lenta do que na década anterior.

Para o diretor-geral da AIE, Fatih Birol, "a energia hidroelétrica é a grande esquecida da eletricidade limpa e é necessário colocá-la diretamente na agenda energética e climática se os países estão seriamente empenhados em alcançar os seus objetivos" para atingir as emissões líquidas zero de dióxido de carbono (CO2) que foram fixadas para meados do século.

Birol salienta que as vantagens que a energia hidroelétrica apresenta podem torná-la uma facilitadora de transições seguras", uma vez que a quota de produção solar e eólica - por natureza muito mais descontínuas e irregulares - aumenta, "desde que os projetos hidroelétricos sejam desenvolvidos de uma forma sustentável e resistente ao clima".

De acordo com a AIE, se os obstáculos ao desenvolvimento da energia hidroelétrica fossem adequadamente abordados, a capacidade global poderia aumentar 40% até 2030, muito mais do que os autores do relatório estimam.

Na prática, teria de subir duas vezes mais depressa do que o esperado, o que requer uma abordagem mais robusta e abrangente.

A agência salienta que, entre outras coisas, é preciso proporcionar visibilidade a longo prazo das receitas das centrais hidroelétricas para assegurar que os projetos sejam economicamente viáveis e atrativos para os investidores. Isto sem esquecer que as normas de sustentabilidade ambiental estão garantidas.

Recorda que muitos projetos enfrentam longos processos de licenciamento, custos e riscos elevados de avaliações ambientais, bem como a oposição das comunidades locais nalguns casos.

De acordo com as estimativas da AIE, 127.000 milhões de dólares - quase um quarto do investimento global em energia hidroelétrica - deverão ser gastos na modernização de centrais elétricas envelhecidas até 2030, na maioria em economias avançadas.

Estes números estão muito abaixo dos 300.000 milhões de dólares que, na sua opinião, seriam necessários para atualizar todas as centrais hidroelétricas obsoletas.

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