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Argumentos do Governo para exploração de lítio são "errados"

A associação Povo e Natureza do Barroso (PNB) disse hoje que os argumentos do Governo para defender a exploração de lítio em Portugal, como a descarbonização, são "errados" e têm como objetivo "manipular a opinião pública".

Argumentos do Governo para exploração de lítio são "errados"
Notícias ao Minuto

13:21 - 14/06/21 por Lusa

Economia PNB

"O ministro do Ambiente [João Pedro Matos Fernandes] e o primeiro-ministro [António Costa] têm insistido que temos de aproveitar os recursos do lítio nacionais por várias razões, uma delas porque precisamos do lítio para supostamente descarbonizar a nossa economia. E também porque temos supostamente as maiores reservas de lítio da Europa. Essas duas afirmações estão erradas", sublinhou à agência Lusa o presidente da associação Povo e Natureza do Barroso, Vítor Barroso Afonso.

O responsável pela associação que defende o património cultural e ambiental do Barroso, que junta os concelhos de Montalegre e Boticas, no distrito de Vila Real, onde estão previstas explorações de lítio, vê estes dois argumentos como os "principais" por parte do Governo para defender que existe "quase a obrigação" de explorar o lítio em Portugal.

"A nossa posição é que efetivamente são informações falsas", apontou, considerando que estes argumentos servem como uma "preparação e manipulação da opinião pública" para que, no futuro, apoiem "a exploração de minas a céu aberto nestes territórios".

Segundo os dados partilhados pela associação PNB, um relatório recente do 'think tank' francês The Shift Project, de 2019, revela que a partir de 2013 a contribuição da tecnologia digital nas emissões globais de gases com efeito de estufa está "em constante aumento".

Atualmente representa 04% das emissões a nível mundial, mais do que o transporte aéreo civil que representa 2 a 3%, refere.

"De acordo com as previsões do 'think tank', se não limitarmos o impacto ambiental da tecnologia digital, as emissões de gases com efeito de estufa podem duplicar e chegar a 7 ou 8% das emissões totais, ou seja, um impacto semelhante às emissões dos veículos ligeiros atuais. Em paralelo, o consumo de matérias-primas terá triplicado", destacou Vítor Afonso.

"Se não refletirmos sobre o nosso modelo de sociedade e de produção massiva do consumo descontrolado mudar de um carro a combustão para carros elétricos não vai resolver, infelizmente, o problema. Pelo contrário, vai aumentar porque precisamos para produzir os carros elétricos de mais energia, de mais matérias-primas e é um círculo vicioso", sustentou.

O responsável da associação PNB referiu ainda que "o argumento do Governo acerca das reservas de lítio existentes" em Portugal, é contrariado através dos "dados recentes publicados em 2019 pela agência científica do Governo dos Estados Unidos, a USGS, em que os recursos de lítio foram estimados a 62 milhões de toneladas a nível mundial, quando Portugal possui apenas 130.000 toneladas".

"[São] Dados que permitem relativizar bastante quanto à nossa suposta riqueza em quantidades de lítio. A nível mundial, as reservas portuguesas são anedóticas e nunca poderão competir do ponto de vista económico com as reservas de lítio do triângulo do lítio sul americano: Bolívia, Argentina e Chile", sublinhou ainda.

A nível europeu a mesma fonte refere que a República Checa possui recursos de lítio estimados a 1.300.000 toneladas, Sérvia 1.000.000 toneladas, Espanha 400.000 toneladas e Alemanha 180.000 toneladas, acrescentou.

O primeiro-ministro António Costa disse, em 08 de junho, que Portugal "não pode deixar de estar" na "linha da frente" da transição tecnológica que a Europa prepara porque "pela primeira vez" é um dos países com "melhores e maiores" reservas de matéria-prima, nomeadamente lítio.

O chefe de Governo salientou a mais-valia que Portugal tem ao ter reservas de lítio, salientando que os territórios nos quais será feita a extração daquele recurso têm que ter compensações, dando como exemplo os concelhos de Boticas e Montalegre.

Em 21 de maio, o ministro do Ambiente disse não entender a "implicação" contra o lítio, que é "indispensável" atualmente, e defendeu que Portugal e a Europa serão "o melhor exemplo" em termos de "cuidado ambiental" para esta exploração.

Na intervenção na inauguração da nova fábrica de Moura de produção de painéis solares fotovoltaicos flexíveis e de baterias de lítio de alta temperatura, Matos Fernandes tinha considerado que o avanço desta fábrica é a "prova" de que o lítio "é indispensável para a descarbonização" do país e "digitalização" da sociedade, mas lamentou que as células com este metal para as baterias que vão "nascer" em Moura tenham de ser importadas.

Leia Também: Galp prevê acelerar investimento em novas energias como lítio em 10 anos

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