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Quem assinou contrato de venda do Novo Banco "devia ser enforcado"

O presidente da Promovalor, Luís Filipe Vieira, disse esta segunda-feira que quem assinou o contrato de venda do Novo Banco, que prevê chamadas de capital ao Fundo de Resolução, "devia ser enforcado".

Quem assinou contrato de venda do Novo Banco "devia ser enforcado"
Notícias ao Minuto

22:08 - 10/05/21 por Lusa

Economia Novo Banco

"Quem assinou esse contrato, deve estar pendurado. Não sei quem foi, pendurem-no", disse o também presidente do Benfica esta segunda-feira na sua audição de quase cinco horas na Comissão Eventual de Inquérito Parlamentar às perdas registadas pelo Novo Banco e imputadas ao Fundo de Resolução, onde esteve a ser ouvido como grande devedor.

A deputada Filipa Roseta (PSD), que questionava Luís Filipe Vieira, referiu-se a Mário Centeno, dizendo que "está agora no Banco de Portugal" como governador, tendo sido ministro das Finanças quando foi assinado o contrato de venda.

"Isto vale a pena dizer, devia ser enforcado, uma pessoa que fez uma coisa destas. Assinar um contrato desta natureza não se pode fazer", prosseguiu o responsável da Promovalor, empresa devedora do Novo Banco.

Luís Filipe Vieira e Filipa Roseta estavam a discutir as desvalorizações de imóveis e terrenos cujas perdas são imputadas ao Fundo de Resolução, entidade na esfera pública que tem recorrido a empréstimos do Tesouro para se financiar.

"Acredite: estas imparidades, essas desvalorizações, não existem. Existem contabilisticamente", referiu o também presidente benfiquista, argumentando que se os projetos forem desenvolvidos recuperam o valor.

Anteriormente, Luís Filipe Vieira já tinha descartado responsabilidades nas perdas imputadas aos contribuintes, dizendo que "é cómodo" que se crie essa imagem.

Em 2017, aquando da venda de 75% do banco à Lone Star, foi criado um mecanismo de capitalização contingente, pelo qual o Fundo de Resolução se comprometeu a, até 2026, cobrir perdas com ativos 'tóxicos' com que o Novo Banco ficou do BES, até 3.890 milhões de euros.

O Novo Banco já consumiu 2.976 milhões de euros de dinheiro público e, pelo contrato, pode ir buscar mais 914 milhões de euros.

O Novo Banco teve prejuízos de 1.329,3 milhões de euros em 2020, um agravamento face aos 1.058,8 milhões registados em 2019. Já quanto ao valor a pedir ao Fundo de Resolução, o Novo Banco indicou que serão 598,3 milhões de euros.

Leia Também: Novo Banco poderá ficar acionista da Promovalor, diz Luís Filipe Vieira

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